Raça Tricolor – Salvem o Tricolor Paulista!

A coluna Raça Tricolor é publicada aos sábados e escrita pelo Gustavo Torquato, e conterá muita paixão sobre o Tricolor Paulista. Confira o índice da coluna aqui.






Amigos tricolores, ainda sob efeito da eliminação de quarta-feira, permito-me fazer algumas reflexões acerca da crise institucional vivida pelo São Paulo Futebol Clube.

Após a partida muito se falou sobre mais uma demissão de técnico, alguns jogadores foram responsabilizados pela eliminação, porém uma coisa me chamou atenção em meio a essa turbulência. Que existe um grupo de jogadores que só fazem mal ao São Paulo ninguém duvida, que a administração do clube é um desastre sem fim ninguém contesta. Porém, o que mais incomoda o torcedor é a perda do sentimento de grandeza do São Paulo pelos seus próprios representantes, sejam jogadores ou dirigentes.

Ao final da partida de quarta-feira, os jogadores do Talleres limparam todo o vestiário visitante e deixaram um lembrete que muito simboliza o que não vem sendo feito ao São Paulo nos últimos anos. “Compartilhamos o desafio de continuar a crescer” assim estava escrito no educado e respeitoso bilhete deixado no vestiário do Morumbi. Ora amigos, não há nada mais forte e pesado do que essa mensagem. Os argentinos poderiam ter rido do São Paulo, feito piadas, afinal se trata de uma rivalidade sul-americana e infelizmente a imagem do São Paulo deixou de impor respeito aos adversários, graças aos seus representantes dentro e fora de campo. Essa mensagem vai além, mesmo sem intenção eles tocaram numa ferida que não quer cicatrizar. Ao mesmo tempo em que demonstraram respeito e orgulho por terem eliminado um dos maiores da América, eles nos lembram que o São Paulo se comporta como pequeno nos últimos anos.

Não me refiro à história, que estará eternizada, mas a forma como reduziram o clube a situações que causam vergonha. Vi muitos torcedores indignados, atribuindo o sentimento de humilhação ao tamanho do clube argentino. Desculpem-me, mas o Talleres foi grande antes, durante e após o jogo, respeitando a história, o momento e o jogo contra o São Paulo. Nosso tricolor foi pequeno, se preparou como pequeno e se comportou como pequeno durante todo o confronto. É muito evidente que a arrogância são-paulina desde a época de Juvenal causa estragos ao clube, as pessoas que comandam o São Paulo acham que são grandes, são superiores. A instituição é gigante, mas a galera que tá lá dentro a cada dia que passa só reduz o clube a situações vexatórias, dentro e principalmente fora de campo. A maior vergonha não é a eliminação, não seria um rebaixamento, que só não aconteceu ainda por circunstâncias e sorte. O pior é pensar que o São Paulo ficará nas mãos dessas pessoas por mais tempo, sem prazo determinado, o que significa mais anos sombrios, anos que certamente reduzirão a imagem do clube ao fracasso.

Não são os adversários que incomodam, não são as piadas, não são as eliminações para os “pequenos” argentinos que hoje se comportam como clubes maiores que o São Paulo. Não, eu não tenho essa soberba de achar que o clube vai vencer apenas pela camisa e pela história. O que incomoda profundamente é o que estão fazendo com o São Paulo Futebol Clube. Não é apenas a dignidade do torcedor que fica destruída, mas principalmente a imagem da instituição. Com o acúmulo de fracassos, anos após anos, quem irá vincular sua marca a esse clube? Ninguém! Sem patrocínio o São Paulo se tornará cada vez mais refém da venda de suas principais promessas e continuará investindo mal, contratando jogadores ruins e sem a menor identidade com o clube, que estarão ali apenas para cumprir seu contrato, porque para eles não fará a menor diferença se estiver perdendo ou ganhando.

No Brasil temos exemplos de grandes instituições que foram reduzidas ao fracasso e nunca mais se recuperaram. Clubes gigantes do futebol brasileiro, que assim como o São Paulo foram vítimas de seres humanos que tinham sede pelo poder e afundaram rapidamente tudo que foi construído durante décadas. Hoje sobrevivem graças ao amor de seus torcedores. O São Paulo enfrenta processo semelhante e se ninguém fizer nada para mudar isso, o mais querido será mais uma dessas instituições soterradas por interesses privados e pela ganância do ser humano. Agora não é mais um hino é uma súplica: Salvem o Tricolor Paulista!!      


Gustavo Torquato. Advogado, fanático por futebol e são-paulino desde sempre. Minha relação com futebol começou nos primeiros meses de vida, quando meu pai, radialista esportivo, me presenteou com a camisa do São Paulo Futebol Clube. Um objeto guardado com amor e saudosismo e que sobrevive há 26 anos, assim como meu amor pelo Tricolor.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Twitter Talleres

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