#ColunaAT – Muita calma nessa hora! (1)

A TRIbuna do Braga é escrita pelo Rodrigo Braga em todas às sextas.

O complicado de momentos como esse que vive o São Paulo atualmente é que tudo se transforma em drama. E isso costuma levar os responsáveis a tomar decisões precipitadas e, muitas vezes, equivocadas. Pedir calma parece até brincadeira em tempos que o torcedor são-paulino tem arrancado os cabelos. Mas é um bom conselho esse: calma. Com relação ao elenco, por exemplo: respire fundo e me responda: é ruim? Não, não é. Foi mal montado, mal planejado, tem peças em excesso fora das posições em que podem render melhor? Aí pode ser. E tem remédio para isso? Óbvio que tem! Mancini tem tido tempo e respaldo para trabalhar, é experiente e imagino que esteja alinhado com as ideias do Cuca (era só o que faltava não estar). Apesar do 0x0 melancólico no final de semana contra o Red Bull Brasil, já vimos uma outra dinâmica em campo. A tendência é de evolução nos próximos jogos, sobretudo se o elenco ganhar confiança e tirar de vez a nhaca que parece se recusar a ir embora.

Muita calma nessa hora! (2)

Gostei da ideia de jogar com três zagueiros, principalmente porque temos três ótimos zagueiros no elenco. Gostei mais ainda da ideia de mudar Jucilei de posição, para ser um desses defensores. Me parece até óbvio que ele vai render muito melhor como zagueiro do que como primeiro volante. E Jucilei era um que estava prontinho para ser dispensado (aqui voltamos à questão das decisões precipitadas do início do texto). Nenê é outro que pode ser muito útil ao time na temporada, ou o São Paulo acha que vai encontrar no mercado alguém com a categoria dele? Mandá-lo embora porque a torcida está brava é coisa de diretoria sem rumo. Nenê tem jogado fora de posição, uma conversa com ele sobre onde pode render melhor e, principalmente, sobre aceitar que pode ser mais importante para o time sendo opção e não titular absoluto e pronto. Diego Souza eu manteria no elenco, mas no caso dele até aceito a venda porque claramente hoje é reserva de Pablo, e um reserva ganhando R$ 600 mil, sobretudo em um clube que quer diminuir a folha de pagamento, dá pra concordar com a saída (mas aí, sou obrigado a criticar a venda do jovem Gabriel Novaes para o Barcelona B sem nem sequer ter jogado no time profissional). Bruno Peres, outro na mira da barca tricolor, mereceria da minha parte uma boa conversa e uma última chance de mostrar serviço. Se não resolver, não terá sido por falta de tentativas.

Meu time hoje

Sem considerar eventuais dispensas ou reforços que ainda possam chegar, meu time hoje teria Volpi no gol (precisa ter apoio para se firmar), os três zagueiros (Arboleda, Bruno Alves e Anderson Martins), com Jucilei e os jovens da base como opção. Os laterais (Igor e Reinaldo, que precisa urgentemente voltar a ter foco só em jogar bola) como alas e o restante da segunda linha com Luan e Liziero de volantes e Hernanes (em forma) na criação. Uma eventual formação mais ofensiva quando preciso pode ter Hernanes como segundo volante e Nenê ou Jonathan Gómez na criação. E na frente, Antony (pra mim hoje titular inquestionável) e Pablo. Dá para melhorar, claro, mas é um bom time. O que falta mesmo é confiança e um pouquinho de sorte, que tá em falta pelos lados do Morumbi.

Alerta

Tenho visto muito torcedor tricolor cuspindo marimbondo pra cima do ótimo narrador Gustavo Villani, do SporTV, que dias atrás disse que o São Paulo estava cumprindo à risca o manual do time que vai ser rebaixado. Não vi nenhum deboche e muito menos motivos para críticas ao narrador que, além do mais, tenho forte desconfiança que é são paulino. É verdade o que ele disse, e isso não quer dizer que esteja cravando o São Paulo rebaixado e nem torcendo por isso. O histórico dos últimos anos nos mostra claramente a sucessão de erros que precede a tragédia nos grandes clubes brasileiros que já foram rebaixados. E o São Paulo está, sim senhor, seguindo este manual macabro. Até hoje escapou do pior, e ainda é possível fazer alertas como esse para que nunca aconteça de fato. Mas negar que esteja acontecendo e se voltar contra o emissor da mensagem é outra conduta que certamente está lá no tal manual. É hora de admitir e de sair desse caminho o quanto antes.






Comando

Muito se fala sobre as opções para a presidência do São Paulo após o fim dá melancólica Era Leco. Nenhuma é muito empolgante, convenhamos. Eu defendo a ideia de uma presidência de futebol profissional independente da área social, mesmo sabendo que isso é pouco provável na prática. Se for para seguir no modelo atual de comando, eu diria que o São Paulo precisa olhar em volta, para os seus grandes rivais, e ver o que eles fizeram para dar as guinadas que deram em momentos em que estavam até muito mais em baixa do que o Tricolor está. E sabem o que eu enxergo? Presidentes que se importavam com o fato de o clube estar sendo motivo de deboche dos rivais, e entraram em cena para mudar esse quadro com pulso firme e colocando de lado questões menores nos bastidores dos seus clubes. Deu certo por lá. E aqui? Será que o São Paulo tem entre os seus presidenciáveis alguém com este perfil?


Rodrigo Braga. Tenho 40 anos, sou um paulista, paulistano e são-paulino radicado em Santa Catarina, onde há mais de 20 anos atuo como jornalista. Fui editor de esporte e participei de coberturas de Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos e outros eventos internacionais. Sou louco por futebol, mas, principalmente, sou louco pelo São Paulo Futebol Clube.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

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