São Paulo pode ter estreia de reforço em jogo do Brasileirão
Foto: Rubens Chiri/Saopaulofc.net

2021 foi um ano marcante na história do São Paulo Futebol Clube. Após um longo jejum sem títulos, com a torcida sendo provocada a todo instante por rivais que apontavam a escassez de glórias do clube, o Tricolor pôde, enfim, comemorar o levantamento de uma taça. É bem verdade que o Campeonato Paulista não é o torneio dos sonhos do são-paulino, mas, no contexto, foi a Copa do Mundo que a diretoria tanto almejou como válvula de escape para entorpecer a vaidade.

Em decorrência de o time não ter tido uma pré-temporada – haja vista a questão do calendário, que praticamente uniu a lamentável reta final do Brasileirão de 2020 com o estadual conquistado -, houve inúmeros problemas de baixas na equipe por lesões. O argentino Hernán Crespo, técnico até então festejado pela conquista regional, acabou sendo o fácil elo fraco das campanhas ruins vindouras: além da eliminação para o rival Palmeiras na Copa Libertadores, a queda para o Fortaleza na Copa do Brasil e o baixo rendimento no Brasileirão pesaram contra ele. Pois que o dia 13 de outubro, um dia antes de completar 8 meses no cargo, foi o último dele como técnico do Tricolor.

No mesmo dia, em uma negociação relâmpago, o técnico Rogério Ceni foi anunciado como novo treinador. Ídolo do Tricolor, mas com relacionamento estremecido após uma declaração polêmica dada à época de Flamengo, ele chegou sob olhares de desconfiança e com uma inglória missão: tirar o clube da iminente queda para a segunda divisão. A peleia foi cumprida, mas com suor e sangue; o São Paulo só escapou da degola na penúltima rodada. Antes disso, o próprio Ceni colocou em xeque a sua permanência, com indícios de que não ficaria em 2022.

Mas ficou. Em um clube desestruturado e quebrado financeiramente, a diretoria ofertou a ele o que era possível: contratações pontuais em oportunidades de mercado. Muito pouco diante da ascensão estrutural de potências tais como o Flamengo, o Galo e o Palmeiras, endinheirados e com plantel invejável. E Rogério dobrou a aposta ao aceitar seguir em tais circunstâncias, o que foi refletido em um péssimo início de temporada. Com duas derrotas fora de casa, para Guarani e Red Bull Bragantino, e um empate sem gols no Morumbi, parte da torcida clamava por sua demissão. A gota d´água seria o confronto contra o Santo André, em casa. Era um tudo ou nada para o treinador.

O São Paulo venceu aquela partida com um gol no último minuto. Pode-se dizer que o tento anotado por Marquinhos salvou o emprego do chefe. Foram sete jogos consecutivos sem derrota – sendo parado apenas pelo Palmeiras, em jogo parelho. A partir dali, paulatinamente, Ceni foi conferindo personalidade ao time, que ganhou cancha, ficou cascudo; a torcida abraçou a ideia, esqueceu as mágoas da declaração fatídica e apoiou a realidade do Tricolor, culminando em uma decisão de Paulistão – a segunda consecutiva. O resultado final decepcionou, mas dali em diante a alma da equipe já não era a mesma. Ali já era o São Paulo de Rogério Ceni.

Pode-se atribuir todo tipo de defeito a Rogério. Mas ele devolveu ao clube uma gana copeira e conferiu competitividade em um elenco desacreditado. A classificação em cima do rival alviverde, em pleno Allianz Parque, foi apenas uma demonstração do quão valoroso é o trabalho de um profissional dedicado e que conhece, como poucos, o clube em que trabalha. O potencial de crença no time é tamanho que alguns já falam até que está a dever no Brasileirão – esquecendo-se de que era a outrora “quinta força” do estado. Vivo nas três competições que disputa, manejando ótimos jogos, mesmo com a equipe em frangalhos fisicamente e desfalcada, fica o questionamento: e se Ceni caísse contra o Santo André? Aos ansiosos, apressados e imediatistas, é dado o direito de resposta, proporcional a um possível agravo realístico.

O maior título do São Paulo, em 2022, é a prorrogação de contrato com Rogério Ceni. Os frutos serão no futuro colhidos; o que vier além disso desta temporada é apenas lucro.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.