Giuliano Bertolucci - Foto: topsoccerblog.com
Giuliano Bertolucci - Foto: topsoccerblog.com

Foi noticiado essa semana em vários canais e perfis, que o atacante Brenner mudou a equipe de agentes que cuida de sua carreira profissional, sendo agenciado por empresa de Giuliano Bertolucci.

Como postado por Daniel Perrone em seu blog, a Elenko Sports Ltda. de Fernando Garcia deu lugar à Bertolucci Sports, que além de ser o principal escritório do Brasil na representação de jogadores, foi responsável por grandes transferências recentes no futebol e também são parceiros de negócios de Kia Joorabchian.

Até aí, nada de muito novo no que já acompanhamos e sabemos do dia a dia do futebol, porém, quando voltamos no tempo e resgatamos na memória, lembramos de alguns casos específicos envolvendo o São Paulo e Bertolucci.

O caso Oscar

Oscar no São Paulo em 2009 – Foto: saopaulofc.net

Em 2010, o meia Oscar se desvinculou do São Paulo, alegando que havia sido coagido a assinar um contrato quando era menor de idade. Ainda justificou atraso parcial no pagamento de salários e FGTS. Na sequência, assinou contrato com o Internacional. Atribuiu-se na época a Bertolucci, agente de Oscar, a influência para o litígio com o clube.

O jogador foi revelado nas categorias de base do Tricolor, que investiu em sua formação profissional e pessoal, como faz com vários atletas, e chegou a ser comparado com o ídolo Kaká.

Em 2012, teve o contrato revalidado com o São Paulo por decisão da justiça, e foi impedido de entrar em campo com a camisa do Internacional por mais de um mês. O clube gaúcho viu-se obrigado a negociar uma compra, pagando a multa rescisória, avaliada em R$ 15 milhões.

Casemiro, Diogo, Henrique e outros também quase saíram

Welington, Henrique e Oscar – Foto: GE.Com

Ainda em 2010, o volante Casemiro (hoje no Real Madrid), revelou que recebeu uma oferta de R$1,5 milhão de seu agente, Giuliano Bertolucci, para fazer o mesmo que Oscar: Entrar em litígio com o São Paulo e romper seu contrato. O atleta decidiu romper com o agente e permanecer no São Paulo.

O lateral Diogo, revelação da base Tricolor, também agenciado por Bertolucci, decidiu seguir o mesmo caminho de Oscar, mas com o tempo, caiu no ostracismo.

Pouco tempo mais tarde, o atacante Henrique (artilheiro e Bola de Ouro do Mundial Sub-20 em 2011), chegou a dar entrevistas informando que não pretendia seguir os casos de Oscar e Diogo, apesar de ter o mesmo agente.

Mesmo com o histórico, Bertolucci voltou ao SPFC

Na época, o São Paulo entrou em guerra e rompeu com o agente, mas em 2014, após a saída de Juvenal Juvencio, Bertolucci passou a se reaproximar do clube e dominava o agenciamento das principais revelações da base do clube (Lucas Piazon, Lucão e Boschillia, estavam entre os nomes).

Há pouco tempo, o empresário participou das negociações de transferências de David Neres, Lyanco e Luiz Araújo, de acordo com matéria da Gazeta Esportiva, de 2017.

Atualmente, de acordo com o site Transfermarkt, o zagueiro Walce, também é agenciado pela Bertolucci Sports.

Quão seguro o SPFC está em relação a um novo “caso Oscar”?

O cenário preocupa, pois Cotia é um dos principais ativos do São Paulo e vem salvando os cofres prejudicados por tantas dívidas acumuladas. O quão seguro é ter assim tão próximo, alguém que já prejudicou o clube no passado?

Em 2016, entrevistamos Luiz Cunha, que era o Diretor de Futebol do São Paulo e ele comentou sobre como funcionava a base do São Paulo na atuação com olheiros e empresários. Nesse trecho, ele explica como o clube trabalhava esses setores.

Especialmente no trecho abaixo, Luiz Cunha afirmou na época, que de todos os jogadores trabalhando em Cotia (sem exceção), o São Paulo possuía no mínimo, 80% dos direitos, reveja:

Com o tempo e alegando ingerência do presidente Leco (ouça aqui), o diretor Luiz pediu demissão do São Paulo e parece que de lá pra cá, muita coisa mudou no que se refere à conduta de gestão dos atletas da base.

As dívidas não podem fazer o São Paulo perder o controle na base

Entendo a situação financeira caótica do São Paulo, gerada por péssimas gestões ao longo dos anos e agravada ainda mais pela situação de pandemia, que dificulta negociações de patrocínio, captação de bilheteria e outros recursos, porém, é preciso atenção aqui.

O clube não pode se sujeitar a contratos que beneficiam empresários ou que possam prejudicar sua participação nos direitos de contratos de jovens que são preparados pelo clube com grandes investimentos por anos.

Olho aberto, diretoria! Não deixem um novo “caso Oscar” acontecer mais uma vez!

Ou como diria minha mãe, “Não deixe o lobo cuidar das ovelhas”!

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site