Resposta ao Galvão Bueno: Por que a torcida do São Paulo não abraça Fernando Diniz?

Após ótimos resultados, liderança virtual do Campeonato Brasileiro e vitória contra o Flamengo no Maracanã no primeiro jogo da quartas de final da Copa do Brasil, novamente reapareceu uma discussão, encampada também pelo narrador mais conhecido da história da comunicação brasileira (goste-se ou não dele), Galvão Bueno, que perguntou durante o programa “Seleção Sportv”: “Por que a torcida não abraça um técnico desse?”

Confira o vídeo abaixo ou clicando aqui:

Caro Galvão, não tenho nenhuma pretensão de falar pela torcida do São Paulo, mas por ter no São Paulo um dos grandes amores da minha vida e comparecer ao Morumbi desde 1998, me sinto apto a responder sua pergunta.

Estou escrevendo exatamente às 3:22 dessa segunda-feira (16/11), e acabo de perguntar no perfil do Arquibancada Tricolor no Twitter: Levando em conta todo o trabalho de Fernando Diniz, você o manteria como técnico do São Paulo na temporada de 2021?

Em 40 minutos, foram quase 300 votos, sendo 68% votando sim para a permanência e 31% contrários, com muitos comentando “só se for campeão”. Mesmo com todos os bons resultados recentes, há resistência por parte do torcedor. Motivos: eliminações inaceitáveis recentes e um estilo de jogo que muitas vezes parece mais voltado a provar uma ideia do que a ganhar título. E sim, não há outro desejo maior na torcida tricolor no momento do que levantar um troféu.

Toda vez que o São Paulo sai jogando de forma arriscada, essa lembrança me vem à cabeça: e se numa bobeira como essa, a gente é eliminado? Pra citar um exemplo, esse tipo de estilo kamikaze fez com que o Flamengo sofresse um gol do Brenner que pode selar a desclassificação do time na Copa do Brasil. Quanto custa isso em dinheiro, repercussão, mídia, engajamento da torcida e etc?

Diniz com certeza sabe muito de futebol e tem potencial para estar entre os grandes técnicos do Brasil. Mas para entrar de vez nesse grupo, ele precisa aperfeiçoar, ponderar e repensar sua ideia de jogo (e claro, ganhar). Sair jogando com qualidade é evidentemente importante, porém, nem sempre será possível. E entre correr risco de sofrer gol num lance totalmente evitável ou “jogar feio” com um chutão, meu caro Galvão, eu aplaudo essa “bola pro mato” sem nenhum pudor.

O São Paulo sofre muitos gols, não consegue segurar resultados e é totalmente instável entre um tempo e outro, um jogo e outro. Porém, se o técnico e os jogadores derem a devida atenção e representarem em campo essa prioridade absoluta de ganhar um título, a torcida imediatamente abraçará a todos, não tenho nenhuma dúvida disso.

E antes que digam que o São Paulo sofreu apenas um gol em saída de bola (contra a LDU, em Quito), esse argumento não é verdadeiro. Em muitos casos o primeiro passe dá certo, mas no segundo ou terceiro algo dá errado e o adversário tem a bola à sua disposição, pegando a defesa desprotegida. Isso aconteceu em inúmeros gols e lances perigosos do adversário nos últimos jogos (contra o Flamengo, umas quatro vezes).

Portanto, Galvão Bueno, a torcida do São Paulo está ainda muito frustrada com a eliminação patética contra o Mirassol e também com a vergonha de ser eliminado na primeira fase da Libertadores. E além disso, com esse estilo de jogo por vezes irresponsável, não se sente representada em campo.

Está nas mãos do Diniz (que é querido pelos jogadores, ousado, sério e, repito, entendedor de futebol) aperfeiçoar sua ideia e tirar o São Paulo da fila ou correr o risco em nome de uma ideia. Esse extremismo pode custar muito caro.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

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