Por que precisamos falar sobre homofobia no futebol?

No último domingo (28), foi celebrado o Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersexuais), em referência à Revolta de Stonewall, que marcou as reivindicações pelo fim da violência policial contra LGBTIs, em Nova York, em 1969. Nesta edição, mais de 50 anos depois, em diversos lugares no mundo, incluindo no Brasil, as comemorações aconteceram em ambiente virtual, por conta da pandemia do coronavírus.

Como forma de apoio à causa, clubes brasileiros de futebol se manifestaram por meio de suas redes sociais.

Um longo caminho

As postagens compartilhadas pelos times indicam um avanço, ainda que de maneira tímida, no combate à homofobia no futebol, uma vez que não é difícil deparar-se com cânticos e atos homofóbicos nos estádios pelo país. A homofobia, mascarada em músicas, costuma ser acompanhada de argumentos como: “é assim que se torce” ou “isso é futebol raiz” e revela o longo caminho que precisa ser percorrido em busca de uma sociedade sem discriminações.

Estatísticas

Dados divulgados pela entidade GGB (Grupo Gay da Bahia) revelam que, em 2018, 420 pessoas LGBT+ morreram no Brasil. Os dados são monitorados a partir de notícias divulgadas pela imprensa.

Mortes de Pessoas LGBT+ em 2018
Dados estatísticos

Justiça

É importante lembrar que, em junho de 2019, o STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu criminalizar a homofobia e a transfobia, enquadrando tais ações discriminatórias na Lei de Racismo (7716/89), que prevê pena de reclusão de um a três anos, nos casos mais graves pode chegar a cinco anos.

Tal medida refletiu na paralisação da partida entre Vasco e São Paulo, válida pela 16ª rodada do Brasileirão 2019, no estádio São Januário, no Rio de Janeiro. Aos 19 minutos do segundo tempo, o árbitro Anderson Daronco interrompeu a disputa após ouvir um cântico que dizia “time de viado” vindo de torcedores vascaínos.

Mesmo que de maneira pouco expressiva, a decisão abriu espaço para a discussão dessa pauta no ambiente futebolístico. Vale lembrar que não podemos esquecer da forte associação existente entre futebol e machismo, visto que, infelizmente, o espaço ainda é tratado como um lugar para “machos”.

A discussão não pode parar

Dessa forma, a discussão sobre homofobia precisa estar atrelada às questões de gênero e deve ocupar todos os setores da sociedade, incluindo o futebol. Para avançarmos em questões sociais, os clubes precisam criar medidas que acolham o público LGBTI, fazendo com que sintam-se seguros ao manifestar sua paixão pelo time do coração.


Giovanna D´Ark. Tenho 22 anos, sou formada em Jornalismo e apaixonada pelo São Paulo. Gosto de ler e escrever e, claro, estar no Morumbi para acompanhar o tricolor em todos os momentos.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: São Paulo FC

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