Memórias de um Tricolor – O Morumbi Te Mata

Memórias de um Tricolor é a coluna do Thiago Francisco, sempre publicada às quartas-feira. Muitas memórias passarão por este espaço!

A coluna de hoje será sobre o maior jogo que eu já assisti ao vivo dentro do estádio do Morumbi, que por incrível que pareça, não era uma final, mas sim um jogo de oitavas de final de Libertadores.

O ano era 2004, fazia dez anos que não jogávamos uma Libertadores, eu não tinha conseguido ir ainda a nenhum jogo, eram tempos difíceis, a gente não conseguia ingressos pela internet. Para ver um jogo do São Paulo naquela Libertadores era necessário praticamente dormir na fila do Morumbi, você comprava ingresso na bilheteria, somente no dinheiro e ainda tinha que estar com os cotovelos em dia, pois ainda tinha aquela galera espertinha que se acha dona do São Paulo e por isso se sentem no direito de furar a fila.

Pois bem, depois de muita guerra, ingresso na mão e lá fui eu ver o Tricolor na Libertadores. O jogo não seria fácil, pois perdemos o jogo de ida por um a zero na Argentina, mas o São Paulo teria o Morumbi como sua arma secreta.

Neste ano além de trazer um técnico novo, Cuca, o Tricolor também trouxe um pacotão de reforços, alguns que deram muito certo no futuro, alguns nem tanto… Nosso ataque era formado por Luís Fabiano grande conhecido nosso e Vélber, companheiro de Robgol em uma grande campanha do Paysandu. O São Paulo nesse século tem uma mania muito grande de contratar uns pontas que correm muito, iludem o torcedor nos dois primeiros jogos e depois te fazem passar raiva o resto do ano, com Vélber não foi diferente.

Até aquele jogo, eu não sabia da disposição do Cuca de passar fortes emoções, precisávamos ganhar por dois gols de diferença, porém logo no inicio do jogo, um outro “reforço” chamados Marquinhos, ídolo no Avaí, entregou a paçoca, um a zero para os caras. Naquela época, Marquinhos disputava posição com o também recém-contratado Danilo, confesso que nenhum dos dois tinha caído ainda nas graças da torcida, mas acho que o Marquinhos depois dessa entregada nunca mais jogou no tricolor, pelo menos eu não me recordo ou apaguei o trauma da memória.






Nosso técnico não esperou acabar nem o primeiro tempo, aos trinta da etapa inicial, Cuca tirou o volante Alexandre e colocou o cara que seria um dos nomes do jogo, também um dos contratados do ano, Grafite, entrou no jogo e para a história do Tricolor. Mas ainda tinha muito sofrimento, Danilo que ainda não era o Zidanilo, caiu na área e o juiz marcou pênalti! Luís Fabiano esse já conhecido pela torcida (a torcida naquela época gritava o nome dele até em arremesso lateral) colocou a bola embaixo do braço e foi cobrar, porém o Fabuloso nunca foi lá um grande cobrador de pênalti, nesse dia não foi diferente, correu pra bola e perdeu, parecia que nada ia dar certo aquele dia, mas como eu disse, Grafite estava em campo… E no último lance do primeiro tempo, ele de cabeça empatou o jogo. No intervalo o time nem desceu para os vestiários e os jogadores ficaram em campo sentindo o clima do jogo.

Deu certo, acho que no início do segundo tempo, não sei dizer ao certo, pois não dava pra ter noção do tempo aquele dia, Grafite fez um gol daqueles que só sai em Libertadores, ninguém entendeu direito mas tanto faz, viramos o jogo, martelamos mais um pouco, mas não teve jeito… Hora dos pênaltis!

O primeiro pênalti bateu outro contratado no ano, Cicinho correu para a bola e desperdiçou, os caras vieram batendo todos bem, nem com as pequenas adiantadas de Rogério Ceni davam jeito, argentino batendo pênalti chega a ser irritante. Aí veio ele de novo, Luís Fabiano na bola, se perdesse praticamente estaríamos fora, o torcedor no estádio via com um olho só, acho que ninguém tinha coragem de olhar, Fabuloso correu para a bola, bateu, o goleiro chegou a tocar na bola, mas dessa vez não! Mas tinha um porém, o goleiro dos caras ia bater o ultimo pênalti, e todo mundo sabe que goleiro quando se presta a bater pênalti entre os cinco da disputa é porque bate muito bem, essa é a regra. E como toda regra tem sua exceção, o goleiro dos caras bateu ridiculamente, meio prensado no chão, o Mito encaixou a bola, a esperança estava de volta, logo em seguida, Gabriel fez o dele e o Mito apareceu novamente, dessa vez com uma defesa daquelas que nos acostumamos a ver! Passamos de fase, foi o dia que eu vi pessoalmente o Morumbi mais feliz na minha vida.

Hoje começa de novo, São Paulo estréia também contra um Argentino, e espero que seja mais tranquila nossa classificação, meu coração não é o mesmo de quinze anos atrás.


Thiago Francisco. Sou da Zona Leste de São Paulo e professor de história desde 2014, tenho 34 anos, frequento a arquibancada amarela do Morumbi, sempre atrás da bandeira do escanteio do lado da azul, não acredito em superstição, mas quando eu não tô lá naquele lugar sempre algo dá errado…

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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