Jardine
Foto: Rummens

A coluna Raça Tricolor é publicada aos sábados e escrita pelo Gustavo Torquato, e conterá muita paixão sobre o Tricolor Paulista. Confira o índice da coluna aqui.

Amigo tricolor, você que acompanha a Copa São Paulo de Futebol Jr. ou assistiu a pelo menos um jogo do time de garotos do São Paulo já deve ter percebido um estilo, um padrão próprio de jogar futebol que não começou recentemente em Cotia. Pode parecer estranho, mas a base tricolor deve ensinar bastante coisa ao time profissional do São Paulo, quando a ordem natural deveria ser outra, os profissionais ensinando aos iniciantes.

Ainda quando André Jardine era técnico da base tricolor, um modelo de futebol vistoso e ofensivo foi implantado nos times que representavam o São Paulo nas categorias sub-17, sub-20 e mais recentemente no campeonato de aspirantes ou sub-23. Ganhando ou perdendo, para quem gosta de um futebol bem jogado, esses moleques sempre deram aula. Na atual edição da copinha, ainda que sem nomes importantes no grupo, cedidos a seleção sub-20 para disputa do Sulamericano da categoria, como Igor Gomes, Walce, Toró e Luan, o time são-paulino é a equipe que apresenta o melhor futebol da competição. E o motivo é bem claro, o padrão de jogo adquirido por essa equipe ao longo dos anos. Esse time poderá vir a ser campeão ou não, mas a maior lição os meninos já ensinaram.

Controle de jogo, posse de bola, saída de bola qualificada pelo passe, jogadas ofensivas e precisamente bem construídas, esses são alguns fatores que enchem os olhos de qualquer amante de futebol quando se depara com uma equipe unicamente preocupada em jogar com a bola no pé, o tempo todo, a obsessão pelo domínio do jogo é tão evidente que os adversários já entram preparados para oferecer a bola ao São Paulo e aproveitar os erros cometidos pelo preciosismo das jogadas desses garotos. É um futebol que prima pela estética das jogadas, ilustrado pelos próprios gols marcados pela molecada. Porém, tenho uma crítica ao excesso de preciosismo dos lances. Muitas vezes o simples pode ser mais eficiente do que qualquer jogada de efeito.

E o São Paulo profissional está preparado para jogar dessa forma? Existe tempo para que Jardine ao menos esboce um time com essas características? E o mais importante, existem peças no elenco para fazer funcionar esse tipo de jogo?

Nos primeiros jogos da temporada contra Ajax e Frankfurt, percebemos um ensaio do que pode ser o modelo de jogo de Jardine, muito parecido ao que foi e ainda é desenvolvido na base. Uma das primeiras orientações é a saída de bola através da troca de passes, ou seja, sair para o jogo sem rifar a bola, começando pelo goleiro. Tiago Volpi se atrapalhou nesse fundamento contra o Frankfurt e o time sofreu um gol de pênalti. Normal em início de trabalho, quando os jogadores ainda tentam assimilar o comando de jogo do treinador!

Algumas coisas não deram certo logo de cara nos primeiros testes de Jardine com o atual elenco. Se o que vimos na Flórida for mesmo um esboço dessa nova cara tricolor, ele precisará mudar suas peças para que o seu “método” tenha efeitos dentro de campo. A dupla de zagueiros que começou jogando junto aos prováveis titulares não parece ser a melhor escolha para um estilo de jogo que prima pelo toque na saída de jogo. Bruno Alves seria uma melhor opção ao lado de Arboleda? Cabe ao técnico fazer com que sua dupla escolhida exerça aquilo que ele pensa para uma defesa não apenas sólida e resistente, mas principalmente participativa em seu modelo de jogo.

No meio campo, a dupla de volantes titular não parece ter condições de cumprir com a proposta de transição de bola ao ataque, que seja rápida, combativa e acima de tudo precisa no passe. Será que Jardine terá peito para apostar em Liziero e Luan juntos, assim como foi na vitoriosa passagem pela base ou cuidará em manter Hudson e transformá-lo no volante que pisa na área adversária, mesmo não tendo características para finalização e arranque ofensivo? Além de Jucilei que pelo seu estilo de jogo não consegue imprimir velocidade a saída para o ataque, será mantido no time titular ou abrirá espaço para um volante com mais mobilidade?

Algumas respostas já podem ter sido dadas lá nos Estados Unidos, na pré-temporada, resta saber se Jardine será rápido nas soluções para os problemas do São Paulo, principalmente a tempo de montar um time consistente na defesa e no ataque para enfrentar o Talleres no dia 6 de fevereiro. Insistirá em utilizar esses jogadores em tarefas que não parecem confortáveis ao estilo de jogo deles ou mudará radicalmente sua forma de atuar, ou ainda fará com que seu modelo funcione, mas com as peças corretas?

O São Paulo estreia hoje no Campeonato Paulista, sem Hernanes e com Nenê de titular, acompanhado pelo provável meio-campo com Hudson e Jucilei. Se dará certo só o tempo dirá, mas de uma coisa todos nós temos certeza, Jardine precisará imprimir sua cara ao estilo de jogo do São Paulo e principalmente fazer as escolhas certas, independente de quais sejam elas, no menor tempo possível!

A temporada já começou!! Abraços e até breve!!

Gustavo Torquatto

Gustavo Torquato. Advogado, fanático por futebol e são-paulino desde sempre. Minha relação com futebol começou nos primeiros meses de vida, quando meu pai, radialista esportivo, me presenteou com a camisa do São Paulo Futebol Clube. Um objeto guardado com amor e saudosismo e que sobrevive há 26 anos, assim como meu amor pelo Tricolor.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens