Obrigado, Seu Telê!

A Coluna do Felipe é publicada às quintas-feiras pelo Felipe Morais e sempre trará detalhes sobre a rica história do Tricolor! Clique aqui e veja todas as edições da coluna.

Amigos tricolores.

Na semana passada, nós, torcedores prestamos uma linda homenagem ao grande mestre Telê Santana. Do céu ele sentiu o carinho dos mais de 22 milhões de torcedores que reverenciam a sua passagem pelo tricolor. Seguindo uma frase que ele sempre dizia: “atingir a perfeição é impossível. Mas aproximar-se cada vez mais dela, não”, pode-se afirmar que sobre o seu comando, o São Paulo chegou muito perto de um time perfeito.

Não é qualquer time que ganha por 4 gols de Barcelona e Real Madrid em suas casas. Não é qualquer time que coloca Barcelona e Milan na roda em uma final de mundial. Não é qualquer time que goleia o Palmeiras em uma final de Paulista e uma semana depois ganha um mundial. Não é qualquer time que participa de 3 finais de Libertadores consecutivas, ganhando 2.

O São Paulo da era Telê, foi um dos times mais mágicos do futebol mundial. No Brasil, tivemos o Santos de Pelé e depois o São Paulo de Telê. Academia do Palmeiras, ou o ataque de 100 gols, Democracia Corinthiana ou o time de Parreira foram fora de série, mas não chegaram nem perto do São Paulo de Telê.

O time tinha uma mescla de muito sucesso.

O São Paulo, na maioria das vezes, se deu bem com jogadores no final de carreira, mas que ainda tinha “muita lenha para queimar”, com isso, trouxe um jogador genial chamado Toninho Cerezo, com quem Telê já tinha trabalhado na espetacular seleção de 82, e na brilhante seleção de 86. Ainda contávamos com Raí e Zetti. Muller, para o elenco era o grande craque daquele time. Eu acho que ele dividia essa responsabilidade com Raí.

Em 1993, Valber assume a titularidade, outro genial jogador, titular do mundial de 1993. Deu uma aula ao Baresi, o melhor líbero do mundo, como se jogava. Se tivesse a cabeça no lugar, seria ele, o melhor líbero do mundo! E ainda tivemos, esse época Leonardo, no lugar do genial Raí.

Acima da média

Aquele time ainda contava com ogadores acima da média, técnicos e de muita qualidade no campo: Adilson, Palhinha e Cafú. Eram jogadores que cumpriam muito bem seu papel tático, mas que tinham qualidade para oferecer ao time. Cafú com sua velocidade, Palhinha com seu toque refinado e Adilson com sua classe na defesa. Juninho Paulista era outro que, no São Paulo era um excepcional jogador, foi ser um craque de bola, mais maduro em outros times, assim como o lateral André Luiz. Outro acima da média. Tivemos ainda Antonio Carlos na decisão da Libertadores, 1992, um excelente jogador, assim como na final da Libertadores de 1993, o zagueiro Gilmar.

Raça!

A mescla vinha também com os jogadores de muita raça. Vitor, na lateral direita tinha muita velocidade, força física e na defesa dava o sangue. Ronaldão, que em 1992, jogou muito, era outro que sabia das suas limitações, mas a sua vontade era maior do que elas. Ronaldo Luiz, nosso Santo, que salvava gols debaixo da linha, era outro, muito esforçado, não era um craque. Pintado, o “guerreiro” como é chamado pelos ex-jogadores até hoje, ao lado de Dinho e Doriva era raça pura. Só pudemos ver algo igual, anos depois com Diego Lugano.

Mão do técnico

Telê fez esse time jogar da forma que todos eram importantes. Seja o craque Raí fazendo o gol, Ronaldão não deixando nada passar, Pintado colocando o coração na ponta da chuteira e contagiando o time todo, Ronaldo Luiz tirando a bola em cima da linha ou Cerezo ditando o ritmo do time. Telê fez uma mescla que nunca mais se viu igual, tudo deu certo, mas não foi ao acaso, Telê trabalhava muito, acordava as 6h da manhã, assistia futebol de todos os times, países e campeonatos. Era um estudioso e para a sorte do mundo, um teimoso, pois nunca abriu mão de fazer seu time jogar bonito em prol de um resultado. Nunca se viu o time de Telê fazer 1X0 e se fechar na defesa, como a escola gaúcha promove com Tite, Mano, Carille, Felipão e Celso Roth sempre foram a favor. E com isso, mataram tudo o que Telê fez pelo São Paulo.

14 anos…

Perdemos uma lenda do futebol. Apenas assim que podemos chamar o grande mestre. Não o considero o melhor técnico da história do futebol nacional, mas sim do futebol mundial. Quis o destino que ele nunca tivesse ganho uma Copa do Mundo, mesmo com a seleção dos sonhos nas mãos em 1982 e com um timáço em 1986, mas o destino quis que ele fizesse sua obra prima no nosso São Paulo, como seu último trabalho, para coroar a quem tanto entendeu de futebol e nos deu orgulho de ver nossos jogadores em campo, que entravam para ganhar, que jogavam sério, que eram vencedores. Hoje é um bando de tatuado, cabelo de 200 cores, chuteira colorida, foto no Instagram, comerciais de TV, mas em campo mesmo, nenhum dos “craques” de hoje jogaria no time do mestre!

O livro!

Bem, como muitos sabem eu escrevi um livro sobre o mestre no São Paulo. O livro é um produto oficial do São Paulo. Eu só tenho a agradecer ao mestre por ter me escolhido para a missão. Quando comecei a escrever, em 2011, ele já havia partido, mas de alguma forma, me escolheu. Obrigado mestre!


Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: São Paulo FC

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