O atual medíocre São Paulo precisa refletir sobre o futuro

Após colecionar mais um vexame com a desclassificação logo na fase de grupos da Copa Libertadores, está na hora de o São Paulo começar a se planejar para 2021, tendo como ponto inicial a situação crítica que nos encontramos atualmente: dívida próxima do bilhão e OITO anos sem um mísero título.

O lado bom é que estamos próximos do fim da tenebrosa “gestão” do presidente Leco. Resta ao próximo mandatário (que na minha opinião, deveria ser Julio Casares) ter essa percepção: ou a gente se reergue nessa gestão, ou podemos ver o São Paulo relegado a um espaço menor no futebol brasileiro. Pode parecer exagero, mas exemplos não faltam: Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Fluminense e até outros em situação já mais grave nos mostram que é possível sim jogar pela janela uma história vencedora.

Quero me ater nessa coluna ao Departamento de Futebol, razão da existência do São Paulo. Inclusive, se temos quase 20 milhões de torcedores e um faturamento de aproximadamente R$ 600 milhões anuais, se somos uma marca relevante, devemos isso ao futebol, e não ao biribol, sauna, bocha… Parece óbvio, mas não para quem comanda o clube.

Começar do zero

O futebol foi um enorme fracasso não apenas nesta gestão, mas desde o fatídico terceiro mandato de Juvenal Juvêncio, com um breve respirar em 2014, porém, sem conquistas.

Com isso, a nova gestão tem uma oportunidade: fazer uma limpa, mudar, renovar e se desfazer do que está errado.

O ideal seria uma limpeza total na diretoria e na comissão técnica por pura e simples falta de resultados: Raí, Pássaro, Lugano, Chapecó e todos que lá estiverem em cargos de gestão devem ser demitidos. Fernando Diniz, seus auxiliares, preparadores de goleiro e analistas de desempenho também.

Jogadores

No elenco, faz-se necessária uma limpa também, já que temos líderes que não lideram e atletas com altos salários que não dão retorno. Eles podem ser boas vendas e ótimas moedas de troca: Tiago Volpi, Juanfran, Dani Alves, Reinaldo, Arboleda, Liziero, Shaylon, Vitor Bueno, Hernanes, Helinho, Pablo e Carnero.

Com a saída desses 12, a folha de pagamento teria um grande alívio e podemos nos concentrar em trazer cerca de 7 ou 8 entre atletas experientes (que joguem) e boas revelações de outros times, como fez o Vasco com o Cano e como nós mesmos fizemos em diversas ocasiões. Gente que esteja com fome de vencer, de crescer na carreira e de fazer história. Os experientes precisam ter qualidade e saber liderar, já que temos e teremos ainda mais talentos vindos de Cotia. Com liderança de verdade, boa gestão, qualidade e comprometimento dos demais, os moleques vão render muito.

Técnico, diretor e executivo

Muitos têm falado em Rogério Ceni para treinador e Muricy Ramalho como diretor de futebol, mas discordo. Precisamos parar de queimar ídolos e também evitar erros recentes, como os retornos de Lugano, Hernanes e Pato, além do sempre pedido Calleri e por aí vai.

Muricy e Rogério são ídolos, o momento será de enorme expectativa e cobrança. O M1to certamente será contratado por um dos grandes do Brasil e o Muricy está na fase mais tranquila e saudável da carreira como comentarista. Seria péssimo ver ambos sendo xingados e criticados, como hoje o Raí é, e justamente.

Meu diretor de futebol seria o Emerson Leão (que prima por disciplina, respeito ao clube onde trabalha e por jamais ter baixado a cabeça pra ninguém, inclusive jogadores, além de trabalhar muito bem com jovens), que atuaria junto a um executivo (do mercado, com formação técnica) e para treinador, duas opções: Marcelo Gallardo (River Plate) ou Miguel Ángel Ramírez (Independiente del Valle).

Com um treinador realmente bom, uma diretoria firme, competente e atuante, um elenco renovado e muito bem escolhido, tudo isso feito dentro de nossas possibilidades financeiras (PAGANDO RIGOROSAMENTE EM DIA), temos todas as chances de voltar a ser o São Paulo Futebol Clube e não esse negócio que temos visto em campo.


Por Anderson Dias

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

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