Carta Tricolor – Da Flórida à Barra Funda: o Furacão Jardine

A Carta Tricolor é escrita pelo Ednaldo de Sá e sua publicação ocorre sempre às terças-feira. Clique aqui e conheça o índice da coluna.

A incrível capacidade de tudo o que ocorre com o São Paulo se tornar um furacão de categoria 5 é impressionante para dizer apenas isso.

Em um torneio que não vale mais do que um papel higiênico sujo de caquinha, o Tricolor saiu da sequência de amistosos de luxo com uma imagem corroída muito mais pelos desgastes de anos sem títulos e erros cometidos pelo alto escalão do clube. Será que os danos ficarão restritos à espuma do torcedor angustiado de barzinho?

O SPFC se apresentou ao torcedor em 2019 para colocar mais alguns questionamentos na mente apreensiva do torcedor tricolor.  As impressões deixadas em campo preocupam parte desse torcedor porque a indisposição de se renovar as esperanças por um ano vitorioso é enorme. A coluna de hoje não vai abordar o contexto apresentado em campo porque se percebe primeiro que o colunista não enxerga aquilo como um torneio, e também porque 2 jogos não são suficientes para conclusões a longo prazo evidentemente. Entretanto, nem por isso se deve deixar de fazer algumas ponderações principalmente sobre Jardine.






A trajetória da escolha de Jardine como técnico do SPFC até hoje não convence inteiramente. Vamos lá. Em novembro de 2018, Raí veio a público expor suas motivações para a efetivação de Jardine como treinador. Na ocasião, ele disse: “A escolha pelo Jardine é consequência do trabalho que ele desenvolve há quase quatro anos no São Paulo, em Cotia e na Barra Funda”. Dessa explicação, é possível tirar muitos questionamentos acerca do planejamento adotado pela diretoria neste período de pré-temporada. Por exemplo, se as ideias de Jardine divergem consideravelmente de seu antecessor, por que raios Jucilei permaneceu, “engessando” o time? Mais, se as motivações que levaram Ceni a ser chutado para fora em 2017 deveram-se à inexperiência do ídolo treinador, por que a tal “lição aprendida” daquele ano foi desconsiderada agora?

É claro que aqui não se tenta martelar os pregos nas mãos de Jardine e colocá-lo para ser crucificado, mas se nota mais uma incongruência fulcral desta diretoria amadora que tem comandado o clube. O atual efetivado conta com a ampla desconfiança de aproximadamente 99% dos torcedores porque é óbvio que não dá para ignorar aquele final de 2018 tenebroso nas mãos dele. Não ser capaz de armar um time minimamente competitivo que fosse capaz de somar 3 míseros pontos contra Vasco, Sport ou Chapecoense foi apenas mais um fator de fortalecimento do tal furacão estadunidense que estaria por vir em janeiro. Ele tem culpa, e a diretoria mais ainda.

Comandar o SPFC sob estas condições de temperatura e pressão nos dias de hoje definitivamente não é uma tarefa fácil. Ser comandado, muito menos. O que o Tiago Volpi tem colhido nas redes sociais é injustificável, mas mais injustificável ainda é aquele discurso pós jogo contra o Ajax onde parecia que o São Paulo estava em terra arrasada à beira da zona do rebaixamento. É aquele o goleiro “experiente” que parte da imprensa e torcida propagandeava aos quatro ventos? É bom lembrar àqueles que criticam Volpi, parte de vocês mesmos alimentaram uma “hype” pelo goleiro que sinceramente não entendo de onde veio. Volpi é um bom goleiro e só.

Parte da imprensa, que naturalmente tende a ser carbonária em situações que podem descambar para um incêndio de proporções maiores, tem partido para uma análise mais conclusiva a respeito do futuro curto de Jardine no comando do São Paulo. Inclusive, para este colunista, as motivações levantadas por boa parte dos debatedores são plausíveis para que não tivesse ocorrido a efetivação do atual treinador. As comparações entre o que ocorre na Barra Funda com os outros rivais  perdurarão até que o clube saia da fila porque é evidente que as suspeições de um “próspero fracasso” se dão por meio de alguns indicativos. Hoje a presença de Jardine é um destes, não tem como negar.

Até agora não se sabe ainda a potencialidade de dano deste furacão, que pode se tornar uma chuva de verão minimamente gloriosa, uma catástrofe de danos estruturantes ou um vento forte que esbarrou no primeiro obstáculo grande encontrado em seu caminho. Que não seja esta última definição a que venha ocorrer mais precisamente no dia 6 de fevereiro!

Ednaldo de Sá

Ednaldo Benicio. Tenho 24 anos, sou graduado em Eng. Química e moro em Fortaleza. Desde os meus 7 anos, cultivando a paixão tricolor longe dos arredores do Morumbi.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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