E se o Telê estivesse vivo?

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Amigos tricolores.

Passa pela cabeça de vocês, uma coletiva de imprensa, com todos os veículos no CT do São Paulo, entra Telê e diz “Bem, o nosso objetivo é o G4…”. Pela minha não. Passa pela visão de vocês, ainda mais quem teve, como eu, a honra de viver os gloriosos anos do mestre no banco de reservas, ver Reinaldo tentando 10 cruzamentos por jogo, errando todos, e no treino do dia seguinte, ele estar dando risada com o pessoal? Alguém pode imaginar Pato não treinando 200 chutes por dia, depois do treinamento? Bem, para mim, também essa imagem, se Telê estivesse no banco reservas, é impossível!

Telê, o amante do futebol

Em 2006, o mundo perdeu o maior técnico de todos. Telê não fez bom trabalho apenas no São Paulo, aqui, ele fez a sua obra prima, mas ele mudou a cara do futebol, mostrou como poderia se jogar bonito, para frente e ganhando títulos. Hoje, Mano, Tite, Carille, Celso Roth teriam matado de desgosto o mestre, que odiava muitas coisas, entre elas, a retranca que a escola gaúcha de técnicos impõe. Ponto ao Renato Gaúcho, que está mudando isso, para o bem do futebol. Precisa vir técnicos de fora para aplicar o que Telê, desde 1970 pregou!

Telê, hoje é uma lembrança, mas se ele tivesse feito no Corinthians ou Flamengo o que fez no São Paulo, seria endeusado pela imprensa nojenta que permeia o jornalismo esportivo, salvo raras exceções. Em 2006, o Brasil não perdeu apenas o maior técnico do mundo, perdeu a referência do futebol arte e abriu espaço para o futebol retranca.

Telê era muito bravo

E com razão. Imagino o “menino Ney” nas mãos de Telê, daria dó do menino. Claro que as Redes Sociais iriam detonar o mestre, em prol da celebridade Ney, ele ficaria p da vida, mas não mudaria em nada a sua forma de pensar. Teimoso e dono de uma personalidade firme, Telê não mudaria seu jeito de pensar porque um mimado queria. Imagino a eterna promessa Robinho nas mãos de Telê, ou se comportava ou iria embora. Jogador derrubar o mestre? Sim, houve, e no São Paulo, mas na década de 70, hoje talvez conseguissem, afinal, Telê não faria parte de nenhuma panela. Com ele, jogadores papeleiros não teriam sucesso, ele queimava a semente antes da árvore de panelas nascer. Telê era assim! Bravo com quem ele exigia mais, ignorava aqueles que ele sabia que não poderiam render mais do que aquilo. Havia jogadores, em que Telê dizia “você, pega a bola e toca de lado…” era o recado para “você é ruim, deixa o craque jogar”.

Como seria Telê hoje?

O mestre dificilmente estaria na ativa. Seria um amante do futebol, assistiria do futebol turco ao alemão, do chinês ao japonês, do australiano ao americano. Iria ser um grande crítico do atual momento, daria parabéns a Alemanha pelos 7X1 e conseguiria provar o porque o Brasil mereceu aquele placar, que vamos lembrar, não foi maior porque o técnico alemão pediu para os jogadores segurarem, Telê, mandaria o time fazer mais, pois para ele, respeitar o adversário é jogar para frente e para fazer o máximo de gols possível. O mestre estaria com 88 anos, hoje, se estivesse bem de saúde, com certeza, estaria presente em algum programa da Globo como comentarista, tal qual, brilhantemente, Muricy está, e sem papas na língua detonaria o atual futebol marketeiro de celebridades que o futebol nacional virou!






#TelêEterno
#SaudadesdoMestre


Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Divulgação

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