#ColunaAT – A cultura do futebol brasileiro respira por aparelhos

Caros Tricolores, Tri-Campeões Mundiais. Há pouco tempo atrás, escrevi uma coluna falando sobre o fato de o Brasil precisar repensar sua cultura, antes de focar apenas na parte técnica. (Acesse ela neste link)

Pois bem, ela foi escrita há exatos 7 dias. Pra variar, o torcedor brasileiro se supera e, nem sempre, precisa de bastante tempo pra isso. Ontem (12) tivemos o privilégio de testemunhar outro exemplo de falta de maturidade e inconsequência.

Santos e Vasco se enfrentaram no Pacaembu pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro, jogo em que o alvinegro paulista venceu por 3 a 0. No primeiro gol santista, marcado por Diego Pituca, o Vasco tentou sair jogando, recuando a bola para Sidão. O ex-goleiro do São Paulo saiu jogando errado e deu a bola de presente ao adversário, que apenas precisou encobrir Sidão e marcar um belo gol.

A jogada causou um frisson na torcida são-paulina, que não poupou o ex-goleiro. Até aí, tudo bem, faz parte e também é o lado saudável da “zoeira”. Pena que o limite foi ultrapassado. O que é chamado de “zoeira” passou a poder ser chamado facilmente de bullying.

Como a TV Globo estava transmitindo a partida, houve a votação do “Craque do Jogo”. Uma interatividade com o público para que se eleja o melhor jogador da partida. Como a maturidade do torcedor brasileiro é algo ímpar e fácil de se notar (ironia), lhe pergunto: Adivinha quem ganhou o prêmio?

Bingo! Sidão foi eleito o melhor do jogo pelos internautas. E há quem culpe a emissora por isso! Muitos argumentam que a Globo deveria ter se virado e mudado o esquema, ou não entregue o prêmio. Vamos lá: 1- é um absurdo uma emissora ter que se virar pra driblar a falta de maturidade de marmanjões com seus 30, 40 anos (pois com certeza houve “adultos” votando); 2- a emissora precisou seguir o protocolo da interatividade e, na minha opinião, fez certo em cumpri-lo, pra mostrar a todos a bobagem que fizeram.

Claro, a repórter acabou pagando o pato junto com Sidão, mas ambos entendem o profissionalismo de cada lado. Porém, tanto a repórter quanto Sidão caíram no choro ao desligar da câmera, cada um com seus motivos.

A repórter por ter sido parte de uma barbárie da falta de cultura do torcedor brasileiro, e o goleiro Sidão por passar por uma humilhação em um dia das mães, quando ele carregava o nome da falecida mãe e já não pôde sequer homenageá-la propriamente e, como se não bastasse, ela viu o filho (seja onde ela estiver), passar por algo assim.

Eu, Igor Barros Martinez, criador de conteúdo do Arquibancada Tricolor, me solidarizo com Sidão, a repórter, e cada torcedor que se arrependeu do que fez pois, acima de tudo, houveram as pessoas que se arrependeram do que fizeram e, ao menos, tiveram caráter pra fazer isso.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site.

Foto: Reprodução / TV Globo






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