Pra que 3 volantes?

A Coluna do Felipe é publicada às quintas-feiras pelo Felipe Morais e sempre trará detalhes sobre a rica história do Tricolor! Clique aqui e veja todas as edições da coluna.

Amigos tricolores.

Estava complicado ver o time do São Paulo jogar com 3 volantes. Concordo que Hernanes e Tchê-Tchê tem boa saída de jogo, sendo assim, Hudson ou Luan ficariam como “volante raiz” protegendo a defesa, entretanto, em na sua essência Hernanes e Tchê-Tchê são muito mais marcadores e menos armadores. O São Paulo tem no banco Vitor Bueno, Nenê (ainda) e Igor Gomes para a função, sendo que até Pato pode exercer esse papel. Será que Cuca insistirá, nessa retomada do campeonato, em manter 3 volantes em campo. Igor vinha bem nas finais do Paulista com Mancini. O que houve?

Como Cuca quer um futebol leve e rápido, no São Paulo, sem uma pessoa que faça essa bola correr? Não basta colocar a culpa do mal futebol, apenas porque no seu sistema jogo, precisa de um camisa 9 de origem, que hoje, para o Cuca não tem, mas para o Brasil tem: Pablo! Na minha visão, do jeito que ele está armando do time, pode colocar o Luiz Soares ali, sem a bola chegar, nem ele resolve.

A “Escola Gaúcha” do futebol está impregnando no futebol brasileiro. O 7X1, infelizmente foi apenas o reflexo de tudo o que o futebol nacional deixou de mostrar e infelizmente, é também, um reflexo do que o futebol é hoje. Lembramos do 7X1, mas não podemos esquecer dos 3X0 no jogo seguinte…

Nosso craque, camisa 10, esperança de títulos é o Neymarketing. Já foi um craque, hoje é só um mimado que entra em campo e chora quando as coisas não saem como quer, um legítimo filho do Robinho, jogador que foi o percursor de toda essa leva de “jogadores mimimi”. Valeu eterna promessa! Isso é um passo para o futebol estar como está, somando a estilo gaúcho de ser. Que me perdoem o povo lindo do Rio Grande do Sul, mas eles entendem que estou falando de Celso Roth, Felipão, Tite, Mano Menezes, e claro, do paulista Carille, filho de Tite e Mano.

Cuca entrando nessa?

Eu sempre achei o Cuca um treinador diferenciado. Apoio, mas o apoio não o inibe de críticas. Uma coisa seria, eu aqui, começar a pedir a cabeça do técnico, como, em muitos grupos de WhatsApp e Facebook, estão fazendo. O técnico arma o time, com as peças que tem, é responsável pela derrota, empate e vitórias, tanto quanto os jogadores. Não é culpa dele quando um jogador erra na defesa ou perde um gol feito no ataque, mas é sua missão treinar e aprimorar. “Não é possível chegar a perfeição, mas é possível se aproximar dela” já dizia o grande mestre Telê Santana.

Cuca precisa rever o São Paulo e seus pensamentos para com o time. Concordo que ele está prejudicado porque Hernanes ainda não voltou ao seu melhor, sendo esse titular absoluto, porque Pato ainda está um pouco abaixo do que esperamos ou porque Pablo está há tempos lesionado. Mesmo que ele pense em Pablo pelos lados do campo, esse foi contratado para ser o camisa 9. Mas Cucaé culpado porque a bola não chega ao ataque, quando com 3 meias no banco, ele opta por 3 volantes. Esse esquema é para Celso Roth. Cuca, você pode mais que isso!!!

A bola não chega, com isso, Antony e Toró, que jogam pelas pontas, precisam voltar para pegar a bola, mas quando chegam no ataque, não tem muito o que fazer, simplesmente, porque as opções que eles deveriam ter para dar sequencia rápida ao ataque, são eles mesmos!!! Confuso? Muito! Mas é assim que Cuca vê o São Paulo.






Na várzea, não se joga assim!

Assim como eu, muitos de vocês, leitores, devem ter jogado – ou jogam – futebol de forma amadora. Por mais que eu tenha jogado pelo meu clube e pela faculdade, eu sempre fui amador, um bom meia, mas amador. Teria, facilmente, espaço em qualquer time brasileiro hoje, não porque eu era um Raí ou Zico, mas porque o futebol hoje está nivelado bem por baixo. Basta ver o time de Itaquera como joga e consegue títulos. Eles são a grande representação do que é o futebol hoje.

Quando jogamos na várzea, ou mesmo naquelas quadras que alugamos com o pessoal do trabalho, faculdade ou amigos e vamos armar o time, parece, que qualquer um de nós arma o time melhor que esses técnicos medalhões. Não menosprezando, mas no futebol amador fica claro: defesa é defesa, meio é meio, e ataque é ataque. A defesa não passa do meio de campo, o meio tem a função de destruir a jogada adversária e armar e o ataque fazer gol. O ataque marca na frente, dificulta a vida da zaga adversária. Quando a bola passa do meio, o ataque só precisa ficar ligado para quando for recuperada, ela chegue rápido e ai é com eles, em direção ao gol. Engraçado como no futebol amador ninguém gosta de tocar a bola para trás, já no profissional é o que mais fazem.

No futebol profissional, não!

Antony cobre Hudson/Igor na lateral, Toró cobre Reinaldo. Pato cobre Luan e quando o time recupera a bola, com os bons zagueiros Arboleda e Bruno Alves, o que eles fazem? Tocam para o Volpi, que segura, abre com o lateral, pois os atacantes estão correndo 20 metros para sair da defesa e armar o ataque, mas parece que os técnicos esquecem, que ao mesmo tempo que os atacantes correm, os defensores adversários também. Ai, perde-se o tempo, perde-se o inusitado e volta ao mesmo futebol burocrático de toques de lado, passes curtos, dribles desnecessários e o aprofundamento da jogada, o “agredir o adversário” como Muricy prega, não ocorre.

Ah Sr. Telê…

Eu não consigo ver o futebol de hoje e não lembrar o que eu via na época do Telê e tudo o que ele pregava, algo que hoje, morreu no futebol moderno. Não vemos mais jogadas trabalhadas, não vemos mais um meia clássico, talvez, Ganso seja o último dos “camisa 10 raiz”.  Não vamos mais um drible em direção ao gol, chutes de fora da área, que nem na várzea vemos. Pois é meus amigos, o futebol está perdendo sua essência, sua graça, está mecânico, burocrático, “gauchês” que impregnou e não sai mais. Triste dizer, mas Celso Roth era um visionário!


Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

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