Da vitória no Majestoso à vice-liderança!

Espaço do Torcedor é a coluna quase que diária do Arquibancada Tricolor, que dá voz a todos os torcedores da arquibancada. Quer ver seu texto publicado aqui? Mande uma mensagem para nós!

Acho que já está em tempo da torcida, ou pelo menos a parte atualmente protestante, admitir que o clube – como um todo – está entregando o trabalho que tem que ser feito. Não, não esquecemos a eliminação para o Mirassol, mas como time grande que olha para frente já ultrapassamos e nos reerguemos do tropeço; prova disso? O São Paulo é atualmente o vice-líder do campeonato, e só para lembrar, retornamos aos jogos depois de grande maioria dos times já ter iniciado a competição. A diretoria  fez o que tinha para fazer com a saída do Pato tendo um elenco compacto, trouxe um novo atacante que está dando conta do recado o que não dá para negar.

Ontem com a entrada do Brenner, acreditei que seria para a saída do Luciano, não por uma baixa exibição, mas pelo fato de que em uma semana ele fez três jogos em alto nível sendo recém chagado, mas o mesmo vem demostrando vontade de jogar e permaneceu em campo nos noventa minutos. Falando em Brenner, o jovem atacante que já não vinha atuando a um bom tempo demostrou que é opção para o Diniz, já que Gonzalo Carneiro, ainda que tenha se apresentado bem, não marcou gol nas oportunidades que teve. Fica a torcida para o garoto Brenner manter o bom nível de apresentação quando solicitado, bom nível que ele já demostrou no São Paulo tempos atrás. O gol no final de jogo, em um clássico, dando a vitória para o time é, sem dúvida, motivo para ele manter a moral em alta e refletir isso em campo quando o Diniz chamá-lo.

Mas hoje não vou falar apenas dos acertos da diretoria, mas também do Diniz, que dia após dia sofre com certa parte da torcida e da mídia por não ter, ainda, um currículo campeão, como é pedido para um time grandioso como o São Paulo. Mais uma vez o “Dinizismo” funcionou, e não só nas estatísticas de posse de bola do jogo, foi claramente visto em campo um São Paulo trocando bem a bola, com velocidade, com tabelas, procurando espaço para avançar, e isso é mérito também dele, afinal ele sempre deixou claro e é conhecido por implantar esse estilo de jogo. Mesmo com a equipe desfalcada – que gerou certa desconfiança até para o torcedor aquilo sobre como o time se portaria – e contando com um elenco compacto, ele conseguiu acertar nas suas escolhas. Muito foi questionado durante a semana se Léo “Pelé” assumiria a lateral, já que o mesmo foi contratado como avançado extremo mas nos últimos tempos vinha treinando como lateral esquerdo, e que com o dedo de Diniz, também se descobriu com potencial para zagueiro, função essa que ele tem assumido nos últimos três jogos com segurança e eficiência. Para a lateral Diniz optou por um jogador que vem demostrando ser cada vez mais um “coringa”, assim como Souza era nos anos dourados do tricolor na década de dois mil. Liziero, que também já atuou como lateral direito e praticamente em todos os setores do meio de campo tanto ofensivo quanto defensivo, assumiu a oportunidade para continuar ganhando ritmo de jogo, ocasionado pela lesão que sofreu e que o impediu de dar sequência no bom futebol que já demostrou anteriormente, aos poucos o jogador está retornando aos jogos e sabe que hoje tem que aproveitar as oportunidades para jogar seja em que posição for.

Não dá também para não ressaltar a parte dos jogadores que foi importante na construção dessa vitória. Diniz escalou os seguintes jogadores para entrar em campo: Tiago Volpi, Léo e Diego Costa, Igor Vinícius, Liziero, Hernanes, Tchê tchê e Gabriel Sara, Paulinho, Luciano e Pablo. Já não é de hoje que esse elenco, que tem sim suas limitações, vem demostrando ao menos vontade não só de jogar, mas de ganhar. Gana essa que o São Paulo vem devendo demostrar a muitos anos. O coletivo, apesar de enxuto, está bem e em aparente sintonia, se hoje o São Paulo tem problemas, aparentemente não é com o grupo, e acredito que isso deve-se, além do trabalho do Diniz, a presença do Dani Alves e do Hernanes, jogadores campeões e que vestem com gosto essa camisa. Hoje no São Paulo não existe titular absoluto, seja veterano ou calouro, se quer entrar em campo tem que jogar, e esse comportamento da equipe é um dos fatores que os tem levado a colher os frutos, ressaltando: o São Paulo é atualmente o vice-líder do campeonato após ter vencido um clássico.

SOBRE O JOGO

Não foram só as estatísticas que demostraram a superioridade do tricolor, o bom futebol era também visível dentro de campo. O Corinthians contanto com seus atuais jogadores mais badalados como Araos, Avelar, Cantillo, Cássio, Gil e Jô teve clara dificuldade em impor seu ritmo de jogo, o time alvinegro apresentava dificuldades de criação no meio de campo, e contra um São Paulo atento, não conseguiu criar, na primeira etapa, um bom volume de lances ofensivos. O São Paulo, apesar de dominar o jogo conseguindo implantar seu modo de jogo –  Diniz optou pelo jogo ofensivo desde o início – também não criou muitas oportunidades, e a primeira etapa foi encerrada com duas finalizações do São Paulo contra apenas uma do Corinthians. Ambas as equipes foram para o vestiário com um gol cada uma, Hernanes após cobrança de falta surpreendeu o goleiro corintiano e abriu o placar para o time de casa, já o Corinthians conseguiu o empate após longo lançamento que encontrou Ramiro livre para marcar, apesar de Liziero não ter desistindo do lance e corrido até o final, a bola passou pelo Tiago e morreu no fundo da rede. O segundo tempo, apesar de não ter sido mais acelerado, apresentou um voluma maior ofensivo de ambas as equipes, com o São Paulo voltando ainda mais ofensivo, mostrando claramente desde o início da etapa final que buscaria a vitória.

Como dito anteriormente todos estavam em dúvidas com as escolhas do Diniz para as vagas da lateral e meio de campo e o mesmo optou na lateral esquerda pelo Liziero, quando achavam que o Léo assumiria a posição onde ocasionaria provavelmente a volta de um dos dois zagueiros, Bruno Alves ou Arboleda – que ainda permanece integrado a equipe mesmo após o novo episódio envolvendo o outro time da Barra-funda – entretanto Diniz manteve a dupla de zaga vencedora dos últimos jogos com Diego Costa e com o Léo como zagueiro – para mim acertadamente – e improvisou Liziero na lateral, jogador que na sua história pelo São Paulo tem se mostrado um jogador “coringa”. Entre Liziero e o Léo achei que foi um acerto a escolha do Diniz na decisão pelo posicionamento dos jogadores. No segundo tempo, pouco mais de dez minutos, Diniz deixou claro que buscaria a vitória, mesmo com os desfalques, jogando no Morumbi e até o momento o empate permanecendo no placar  ele opta por buscar a vitória colocando mais ofensividade no time com a entrada do Brenner, o time já vinha com a trinca de ataques formada por Paulinho, Luciano e Pablo e ganhou ainda mais um atacante. Ainda nesta alteração tivemos o saída do Gabriel Sara para o retorno de Igor Gomes, que ficou de fora um jogo, entrou no decorrer do jogo anterior contra o Athletico e que agora teria uma nova oportunidade de mostrar o futebol que lhe fez titular com o Diniz desde sua campanha no Paulista. As alterações tiveram o efeito positivo e o São Paulo foi em busca dos três pontos.

Com troca de passes rápidos e velocidade pode se ver um São Paulo procurando finalizar ao gol ainda que de fora da área e evitando, nas cobranças de faltas, efetuar cruzamentos, mas sim cobrar tiro direto a meta adversária. No segundo tempo houve uma confusão envolvendo o atacante corintiano Jô e o zagueiro tricolor Diego Costa, o atacante experiente claramente estava tentando intimidar o jovem zagueiro em início de carreira, mas o Diego Costa já não é mais estreante, ele já havia estreado no Morumbi jogo passado – apesar de uma exibição não muito boa – e que no jogo desse domingo estava mostrando mais confiança inclusive dando suporte ofensivo a equipe. Diego não deixou barato a situação com o Jô e o clima esquentou e chegou aos demais jogadores de ambas equipes também por se tratar de um clássico, o que acabou paralisando o jogo que até então não havia apresentado outras ocorrências desportivas. Foi audível o Jô claramente incomodado com o Diego Costa falando: “baixa a bola seu moleque de …. “, talvez pelo atacante corintiano não ter conseguido durante a partida vencer a defesa tricolor. Mais uma vez não da para falar da vitória sem mencionar o grande Tiago Volpi, onde na melhor chance da equipe do Corinthians no segundo tempo – que aconteceu num erro de passe do São Paulo no meio de campo – onde o time alvinegro conseguiu trabalhar a bola e chegar com Luan frente a frente com o goleiro tricolor. O atacante corintiano parece que hesitou ao ver a muralha tricolor e não conseguiu ultrapassa-lo. A defesa atenta do soberano paulista deu o suporte necessário no lance. Em seguida o goleiro e a defesa tricolor voltaram a apresentar eficiência não deixando Jô pegar o rebote em novo ataque corintiano. Já no final da partida Diniz fez a terceira substituição colocando o zagueiro Bruno Alves para dar maior suporte defensivo, parecia que o técnico já sabia que o São Paulo conquistaria a vitória, que veio já nos lances finais onde o garoto Brenner converteu converter o cruzamento que recebeu em uma bela cabeçada que fez Cássio ficar procurando a bola algum tempo – talvez ele esteja procurando até agora.

É isso meus amados amigos tricolores; o São Paulo com essa vitória importantíssima no clássico conseguiu assumir a vice-liderança, e com isso acredito que todos aqueles que de alguma forma criticam o trabalho feito – independente do setor, seja diretoria parte técnico ou jogadores – deveria rever a situação. O São Paulo antes da pandemia vinha fazendo uma boa companha tendo seu nome cotado para levantar o título Paulista, após a parada é nítido que o time caiu de produtividade e isso se tornou incontestável com a eliminação na competição, mas não dá para negar que o bom trabalho está retornando há aparecer, e que manter o técnico Fernando Diniz e a atual proposta da equipe pode sim vir a ser o necessário para a equipe soberana fazer um bom restante de temporada. A retomada da Libertadores está próxima, e manter os planos que nos fez golear a L.D.U. tem tudo para dar certo contra uma difícil equipe do River Plate e prosseguir na competição. Resta saber como o São Paulo irá se comportar com a disputa das duas competições com o elenco atual, se prosseguirmos de fase na Libertadores e continuarmos com a boa companha no nacional será difícil num futuro próximo a equipe não ter de optar por uma ou outra competição. E para vocês tricolores soberanos, se o São Paulo for priorizar uma das competições, qual deveria ser?

Estou particularmente feliz, e não só apenas como torcedor do time que venceu o clássico, mas também por poder falar dessa importante vitória na minha coluna de estreia para o Arquibancada Tricolor. Espero que isso seja um bom presságio do que vamos viver e presenciar do nosso amado tricolor!


Victor Maysonnave. Estudante de T.I. de forma empírica e escritor por hobby e profissão, sou apaixonado pelo mundo futebolístico como um todo. Técnico veterano de games estilo Manager’s procuro sempre ter uma visão micro e macro sobre o esporte, que fora Fórmula 1 e Surf é minha grande paixão.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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