O São Paulo jogou seu “Tiago Nunes” no lixo. E duas vezes.

Dois tempos é a coluna semanal do Mário Pravato, publicada normalmente às quartas. São dois assuntos diferentes e às vezes pode acontecer uma prorrogação e até mesmo uma disputa por pênaltis! Clique aqui e veja todas as edições da coluna.

Tiago Nunes tem 39 anos de idade e até dezembro do ano passado era desconhecido por 98% dos brasileiros.

Desde então foram 4 títulos pelo Athletico, incluindo a Copa Sulamericana 2018 e a Copa do Brasil deste ano.

Tirando a Sulamericana de 2012, o São Paulo não sabe o que é um título desde 2008, com o Tri-Hexa e o Tricolor desde então parou no tempo.

Trabalho à longo prazo?

As gestões que administram o São Paulo desde o histórico Tri-Hexa pararam no tempo. Não entenderam as mudanças que o futebol brasileiro e mundial tiveram e seguem acreditando que somente a estrutura do clube trará títulos.

Nossa diretoria trouxe neste período, treinadores de capacitade questionável, como Émerson Leão, que depois de 2005 nunca mais obteve sucesso, além de outros nomes, como Doriva, Ricardo Gomes, Adílson Batista e por aí vai.

Não existe trabalho à longo prazo. Não existe definição por um padrão tático e não existe calma, tudo é feito com pressa, imaginando-se que títulos serão ganhos da noite para o dia, com um futebol vagabundo e preguiçoso.

Oportunidades perdidas

Exceto por algumas temporadas esporádicas, como 2014, 2016 e 2018, o São Paulo virou um time comum, de meio de tabela, que se amedronta nos clássicos fora de casa e cada vez vence menos clássicos em casa.

Imagina se Osório não tivesse sido enganado em 2015, pela diretoria nefasta de Carlos Miguel Aidar. Teríamos sido campeões de algo sim, e o time teria um padrão tático ofensivo e não estaríamos com 38 gols em 41 jogos na temporada, uma vergonha!

Os “Tiagos” jogados no lixo

Rogério Ceni e André Jardine eram as nossas esperanças de trabalho à longo prazo, além de um padrão tático e técnico. Ambos foram enganados pelo Sr. Leco e chutados pelo clube. Ganhamos algo depois disso? Não. Depois de Rogério, já tivemos 7 treinadores, com apenas Aguirre tendo um certo destaque e também sendo queimado.

Rogério chegou sem experiência, isso JAMAIS poderia ter acontecido. Rogério deveria ter sido jogado para Cotia, para treinar alguma equipe da base, passar por uma Copa São Paulo para quem sabe assumir o time profissional.

Todos sabem que Ceni foi usado como peça política. Todos sabiam que ele não tinha experiência, logo, deveria ter sido blindado pela diretoria e mantido até mesmo se o clube fosse para a Série B, fato já merecedor há muitos anos.

Com Jardine foi a mesma história. Aguirre foi queimado, a batata quente foi jogada no colo de Jardine, obrigado a levar o time para a desnecessária Florida Cup, onde Hernanes foi estourado de vez para o restante da temporada.

Jardine então caiu junto com o time na Pré-Libertadores e o que temos desde então? Apenas ilusões e contratações. Não era a hora de também blindar o treinador que ganhou tudo na base?






Não existe solução à curto prazo

Escrevi tudo isso para chegar aqui e dizer isso: não existe solução a curto prazo. Leco somente deixará a presidência no final de 2020.

O próximo presidente pegará a terra arrasada e duvido que fará algo melhor, já que deverá fazer parte do mesmo grupo político que comanda o Tricolor há anos.

Junto com eles, ainda teremos os mesmos conselheiros retrógrados, que pararam no tempo e que acham que ainda estamos nas décadas de 40 e 50. Conselheiros que estão no clube por conta de seu sobrenome e que nada entendem de futebol ou de gestão, estão lá apenas para sugar e cobrar por coisas absurdas.

Este é o São Paulo de 2019, e que pelo visto se repetirá por 2020, 2021 e por aí vai, talvez até cair para a Série B.

Um time midiático, mas com pouco futebol.

Viva Tiago Nunes e que novos técnicos surjam no Brasil, para não termos mais que aguentar os retranqueiros Felipão, Abel Braga, Cuca e Fábio Carille.


Mário Pravato Junior

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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