Raça Tricolor – O São Paulo é uma bomba-relógio prestes a explodir!

A coluna Raça Tricolor é publicada aos sábados e escrita pelo Gustavo Torquato, e conterá muita paixão sobre o Tricolor Paulista. Confira o índice da coluna aqui.

Suponhamos que André Jardine seja demitido antes de quarta-feira e você seja contratado para assumir o cargo de técnico do São Paulo. Sua missão é classificar o time para a próxima fase da libertadores, do contrário será demitido logo após o jogo.

O que você faria para vencer por pelo menos três gols de diferença e garantir o São Paulo na terceira fase da liberta?






Parece maluquice tal proposta, mas nada pode ser mais maluco do que o momento vivido pelo São Paulo. A situação do clube é dificílima e as chances de eliminação já na pré-libertadores são grandes. Porém, você torcedor recebe a incumbência de preparar este time para o desafio do próximo dia 13. Quais mudanças faria?

Naturalmente muitos de vocês sacariam de cara do time Jucilei, Bruno Peres e Reinaldo. Mas lembre-se que Hudson está suspenso, Liziero machucado, Igor Vinicius sequer foi inscrito para esta fase. No elenco você encontrará jogadores sem a menor vontade de correr ou lutar pelo resultado. Sem a menor vontade de representar em campo o São Paulo Futebol Clube. Para o ataque você tem opções como Antony, Helinho e Carneiro. Para o meio você tem como opção o Araruna e o William Farias, além do retorno de Luan. Você não pode mais inscrever ou substituir qualquer jogador da lista preparada por Jardine para as fases prévias da competição. E aí amigo tricolor, você assumiria o compromisso ou pularia fora dessa?

Essa brincadeira é para que vocês testem a capacidade de resiliência e principalmente perguntem a si próprios se ainda há saída. Existem razões para acreditar na classificação, mas elas não parecem fáceis de encontrar.

Você que acorda cedo todos os dias para ir ao trabalho, para estudar, para procurar um emprego, tem seus motivos para lutar pelos objetivos diários. O sustento de sua casa, sua família, seu futuro, tudo isso é motivação para fazer algo. O comodismo é um dos piores venenos na vida de qualquer ser humano. Não é diferente para os profissionais do futebol. Você pode ser a pessoa mais talentosa do mundo, mas sem esforço não chega a lugar algum. Agora pense novamente na proposta do início do texto. O que te motivaria a aceitar ou recusar o convite? Você ainda acredita na classificação do São Paulo, realmente acha que é possível vencer por três ou mais gols de diferença ou considera que a eliminação já foi concretizada?

Na minha opinião um dos maiores erros de Jardine foi ter medo. Medo de perder o elenco ao desagradar jogadores mais experientes do grupo, medo de arriscar ao impor suas ideias logo de início e optar por jogadores que sejam mais parecidos ao seu perfil de futebol. Medo de cobrar de seus escolhidos mais postura e firmeza dentro de campo. E o pior de tudo, medo de perder seu emprego já no começo do ano. Agora não existe mais alternativa, de tanto que fugiu de suas características para bancar um grupo de jogadores que sequer corre ou briga por cada jogada, o técnico se depara com a obrigação de ser mais ousado e corajoso em suas decisões. Para isso ele terá que recorrer aos jovens que lhe trouxeram o cargo de técnico são-paulino e barrar do time titular todos aqueles que ajudaram a cavar o buraco em que está prestes a cair.

Diante do inevitável não há medo que resista. Jardine lutou pelo seu emprego até esse momento, abdicou de testar, insistiu nos mesmos erros com medo de mudar e continuar errando e demonstrar insegurança, perdeu porque fugiu de suas raízes, renegou o tempo inteiro as suas ideais, mas agora não dá mais. O tempo joga contra, os jogadores jogam contra e a diretoria está preparada para finalizar o que o elenco já se encarregou de providenciar. A demissão é questão de tempo ou melhor é questão de eliminação já na quarta-feira.

Em quem confiar diante do caos? O que fazer diante de um cenário que é absolutamente desfavorável? Não adianta mais esperar, o medo já corroeu praticamente todo o trabalho. É necessário reiniciar o jogo, reconfigurar a máquina e trocar as peças. O São Paulo é uma bomba-relógio prestes a explodir.


Gustavo Torquato. Advogado, fanático por futebol e são-paulino desde sempre. Minha relação com futebol começou nos primeiros meses de vida, quando meu pai, radialista esportivo, me presenteou com a camisa do São Paulo Futebol Clube. Um objeto guardado com amor e saudosismo e que sobrevive há 26 anos, assim como meu amor pelo Tricolor.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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