Por que paramos de render tanto?

O São Paulo começou o ano de 2018, nós torcedores ainda estávamos apreensivos em relação aos objetivos do time, tendo em vista o desempenho apresentado em 2017. Certamente, foi um dos piores anos do São Paulo em toda sua história, não sendo o pior porque ainda reagimos bem na reta final do Brasileiro e quase beliscamos uma vaga na pré-Libertadores.

Dorival Júnior era nosso treinador, acompanhado de perto pelo seu filho, Lucas Silvestre. Ambos formavam uma comissão técnica que focava muito na questão comportamental dos jogadores, tanto em campo, como nos vestiários e etc. Este fator, talvez, explique o motivo de termos tido poucos desfalques em jogos tanto no ano passado, quanto no início deste ano, sob o comando de Dorival Júnior.






É neste ponto que quero fazer esta análise: os desfalques. Desde a segunda quinzena de Março, o São Paulo é comandado pelo uruguaio Diego Aguirre. O treinador foi uma indicação (bem-sucedida) do nosso ídolo, Diego Lugano. Aguirre chegou e mudou o São Paulo da água pro vinho, e com poucos reforços. Ou seja, conseguiu trabalhar e gerar resultados com, basicamente, as mesmas peças de Dorival Júnior.

Há quem diga que Aguirre mexeu no brio dos jogadores, tornando-os mais “brigões” pela posse de bola e com fome de vencer, como também há quem diga que Aguirre mexeu no esquema tático e demais quesitos que remetem ao desempenho técnico do time, afinal, ele fez Nenê e Diego Souza renderem como nunca.

Começamos o Brasileirão com uma vitória, diante do Paraná e, depois, empatamos seguidamente diversas vezes, o que fez a torcida começar a duvidar de Diego Aguirre. Nas rodadas seguintes, o São Paulo conseguiu algumas vitórias convincentes antes da parada para a Copa do Mundo na Russia, uma delas, inclusive, sendo a primeira na Arena da Baixada, contra o Atlético-PR. Muitos torcedores brincavam e pediam o cancelamento da Copa do Mundo, para que o Brasileiro seguisse, com medo de a boa fase ser interrompida.

No entanto, fomos todos surpreendidos. O São Paulo voltou da parada com um desempenho absurdo. Somado à sequência difícil na tabela, este desempenho fez até jornalistas ficarem incrédulos. O reinício foi contra o Flamengo, em pleno Maracanã, seguido de Corinthians, Grêmio e Cruzeiro, sendo o nosso rival o único a vir jogar no Morumbi, com os outros sendo jogos fora de casa. Destes 12 pontos disputados, o São Paulo coletou incríveis 9 pontos, vencendo todos os jogos menos o Grêmio, em que fomos derrotados.

O resultado desta fase incrível? A liderança do Campeonato Brasileiro. desde que assumimos a liderança, só ficamos fora dela em uma rodada, onde o Inter nos tomou o primeiro lugar por um gol a mais de saldo, o que foi revertido na rodada seguinte. Hoje, seguimos líderes após um empate frustrante em casa, diante do América-MG.

Colhendo os últimos jogos mais este, gostaria de propor um pensamento sobre o time de Diego Aguirre: logo no retorno da parada para a Copa do Mundo, o São Paulo esbanjou eficiência em jogadas de contra-ataque, ou seja, joga fechada na defesa (e se defende muito bem, por sinal), contra-atacando o adversário de forma mortal. Foi assim contra Flamengo, Corinthians e Cruzeiro. Curiosamente, contra o Grêmio, não fomos assim e perdemos.

Há uma outra análise a se fazer: o São Paulo parece jogar melhor e de forma mais objetiva contra equipes mais fortes, sofrendo contra os “pequenos”. O que isto me leva a crer? Que o São Paulo só funciona contra equipes incisivas, que buscam resultado, ao invés de se fecharem e dependerem de uma bola para vencer. É aí que estamos pecando. Não conseguimos impor nosso jogo de forma ofensiva, tendo um DNA de equipe que joga única e exclusivamente no contra-ataque. É impressionante o número de bolas cruzadas das laterais para o centro da área do adversário, de várias formas, tanto pelo alto quanto por bolas rasteiras.

Das duas, uma: ou realmente somos dependentes deste estilo de jogo, ou já começamos a ficar manjados pelos adversários. Se for a primeira opção, temos um problema que sofremos no jogo diante do América-MG: não tínhamos Éverton e Rojas. Somos muito dependentes desses dois jogadores, já que atuamos em 80% dos ataques, lateralmente. Se for a segunda opção, um alerta ainda pior, podemos não ser campeões assim, por não termos flexibilidade e versatilidade.

Por fim, minha última análise se faz em cima da primeira opção citada no parágrafo anterior: dependência de um único estilo de jogo ou de certos jogadores. A torcida vem desanimando lentamente da equipe a cada jogo que passa, já que paramos de vencer com frequência ou, quando vencemos, é no sufoco. Acredito ter uma resposta para isso: desfalques. De uns tempos pra cá, quase nunca conseguimos jogar com o time completo. Sempre temos um dos zagueiros suspensos, um dos volantes, um dos ou até mesmo os dois laterais, os pontas, e assim vai. O pior de tudo é que, na maioria dos casos, as suspensões se dão por conta de cartões amarelos bobos, por reclamação! Quando os jogadores vão aprender a ficarem de boca fechada? Por mais difícil que seja suportar as peripécias armadas pela nossa arbitragem hoje em dia, os jogadores são atletas profissionais, bem pagos e que têm estrutura invejável de trabalho em todos os aspectos, inclusive com acompanhamento psicológico e assessoria. E olha que nem falei dos lesionados, pois estes não têm “culpa”.

Então, fica aqui meu pedido a Diego Aguirre e aos jogadores: Vocês são os líderes do campeonato, são os exemplos a serem seguidos. Vamos parar de reclamar cm a arbitragem e levar cartões amarelos de graça. Parece que não, mas isto está nos prejudicando mais do que aparenta.

Por Igor Martinez

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