TRIbuna do Braga – Nada é por acaso

A TRIbuna do Braga é escrita pelo Rodrigo Braga em todas às sextas.

Era terça-feira quando comecei a rascunhar as primeiras linhas desse texto. Diante das notícias que chegavam de uma excursão de conselheiros são-paulinos junto com a delegação no voo para Córdoba, anotei: espero que este não fique conhecido na história como “O Jogo do Aeroleco”. E, infelizmente, foi exatamente o que aconteceu… Não pense que não há relação entre a ausência de resultados do time há muito tempo e a insistência em um modelo ultrapassado e amador dos cartolas tricolores. A década perdida não foi só dentro de campo. O São Paulo parou, foi ultrapassado pelos rivais em termos de gestão, e hoje se vê às voltas com questões provincianas como esta, que nunca combinaram com a imagem do nosso clube.

Ainda dá!

É exagero dizer que o São Paulo está virtualmente eliminado da Libertadores. Apesar do 2×0, acho muito possível que o placar adverso seja revertido na quarta que vem, no Morumbi. O Talleres se mostrou um time bem limitado, que na empolgação da torcida e, principalmente, nas falhas são-paulinas no segundo tempo, acabou construindo uma bela vantagem. Se jogar sufocando desde o início e sanar de uma vez por todas os erros que tem lhe custado caro nos jogos importantes da temporada até aqui, o São Paulo tem tudo para sair de campo classificado.

Falhas repetidas

As falhas todo mundo já conhece: um time espaçado demais e lento, muito lento. Nos dois gols do Talleres (e nos do Santos também), isso ficou evidente. No lance da expulsão do Hudson, igual – ele foi forçado a matar um lance em que o jogador argentino passou como quis por Jucilei. O problema é que vão faltar opções para mudar esse meio-campo no jogo decisivo, já que Hudson está suspenso, Liziero dificilmente estará recuperado de lesão e Luan vai estar de volta da Seleção Sub-20, mas sem entrosamento nenhum com os companheiros. Seja com Jucilei mantido ou com o pouco confiável Willian Farias na posição de primeiro volante, me parece urgente montar o restante do meio com Hernanes (ainda longe da melhor condição física) como segundo volante, e Nenê na armação. Na frente, um dos meninos (prefiro Antony, mas pode ser Helinho) para infernizar os argentinos desde os primeiros minutos, junto com Everton e Pablo. Ainda dá, eu acredito!

Raí dá o exemplo

Os mais jovens talvez não se lembrem, mas o São Paulo já viveu situação parecida na Libertadores. Em 1993, o atual campeão entrava direto nas oitavas de final. Ou seja, de uma forma diferente de agora, mas também já direto em um mata-mata. E o São Paulo enfrentou de cara o Newell’s Old Boys, justamente o rival da final do ano anterior. Em Rosário, atuação ruim e derrota por 2×0 deixaram o Tricolor perto de um fiasco. Mas na volta, no Morumbi lotado, Raí comandou aquele timaço (ele não tinha jogado na Argentina) e a goleada por 4×0 veio ao natural, abrindo caminho para o bicampeonato da Libertadores e do Mundo. O time era outro, obviamente, mas a inspiração para os jogadores de hoje está aí, inclusive com o herói daquela noite sendo o exemplo no dia a dia deles.

Duas verdades

A primeira é que esse time está pagando a conta dos erros cometidos no final de 2018, quando demitiu Aguirre na reta final do Brasileirão, apostou em Jardine para dar gás novo (e não deu certo) e acabou entregando a vaga no G-4, tornando o início dessa temporada um drama. Tivesse segurado o G-4, a realidade hoje seria bem diferente. A segunda verdade: Jardine tem se mostrado ainda incapaz de dar conta de uma encrenca do tamanho desse São Paulo. Pra piorar, tem errado bastante, o que aumenta o coro dos que querem a sua cabeça. Mas será que trocar o treinador agora seria a solução? Tenho minhas dúvidas. Qual seria a opção? Tirando Cuca, que tem sido falado, mas que cujos trabalhos mais recentes foram sofríveis, os demais disponíveis no mercado nem deveriam ser considerados. Jardine não teria sido a minha escolha de treinador, mas agora que está lá, temos que torcer para que dê certo. E vai ter que, como dizem, “trocar os pneus com o carro em movimento”, já que, se seguir na Libertadores, o Tricolor vai ter decisão sobre decisão, jogando quarta e final de semana sem folga durante praticamente todo o primeiro semestre. E é nesse cenário de pressão que ele vai ter que fazer o time jogar o futebol que todos esperamos.






Luto

O futebol amanheceu de luto nesta sexta-feira que a terrível tragédia com os jovens no CT do Flamengo. Eu, e acredito que todos os são-paulinos, nos solidarizamos e desejamos muita força aos familiares das vítimas.


Rodrigo Braga. Tenho 40 anos, sou um paulista, paulistano e são-paulino radicado em Santa Catarina, onde há mais de 20 anos atuo como jornalista. Fui editor de esporte e participei de coberturas de Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos e outros eventos internacionais. Sou louco por futebol, mas, principalmente, sou louco pelo São Paulo Futebol Clube.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rummens

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