Confira a opinião do colunista do AT sobre as mídias alternativas
Foto: DANIEL LEAL-OLIVAS / POOL / AFP

Nos últimos tempos, com a democratização do acesso à informação, é crescente o número de canais, nos meios esportivos, que exploram o senso de curiosidade alheio em busca de cliques. Ao mesmo tempo que tal fenômeno possibilita o surgimento de verdadeiros, inesperados e talentosos produtores de conteúdo, tal qual Casimiro Miguel, também dá brecha para um sem-número de oportunistas sem qualquer quê de credibilidade – que não a cara de pau em enganar pessoas de maneira contumaz.

Nessa toada, uma rápida pesquisa na aba de buscas do Youtube se mostra suficiente para notar a quantidade de material ardiloso existente na plataforma. A cada hora, centenas de vídeos enganosos relacionados ao futebol, que abordam principalmente contratações estrondosas e sem a menor verossimilhança no enredo, surgem e poluem o ambiente, a tornar impossíveis que medrem os produtores de conteúdo responsáveis, que apuram, analisam e filtram tudo aquilo que sai relacionado ao clube; é um ciclo vicioso de difícil controle e solução eficazes.

Não apenas há vídeos, mas também sites que trabalham apenas com a ramificação das fake news esportivas, denotando a despreocupação em informar – mormente quando nem o domínio do vernáculo tais manejadores de “notícias” possuem. Com isso, não apenas é vítima o torcedor em geral, que nutre esperança em situações extremas e intangíveis, como o próprio seguimento esportivo sério, que míngua em acessos em detrimento do espetáculo dos clickbaits.

Exemplo de tais situações ocorreu hoje, quando a especulação de uma possível reunião envolvendo quatro atletas do São Paulo foi ventilada, com base na pseudoinformação de um fulano – sem desmerecê-lo como pessoa, mas tão somente no contexto da propagação de algo sem fonte ou base de veracidade. No afã dos cliques e do engajamento nas redes, inúmeras páginas ligadas ao clube enfocaram tal possibilidade, sem ao menos checar com qualquer setorista ou algum jornalista de escol sobre o que de fato poderia ser real. Ou seja: sem o mínimo que se espera de um comunicador responsável.

Em vista desse ambiente de fertilidade para boatos e inverdades, há que se ressaltar que a demanda só existe pelo consumo; pessoas estão acostumadas à ilusão e se apegam ao chamativo por pura comodidade. Dada a complexidade do que sói ocorrer quando do cotejo da liberdade de expressão com a vedação ao abuso, que muitas vezes se confunde com a censura, nada há que se fazer que não esperar que a tal onda passe. Até lá, sem muito o que se fazer, acostumemo-nos a conviver com as “bombas“, com as notícias de caladas da noite e com as assinaturas irreais com grandes craques que nunca virão. É o que existe para o momento.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.