Memórias de um Tricolor – Dois por um

Memórias de um Tricolor é a coluna do Thiago Francisco, sempre publicada às quartas-feira. Muitas memórias passarão por este espaço!

Esse período de férias no futebol é um dos mais complicados, pois as especulações e os boatos sobre negociações infestam as notícias a cada dia.

Houve uma época em que era só chegar o mês de dezembro que as certezas eram: o Natal e que o São Paulo estava negociando com o Nilmar.

Outro ponto complicado é a falta de jogos do Tricolor, porém essa abstinência está chegando ao fim e neste sabadão tem São Paulo no Pacaembu! Eu estarei lá, no Tobogã, apoiando sempre e pedindo calma aos mais afoitos. É apenas o começo do projeto, o time não vai sair voando da noite pro dia, o bicampeão mundial começou a tomar corpo em 1990, o campeão mundial e tri-brasileiro começou depois do meio do ano em 2003, com a dupla Rojas e Milton Cruz formando uma base e depois com o Cuca dando um plano de jogo. Então vamos ter paciência e confiar no Raí, relaxem o cara não consegue ficar muito tempo sem ganhar titulo, ele é vencedor por natureza.

Mas deixemos de conversa e vamos direto a coluna: como disse no inicio é muito ruim ficar muito tempo sem ver o Tricolor jogar, logo o ano de 1994 foi ótimo para mim, porém péssimo para o mestre Telê.

O São Paulo fez quase cem jogos naquele ano, era praticamente jogo dia sim, dia não, digo praticamente devido ao fato que teve um episódio em que o São Paulo jogou duas vezes no mesmo dia, deixando nosso eterno treinador furioso (o que não era difícil…).

Telê Santana com certeza foi o cara mais profissional que eu já vi na história do futebol, ele brigava por um calendário decente desde muito antes de isso ser pauta no nosso país, brigava por gramados de qualidade muito antes de existir essa moda de padrão FIFA, ou seja, era um cara no mínimo uns vinte anos à frente do seu tempo.

O jogo aconteceu em um dia de semana à noite, o Morumbi estava vazio, era difícil acompanhar o São Paulo quase todo dia, o primeiro jogo foi às 20 horas, São Paulo enfrentou o Sporting Crystal do Peru com o famoso Expressinho, pela Copa Conmebol, comandado até então pelo jovem Muricy Ramalho e que tinha no gol um garoto chamado Rogério, que às vezes era criticado por jogar um pouquinho adiantado e inclusive tomou um gol nesse jogo por estar adiantado.

O segundo jogo foi às 22 horas contra o Grêmio, pelo Brasileirão, esse jogo com o time titular. Por coincidências do destino, os dois jogos terminaram com o placar de 3 a 1 para o Tricolor. Era difícil ganhar daquele time, tínhamos ótimos jogadores, porém um se destacou muito naquele dia, um garoto ainda, chamado Juninho.

Para os mais novos que não sabem de quem eu estou falando, vocês devem conhecê-lo pelo apelido de Juninho Paulista, mas não é bem desse que eu estou falando, em minha opinião existiram dois “Juninhos”: o Juninho que jogou no São Paulo e o Juninho Paulista, vítima de uma das maiores covardias já cometidas no mundo do futebol, uma entrada criminosa de Michel Salgado às vésperas da Copa do Mundo de 98.

Juninho Paulista foi um excelente jogador, foi pentacampeão do Mundo em 2002, mas o Juninho do São Paulo era genial, um jogador quase completo, batia falta, dava assistência e era rápido feito um foguete, e ao contrário do que costumamos encontrar no futebol, que é aquele cara que quando corre, não pensa, Juninho era diferente, ele corria e pensava, ora armava no meio campo, ora era um ponta veloz, não por acaso dos seis gols que foram marcados nesse dia, Juninho fez um, deu três assistências e ainda iniciou a jogada do último gol da noite.

Para vermos a ironia do futebol, estamos falando de um jogador que jogou duas partidas em uma noite e duas carreiras no mesmo jogador.

Thiago Francisco

Thiago Francisco. Sou da Zona Leste de São Paulo e professor de história desde 2014, tenho 34 anos, frequento a arquibancada amarela do Morumbi, sempre atrás da bandeira do escanteio do lado da azul, não acredito em superstição, mas quando eu não tô lá naquele lugar sempre algo dá errado…






*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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