Derrotas e derrotas

A TRIbuna do Braga é escrita pelo Rodrigo Braga em todas às sextas.

Perder é do jogo, faz parte. Mas perder da forma como o São Paulo tem perdido alguns jogos, merece reflexão. A derrota para o Fluminense em pleno Morumbi foi de amargar, e não só pelo resultado, um prejuízo difícil de recuperar na tabela. A forma como se construiu o resultado negativo, com extrema ineficiência, passinhos de lado improdutivos (não existe regra no futebol que troque 500 passes certos por um gol, viu), erros individuais e coletivos e, principalmente, absoluta falta de intensidade, preocupa.






Sim, o São Paulo está em construção… Já ouvimos isso há muito tempo, e a tal obra não acaba nunca. Oscilações de desempenho eram esperadas, e mesmo o histórico do trabalho do técnico Fernando Diniz apontava para um mix de atuações empolgantes e depressivas. Tudo isso a gente já sabia. Mas quando o copo meio vazio se materializa em forma de uma derrota em casa para um time que provavelmente brigará pra não cair até as rodadas finais (e o pior, uma derrota merecida, pois o time foi envolvido e não criou nada durante 90 minutos), dá um desânimo.

Ninguém jogou bem contra o Fluminense, mas ver no segundo tempo o tal “time ideal” em campo sem produzir nada, batendo cabeça, mostra que a tal construção ainda está bem longe de terminar. O problema é que o ano já está terminando, e é o que for produzido agora que vai determinar se o 2020 do São Paulo será uma repetição do filme de terror que foi o início de 2019. E, infelizmente, as perspectivas hoje não são nem um pouco animadoras.

Adeus, G-4…

A derrota inesperada e desastrosa em casa tirou o São Paulo do G-4 do Brasileirão, pois o Grêmio não vacilou ao enfrentar um desesperado CSA na sua Arena e venceu. O tropeço tornou quase impossível buscar o Santos na terceira posição e nos colocou abaixo do time gaúcho na tabela, o que, convenhamos, é mais condizente com o futebol jogado pelas duas equipes. Olhando a tabela, acho pouco provável que o Tricolor recupere a quarta colocação que dá vaga direta na Libertadores.

…Olá, G-5!

Então, para que não se repita o cenário caótico de jogo mais importante do ano logo em fevereiro, só nos resta torcer pelo Flamengo na final da Libertadores para que o Brasileirão tenha um G-5. Aí a briga passaria a ser com Inter e Corinthians (que também estão instáveis no campeonato) e ficaria menos complicado defender esta vaga direta nas rodadas finais.

Dani em dívida

Daniel Alves já pode ser cobrado. Já são quase 3 meses de tricolor, apenas o golzinho da estreia, atuações ainda confusas em busca da melhor posição e, especialmente na derrota para o Flu, foi decisivo ao fazer uma falta tola no lance do primeiro gol dos cariocas.
É óbvio que seria loucura pedir a cabeça do lateral, é óbvio que é preciso ter paciência e que o discurso dele é realista, ao afirmar que não é o salvador da pátria, mas pode colaborar para tirar o São Paulo desse espiral de seca de títulos e ansiedade extrema. Em um momento que todos precisam dar um algo a mais pelo time, é natural cobrar de quem pode dar um pouco mais do que os outros.

Tiro certo

É consenso que o São Paulo tem um ótimo elenco, e portanto não precisa (e nem deve) reconstruir o time em 2020. É hora de dar continuidade. Os poucos reforços que virão precisam repor eventuais perdas (vendas) no mesmo nível e agregar qualidade ao time titular. Chega de apostas.


Rodrigo Braga. Tenho 40 anos, sou um paulista, paulistano e são-paulino radicado em Santa Catarina, onde há mais de 20 anos atuo como jornalista. Fui editor de esporte e participei de coberturas de Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos e outros eventos internacionais. Sou louco por futebol, mas, principalmente, sou louco pelo São Paulo Futebol Clube.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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