Pato. A eterna promessa

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Amigos tricolores

Eu fui um dos defensores da vinda de Alexandre Pato ao São Paulo nas duas vezes que isso ocorreu. Achava ele um jogador diferenciado. Não craque, afinal eu vi Muller, Rai, Careca, Romário, Zidane, Kaká, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Zico, Messi, Cristiano Ronaldo jogarem, logo, não posso colocar Pato no mesmo patamar dos acima citados.

Mas hoje, defendo a linha de que Pato não quer mais jogar bola! Se fosse um cara focado em campo, talvez pudesse ser a realidade que todos esperavam, quando ele surgiu aos 17 anos no Internacional de Porto Alegre. Era um atacante rápido, inteligente e frio. Era um matador e com enormes chances de ser protagonista nos times por onde passaria e, claro, na seleção brasileira. Fernando Diniz tinha razão ao dizer que Pato poderia ter disputado 4 Copas do Mundo, eu concordo, 2010, 2014 e 2018 ele tinha espaço, mas claro, isso se todo o seu potencial tivesse sido colocado em campo, o que não ocorreu.

O tempo passou e ele se mostrou a eterna promessa, aquele jogador que todos os anos pensávamos: “esse ano ele vai arrebentar”, chegava perto de Outubro e a esperança já era para o próximo ano, mas, infelizmente esse ano nunca chegou, e quem perde com isso, é o futebol brasileiro, cada dia mais carente de bons jogadores, haja vista que nosso grande craque aparece mais em sites de fofoca do que de esportes.

O gol perdido

Não se pode crucificar um jogador por um gol perdido. Não se pode jogar a carreira de um jogador fora por causa de um gol, nem que ele perca o pênalti na final de uma Copa do Mundo, entretanto contra o Corinthians foi algo além do gol perdido, ou dos 2 pontos a mais que esse gol nos daria, com a vitória, que nos colocaria em 1o lugar do grupo. Gols todos perdem, mas acredito que a simbologia do lance mostre algo muito maior.

O lance mostrou o retrato do Pato de sempre, um jogador desligado em campo, com enorme displicência, como se ele estivesse ali fazendo um favor ao São Paulo de jogar bola. Nem de longe comparo o talento de Pato a falta de talento do Reinaldo, mas se Pato fosse ligado no jogo como Reinaldo é, ele seria o artilheiro do campeonato e o São Paulo poderia estar com pelo menos 15 pontos, versus os 9 que estamos após o jogo contra o Corinthians. Naquele lance se viu, toda a esperança no jogador indo pelo ralo. Pato não vai mudar, não adianta fazer juras de amor no Instagram e em campo ficar pensando, como se diz no interior, na morte da bezerra.

Se liga Pato!

Pato é desligado, quando a bola chega, até o cérebro dele entrar no jogo, o zagueiro já tomou a bola. Ele tem um toque diferenciado, é um jogador muito inteligente, mas não usa essa inteligência para o São Paulo. Creio, que mesmo ele saindo do tricolor, e indo para qualquer outro time, será igual. Pato não quer mais jogar bola, ele quer é entrar em campo, ser visto, ficar famoso, se encher de tatuagens e lembrar que está com a vida garantida na família Abravanel.

Recisão amigável

O São Paulo poderia rescindir amigavelmente o contrato com o atacante, até para preservar a imagem de torcedor do São Paulo. Ele ainda tem mercado nos países Europeus. Não tem mercado em grandes times da Europa como Milan, Manchester, Barcelona, Real Madrid, Chelsea ou Bayer de Munique, mas em um Betis, Torino, Schalke, Tottenham, Newcastle, Sampdoria ele teria chances, ou em países asiáticos como Turquia ou Japão, porque não os Emirados Árabes. Ele tem mercado ainda nesses países e ganhando muito mais do que os 700 mil que o São Paulo lhe paga mensalmente.

Ele pode ser boa pessoa, ama o São Paulo, deve ser um cara de grupo, mas mesmo assim, como fica no grupo um cara como o Reinaldo, que ganha menos da metade do Pato e corre 10 vezes mais? Isso mina o grupo, o técnico começa a proteger para fazer moral com a torcida e no fim do dia, ninguém ganha nada com isso. Muito menos, o São Paulo e sua grande seca de títulos!


Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site






Foto: Rummens

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