#ColunaAT – A Utopia de um torcedor

A coluna Raça Tricolor é publicada aos sábados e escrita pelo Gustavo Torquato, e conterá muita paixão sobre o Tricolor Paulista. Confira o índice da coluna aqui.

Olá amigo tricolor, fiquei imaginando qual seria o tema do artigo desde a última vez em que escrevi para o AT. O São Paulo é realmente surpreendente, para o bem e para o mal. Quem imaginaria que em duas semanas o tricolor montaria um time competitivo para bater de frente com um dos melhores do país, em uma semifinal de campeonato paulista, e que ao mesmo tempo estrearia um técnico no meio desse processo de evolução? Entre essa bagunça são-paulina nada parece ser mais extraordinário do que o próprio momento do clube.

É surreal pensar que Jardine, exímio conhecedor da base tricolor, esteja fora do melhor momento das crias de Cotia no time principal do São Paulo, quando ele próprio foi derrubado por confiar em medalhões que estão próximos de deixar o clube, se é que já não saíram, como é o caso de Diego Souza. Portanto, no São Paulo nada é o que parece ser. Uma eliminação na Libertadores abre espaço para um time jovem, rápido e com toque de bola.

Mais impressionante do ponto de vista positivo dessa dinâmica são-paulina, para não dizer outro nome, é a forma como os garotos da base não sentiram o peso na iminência de uma eliminação de campeonato estadual. Não esqueçamos que se o São Paulo está hoje na semifinal, em um duelo aberto contra o Palmeiras, foi graças a um empate na última rodada da fase de grupos contra o rebaixado São Caetano.

É óbvio que o São Paulo continua como franco atirador, o adversário além de favorito, conta com a história a seu favor. Todavia, a história além de cíclica, prega peças em qualquer situação aparentemente consolidada. Se o São Paulo for eliminado, nós já conhecemos o roteiro de trás para frente, com todas as vírgulas e pontos de exclamação desse enredo. Mas se for finalista?

Honestamente, não sei o que sentir sobre o duelo de domingo dia 7. Receio pelo retrospectivo terrível na casa dos rivais ou esperança pela coragem desses meninos, que fazem com que tenhamos possibilidades de confiar em um bom jogo? Não consigo enxergar com clareza o que vai acontecer nessa partida decisiva, muito menos o que acontecerá depois dela, até porque nunca sabemos se o time que joga hoje será o mesmo que acabará o ano. As janelas de transferências e a postura da diretoria tricolor são símbolos de nossa desconfiança com o futuro.






Porém, no cenário de completa anestesia que o São Paulo nos deixou antes, durante e após a eliminação na Libertadores, comemoro o simples fato de poder sonhar. Não me parecia crível que o São Paulo faria frente ao Palmeiras nem mesmo no jogo de sábado, se eu enxergasse apenas o passado recente. Mas o presente é um como o acordar de um sono profundo. Não sei o que você pensa, mas quando vejo o São Paulo jogar com Antony, Liziero, Luan e Igor Gomes, eu sinto felicidade. A felicidade por mais tímida que seja é um contraste absoluto com a indiferença que esse time passava há poucos meses atrás. É pouco? Não sei, depende do que vem pela frente. É um esboço de um rompimento histórico de fracassos ou é apenas um sentimento passageiro? Não sabemos, depende do que vai acontecer domingo e depois de domingo.

Diante de todos os sentimentos que o São Paulo já me fez passar, dentre eles raiva e alegria, com doses de intensidade diferenciadas ao longo dos últimos anos, não conseguiria imaginar que voltaria a sentir ansiedade e expectativas com o que vem pela frente em um espaço tão curto de tempo. O São Paulo continua sendo surpreendente, para o bem e para o mal, mas é preciso comemorar o direito de sonhar com um amanhã vencedor.


Gustavo Torquato. Advogado, fanático por futebol e são-paulino desde sempre. Minha relação com futebol começou nos primeiros meses de vida, quando meu pai, radialista esportivo, me presenteou com a camisa do São Paulo Futebol Clube. Um objeto guardado com amor e saudosismo e que sobrevive há 26 anos, assim como meu amor pelo Tricolor.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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