Sem Scarpa, sem alarde: a manutenção da equipe é nosso maior trunfo

Por Lyncon Pradella

Mesmo agindo de maneira ética e profissional, a dupla Raí e Ricardo Rocha não conseguiu concretizar a contratação do meia Gustavo Scarpa, que decidiu fechar com o Palmeiras. Mesmo sendo um grande jogador, no entanto, não há motivos para os são-paulinos criarem alarde ou ficarem preocupados, uma vez que nosso maior trunfo é a manutenção do elenco que terminou 2017.

Não é segredo para nenhum torcedor Tricolor que a equipe que jogou o segundo turno do Brasileirão passado era melhor que a montada no início do ano. Com Petros, Arboleda, Hernanes e Marcos Guilherme, além de Éder Militão entrando na lateral-direita, o time ganhou mais consistência e conseguiu escapar do rebaixamento com uma das melhores campanhas do returno. Manter a base da equipe para 2018, portanto, era essencial.

Sei que as saídas de Pratto e, principalmente, Hernanes são prejudiciais. Mas vejam por outro lado. Era claro que Hernanes retornaria para a China em junho. Ele recebe R$ 2 milhões de salário, impossível de negociar. Por isso, ao meu ver, sua saída agora é benéfica ao clube, já que Dorival não montará um esquema de jogo baseado no meio-campista, que na metade da temporada teria que sair da mesma maneira. Falta uma peça para repor essa perda? Falta, mas que tal darmos chances e tempo ao garoto Shaylon? Acredito no seu potencial. E outra, se Brenner começar o ano com tudo, Diego Souza não precisaria atuar como centroavante, e sim na posição que mais o agrada: a mesma de Hernanes. Vamos ter paciência. Sobre Pratto, não creio que sua transferência pese tanto em campo, pois, querendo ou não, já trouxemos Diego Souza que, na opinião do colunista, é superior ao argentino até mesmo na função de “9”.






Também vale a pena lembrar a contratação definitiva de Jucilei e os retornos de Hudson e Reinaldo, que qualificam os setores de volante e lateral-esquerda, respectivamente. O primeiro teve uma boa passagem no Cruzeiro, levantando a taça da Copa do Brasil – marcando um gol em cima do próprio São Paulo na pré-oitavas-de-final. Já o segundo, após dois bons anos longe do Morumbi, volta com uma moral muito maior a que deixou em 2015. Pode ser peça fundamental esta temporada.

Por fim, nunca nos esqueçamos de Cotia. Com oito novos jogadores oriundos da base, Dorival deixou claro que apostará na garotada, e está certo. Possuímos bons nomes como Marquinhos Cipriano, Paulo Henrique, Pedro, Bissoli, Antony, Liziero e Gabriel Sara (sem contar Brenner, promovido ano passado). Ao meu ver, vale muito mais apenas apostar neles do que contratar jogadores medianos, pagando valores altos.

Raí, Ricardo Rocha e Dorival Jr. parecem estar em alinhados no projeto de colocar o São Paulo de volta ao topo, de onde nunca deveria ter saído, e estou confiante que conseguirão. Basta apoiarmos os três, sem nos esquecermos dos erros administrativos de Leco e companhia.

Twitter: @lynconpr

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