#ColunaAT – O futebol brasileiro precisa repensar sua cultura, antes da técnica

Caros Tricolores, Tri-Campeões Mundiais. Que o Brasil já não é mais o principal exemplo de futebol no mundo, não é novidade. Apesar de ainda exportarmos muitos jogadores novos e habilidosos, e que fazem bastante sucesso lá fora, somos um país do futebol pobre culturalmente.

Existem inúmeros exemplos para provar isso, mas a partida entre São Paulo e Flamengo, jogada no Morumbi, neste domingo (05), é um exemplo perfeito para debatermos.






Deixando todo o clubismo possível de lado, é simplesmente intrigante a forma como o clube carioca praticou o anti-jogo que já conhecemos no Brasil. Pior do que isso, há uma conivência absurda por parte da arbitragem. Desta forma, não há VAR que resolva nossos problemas de erros de arbitragem ou lances duvidosos.

Os jogadores

É deprimente assistirmos a um jogo de futebol brasileiro após assistirmos a jogos dos grandes centros europeus (usarei estes como exemplo por serem os maiores centros, junto com o Brasil). A diferença cultural é enorme. E não é só por questões de civilidade local. Poxa, é evidente que, lá na Europa, eles praticam o futebol como esporte e entretenimento, enquanto no Brasil, o futebol é praticado apenas como esporte, mas de maneira cada vez mais incorreta: de forma a reduzir fãs do esporte.

É bem simples: pergunte para qualquer torcedor com mais de 35 anos de idade. Praticamente todas as respostas terão foco na palhaçada que o futebol brasileiro se tornou. Somos um centro de exportação de jogadores, tanto devido à questões financeiras, quanto à questões de qualidade de vida. Além disso, a mentalidade do jogador brasileiro leva uma surra da mentalidade dos que jogam na Europa. Aqui, faz-se de tudo para não perder, enquanto lá, faz-se de tudo para vencer.

Pode parecer bobagem, mas uma coisa difere da outra. Lá na Europa, joga-se para vencer a todo custo, sem retrancas, sem cai-cai, sem invenção de dores e/ou lesões. Aqui no Brasil (em especial na partida supracitada e representada na foto desta matéria) há uma enorme perda de tempo em jogo com jogadores fingindo cãibras, bateção de boca e tudo mais.

As políticas e arbitragem

Saindo um pouco das marteladas em cima dos jogadores, temos também a questão política e arbitragem. Na partida citada, a arbitragem de Ricardo Marques Ribeiro foi, no mínimo, conivente com agressões e falta de controle da partida. Enquanto vemos árbitros europeus mais acertarem do que errarem (mas também erram).

Cada vez mais vemos árbitros querendo aparecerem mais que jogadores e até mesmo mais do que a própria partida em si. Ao invés de apenas serem os intermediadores da organização comportamental e das regras do esporte, preferem ser o centro das atenções.

Já a questão política precisaria de uma coluna apenas para ela, para que você não perca horas nesta coluna (que já está maior do que eu pensava). Mas, resumindo, não se pode continuar achando que torcida única é uma solução viável para sanar os problemas de violência entre torcedores. Outro ponto fraco da nossa política do futebol brasileiro é a falta de organização. Deprime o fato de clubes precisarem boicotar a principal emissora de TV do país pelo fato de esta preferir dar mais dinheiro para “x” ou “y”.

O futebol brasileiro precisa de readequar culturalmente, antes de pensar tecnicamente. Sermos os donos do futebol raiz não é o que estamos fazendo hoje em dia. Isso vai muito além de termos aquele tiozinho com radinho na orelha lá na arquibancada, ou comemos lanche de pernil nos entornos do estádio.

Por Igor Martinez

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