A eliminação de 2018 começa em 2017

Março de 2018. O São Paulo coleciona maus resultados e péssimas atuações. Dorival Junior não consegue fazer o elenco render. Raí e Ricardo Rocha fazem altos investimentos duvidosos em jogadores como Jean, Diego Souza e Tréllez, mas não conseguem contratar os jogadores que o treinador quer. Não demora muito e Dorival é demitido. Diego Aguirre assume contra o São Caetano, nas quartas de final do estadual. Troca de treinador justamente no inicio do mata-mata.

Espera.

Porque começamos o ano com um técnico que estava fadado a ser demitido brevemente?

Aqui a gente precisa voltar um pouco.

O time estava em situação complicada no Brasileirão de 2017. A zona de rebaixamento era uma realidade e o então técnico Rogério Ceni não conseguia mais os resultados. Hoje sabemos que a chegada de Hernanes é que afastou de vez o fantasma de rebaixamento, mas no momento a escolha foi por demitir o jovem técnico Ceni e trazer alguém experiente, que segurasse a bucha. Por isso chega Dorival. Mesmo que não para o longo prazo, o momento pedia um treinador com mais currículo e o escolhido foi ele.

Mas porque era tão necessário um técnico experiente?

Quem criou essa bucha?

Voltemos mais.

Janeiro de 2017. Marco Aurélio Cunha sai do cargo de diretor executivo de futebol do São Paulo depois de ajudar a espantar o fantasma do rebaixamento em 2016 – eu não sou repetitivo, o São Paulo do Leco que é. O cargo fica oficialmente vazio até abril de 2017, quando Leco é reeleito presidente do São Paulo e coloca Vinicius Pinotti na função.

Quando o cargo estava desocupado, o clube vendeu David Neres e Lyanco. Depois, já com Pinotti, foram embora Luiz Araújo, Thiago Mendes, Maicon e outros que compunham o elenco. Sem alguém que conhecesse do riscado na diretoria, propostas chegavam e jogadores iam embora. Um completo desmanche que comprometeu todo o trabalho de Rogério Ceni e fez o São Paulo parar na zona de rebaixamento. Uma bucha.

O que tivemos em seguida é o que vimos. Diretoria de futebol sem comando e depois mal dirigida. Desmanche no elenco. Zona de rebaixamento. Troca de treinador. Hernanes nos salva. Dorival recebe uma chance em 2018. Contratações infrutíferas e péssimo rendimento do time. Troca de treinador antes do mata-mata. E, por fim, trabalho precoce causa eliminação.

Com isso, chegamos no dia 19 de abril de 2018. Dia em que o São Paulo chegou à sua segunda eliminação em 2018 e seu treinador chegou à pouco mais de 30 dias no cargo.

Aguirre parece ter melhorado a equipe, mas não se faz milagre em um mês, num elenco que ainda está se reforçando e contra adversários que estão trabalhando desde o início da temporada.

Raí e Ricardo Rocha também parecem ter encontrado um caminho nas contratações. Nenê, Valdívia e Régis estão bem, Carneiro e Everton chegam com boas expectativas. No entanto, existe por exemplo um motivo para Militão ter terminado como lateral esquerdo num jogo importante como esse contra o CAP. Temos bons nomes em outras posições, mas as laterais e o gol não passam nenhuma confiança. É preciso olhar o elenco como um todo.

De qualquer forma, a lição que fica é saber a importância de um bom planejamento.

A colheita de 2018 já foi comprometida pelo o que plantamos em 2017. Só nos resta plantar melhor agora.

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