#ColunaAT – São Paulo X Cruzeiro: Nascia um M1TO

A Coluna do Felipe é publicada às quintas-feiras pelo Felipe Morais e sempre trará detalhes sobre a rica história do Tricolor! Clique aqui e veja todas as edições da coluna.






Amigos tricolores

Quando tive a enorme felicidade de receber o convite para escrever nesse excelente portal, que eu aceitei na hora, uma das ideias era poder escrever um pouco da história do São Paulo. Nunca será fácil escrever sobre essa história em apenas um artigo, nem mesmo em um livro, pois o São Paulo tem uma lindíssima história que é construída dia após dia, mesmo que de uns anos para cá, muito se tem feito para destruir o nosso time, mas história, não se apaga, e pode vir qualquer presidente, ele jamais poderá apagar o que Leônidas, Canhoteiro, Roberto Dias, Gérson, Muller, Careca, Raí, Zetti, Telê Santana, Rogério Ceni, Muricy Ramalho, Lugano, entre tantas outras lendas fizeram pelo nosso tricolor.

O São Paulo teve muitos jogos memoráveis, que ao longo desse ano, contarei aqui. Alguns de vocês, deverão ter visto o que aqui postarei, esse com certeza o viram, mas outros, muito importantes, nem eu mesmo posso ter visto. Em 1987, nos sagramos campeões Brasileiros. O campeonato era de 1986, mas a final, foi em 1987. Eu, com 7 anos (faria 8 naquele ano), não me lembro do jogo, mas o vi, entretanto, em 1977 quando tivemos nosso primeiro título, eu nem era nascido (sou de Setembro/1979).

Vamos relembrar, na época em que o São Paulo era um time que impunha respeito e medo nos adversários, hoje, bem, todos sabemos o que acontece.

Goleiro vira M1TO

Para mim, verdadeiro ídolo aparece quando o time precisa. Podem achar ruim, mas para mim, por mais que tenha sido um bom jogador, está na história como grande artilheiro, Luis Fabiano não é ídolo. Foi, no momento em que vestiu a camisa, hoje, não mais, pois, tirando ser uns dos 5 maiores artilheiros do clube, o que ele conquistou? Mineiro, com seu jeito quieto e trabalhador, trouxe o Mundo. Luis Fabiano, foi expulso de uma das pouquíssimas finais que jogou.

Rogério Ceni, nesse jogo, foi tão magistral como em 2005, na Libertadores e contra o Liverpool. Naquele 20/08/2006, constatou porque foi um dos maiores goleiros da história do São Paulo e porque é, sem dúvida, o grande ídolo do time, o que mais conquistou títulos. A história de Rogério no São Paulo é inquestionável, o apelido M1TO, é uma homenagem àquele que melhor representou o São Paulo em campo.

O jogo da superação

Era um domingo, 16h, o São Paulo entrava em campo com a formação 3-5-2: Fabão, Alex Silva e Edcarlos; Souza, Mineiro, Josué, Danilo e Lúcio. Leandro Guerreiro e Aloísio. No banco, o ídolo Muricy, esse sim, eterno ídolo! Seria uma partida comum do Campeonato Brasileiro, mas havia um importante ponto: era o primeiro jogo do São Paulo depois de ter perdido a final da Libertadores daquele ano, na 4a feira anterior, para o Internacional-RS, um jogo, em que Rogério Ceni, cometeu uma enorme falha, mas que obviamente não pode ser o culpado pela derrota.

Abalados, mas em campo

Diante a uma perda de uma Libertadores, competição em que o São Paulo tem uma ligação especial,o tricolor entrou em campo abalado. Nada que fuja do normal. No mercado publicitário, onde atuo desde 2001, às vezes, fazemos uma concorrência, perdemos tempo, gastamos energia, nos dedicamos ao máximo e perdemos para outra agência. Isso mexe demais com o psicológico do time. E naquele jogo, o que era mais do que esperado, o São Paulo entrou em campo assim: desmotivado, triste e psicologicamente abalado.

Cruzeiro poderia ter goleado

Logo aos 7 minutos, o Cruzeiro foi ao ataque, bola cruzada do ala esquerdo Francismar, bate em Alex Silva, engana Rogério e o Cruzeiro abre o placar. Se o time já estava psicologicamente abalado, começar o jogo tomando um gol, não ia ajudar muito. Aos 34 minutos do primeiro tempo, o ala direito Michel fez o 2o gol. Um “balde de água fria”, como se diz no mundo do futebol para o tricolor, que impunha mais o jogo, mas não conseguia marcar. O Cruzeiro descia menos e era muito mais efetivo. O São Paulo batia cabeça, não era, nem de longe, aquele time que dias antes disputava uma final de Libertadores. Era preciso de algo para mexer com o time como um todo.

Wagner, meia do Cruzeiro, estava inspirado. Dos seus pés saíram os 2 gols. Depois de uma jogada individual, Josué, nitidamente um dos mais abalados em campo, fez pênalti no meia cruzeirense. Era a chance do 3o gol ainda no primeiro tempo! O Cruzeiro poderia ter feito o 3o gol, aberto uma excelente vantagem e talvez aplicar uma goleada histórica no time de Muricy. Pois é, poderia, mas o que ninguém contava, naquele jogo, era que o M1TO nasceria!

Por que Rogério é ídolo?

A resposta poderia ser: porque ele tem mais títulos que qualquer outro jogador da história, porque vestiu, brilhantemente a camisa do São Paulo por 25 anos, porque tem recordes atrás de recordes. De fato, isso tudo é verdade, mas para mim, ídolo é aquele que aparece quando o time precisa. Ele já havia feito isso em anos anteriores, mas naquele dia, ele mostrou porque é um grande ídolo do São Paulo. Pênalti para o Cruzeiro, Wagner, o nome do jogo e na época um dos melhores meias do futebol brasileiro, na cobrança. São Paulo abalado, craque do time na cobrança, na casa do adversário, torcida, na maioria azul na arquibancada. Cenário perfeito para a festa, mas não “combinaram” com Rogério que pegou o pênalti! O moral do time foi de zero a 100 em menos de 1 segundo!! E naquele momento, Rogério conseguiu não apenas recolocar o time no jogo, como tirar o moral do craque do time adversário.

O recorde batido

Rogério entrou, naquele jogo, um gol atrás de Chilavert, o folclórico goleiro Paraguaio, que com 63 gols na carreira era o maior goleiro artilheiro. Rogério, tinha, 62, porém, 3 minutos após ter calado o Mineirão, Rogério “aprontou” mais uma, em uma linda cobrança de falta, diminuiu o placar para 2X1, reforçando a mensagem “O São Paulo está no jogo”. O gol de falta fez com que Rogério empatasse em gols com Chilavert, mas essa não era a preocupação do M1TO, o foco era o jogo.

Técnico ganha jogo

No intervalo, Muricy “conversou” com os jogadores, usando uma linguagem única, o “Muricinês” onde palavrão é vírgula. O São Paulo voltou com a mesma formação, mas não com os mesmos jogadores. O psicológico mudou, o São Paulo voltava a ser o São Paulo. Cruzeiro recuou (o técnico celeste era Oswaldo de Oliveira, tem explicação para isso) e o tricolor com Leandro ameaçou no começo. Ceni cobrou outra falta, mas a bola passou por cima. Muricy, sentindo o momento, tirou Souza, que atuava na lateral e colocou Thiago Ribeiro, atacante. Era o recado: O São Paulo tinha se recuperado e ia partir para cima. Aos 14 minutos, o zagueiro Luizão fez pênalti em Aloisio. Ceni, na cobrança. Era o gol de número 64, agora, passando a frente de Chilavert e empatando o jogo. No fim do jogo, o São Paulo quase virou, mas Fábio fez boas defesas.

Empate com sabor de vitória

Frase bem batida no mundo do futebol, mas nesse dia, não há como negar que isso ocorreu. O São Paulo mudou de atitude em campo, mostrou porque era o 2o melhor time da América do Sul e nesse jogo se iniciou a campanha para o primeiro título nacional, que deu sequencia ao tri campeonato. O São Paulo, ali, mostrou a sua grandeza. Muricy, que voltava ao comando tricolor 10 anos depois do seu precoce começo – Muricy assumiria o São Paulo no lugar de Telê em 1998 e não em 1996, mas a doença do mestre antecipou as coisas – voltaria para ser campeão e o foi. E Rogério, ali, nascia o M1TO!


Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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