Ceni é o responsável pela fase do São Paulo
Foto: Paulo Pinto / saopaulofc.net

O São Paulo enfrentou, na Copa do Brasil, um dos maiores times da América na atualidade. Diante de sua torcida, que lotou o estádio do Morumbi, o Tricolor não apenas conseguiu fazer um bom jogo, como perdeu chances que o credenciariam a estar mais vivo na competição. Mas, em campo, havia um time cujas qualidades fazem prescindir de muitas oportunidades; e, nas parcas, a conversão se deu com naturalidade. E o responsável pelo emparelhamento de forças com o milionário adversário tem nome e sobrenome: Rogério Ceni.

Veja bem: a história no clube precede qualquer apresentação de Ceni. Ele nem precisaria estar passando o que enfrenta no dia a dia no desajustado São Paulo da atualidade. Até pouco tempo, estava ele do outro lado, sendo campeão do Brasileirão em pleno Morumbi. Em um momento de insegurança, em que o time flertava com o rebaixamento, sem nenhuma garantia de sucesso na empreitada e, pior, a contragosto de muitos, ele assumiu e colocou o Tricolor na rédea. Não apenas salvou do rebaixamento, como conseguiu dar uma cara à equipe.

Ele chegou à final do Paulistão – após eliminar o rival Corinthians na fase anterior. E fez o são-paulino acreditar que era possível derrubar o poderoso Palmeiras, ao vencê-lo em casa por 3×1. O sentimento ruim depois da decisão do Allianz só reforça a façanha de Rogério Ceni. Meses depois, lá estava ele se vingando do adversário, no mesmo palco, calando o maior público da história do alviverde, nesta mesma Copa do Brasil em que tomou um duro golpe do Flamengo – na qual ele caiu em casa, mas de cabeça erguida.

O São Paulo não é nada daquilo que foi um dia. Falido, desestruturado, devedor e sem grandes pretensões. Nessa esteira de tragédia, Rogério conseguiu devolver ao torcedor o sentimento de possibilidade de se igualar aos gigantes atuais. É como se, em alma, seus comandados fossem capazes de retomar a força de outrora, com base apenas no coração e na torcida. Ele mostrou que os rivais também sangram. E que, com um time remendado e sem estrelas, recheado de jovens da base, é possível ser competitivo. Em suas mãos, no Morumbi, o Tricolor cresce e se impõe – por isso, é semifinalista de duas grandes competições.

Definitivamente, o São Paulo é hoje um time bem treinado. Tem, no banco de reservas, o seu grande e maior trunfo. Diante dos percalços e das vulnerabilidades, surge Ceni, no Time da Fé, como grande figura que representa um bravo Tricolor que consegue, dadas as limitações, alimentar no torcedor o gosto de ser combativo. O orgulho é devolvido em forma de vontade dentro de campo. E Ceni, sem dúvida, entrega muito mais do que recebe do São Paulo.

Orgulhe-se, são-paulino. A realidade do clube é bem distante do imaginário que circunda o Morumbi nos grandes jogos de 2022. Aquele São Paulo que um dia conhecemos ficou para trás. De gigante, sobrou Ceni – o treinador que nos devolveu o direito de sonhar. Dada a realidade do clube, com dirigentes por anos aviltando sua imagem e a própria instituição, não é exagero afirmar que Rogério Ceni, dadas as devidas proporções, é muito maior do que o atual São Paulo.

*As opiniões expressas aqui são de responsabilidade do autor do texto, e não refletem a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.
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