Tricolor com a cara do campeão inglês

Por Victor Oliveira



Campeão inglês na temporada 2016-2017, o Chelsea trouxe à tona, novamente, um esquema tático utilizando três zagueiros. A adoção do esquema vinha pela influência de seu técnico, o italiano Antônio Conte, que já o havia utilizado na Juventus-ITA e na seleção italiana. Recentemente, o técnico são-paulino Diego Aguirre testou formação semelhante, e que pelas características dos jogadores no elenco poderia funcionar muito bem, guardadas as devidas proporções, da mesma forma que funcionou nos times de Conte.






O esquema tático do treinador italiano na equipe londrina na conquista do título inglês era um 3-4-3, conforme o quadro abaixo:

Nesta formatação, a grande fonte de variação tática do time eram os alas Moses e Alonso. Aliás, Moses até então não era ala, mas um meia de velocidade adaptado à função, por conta de seu vigor físico (esta informação será útil mais à frente). A característica deste esquema era marcação intensa na saída de bola do time oponente. Sob ataque do adversário, os alas do Chelsea recuavam, formando uma linha de cinco defensores para marcar a jogada do oponente. Além disso, Kante, Fábregas, Hazard e Pedro também se aproximavam da última linha defensiva, visando encaixotar o adversário.

Quando subia ao ataque, os alas voltavam a ficar abertos, como pontas. A saída de bola era função dos zagueiros, que poderiam lançar a bola para os alas ou trabalhar com o meio-de-campo. Daí a importância de um meio-campo, que não apenas marcasse com excelência, para garantir a consistência defensiva, como também deveria ter velocidade (caso de Kanté) e bom passe (no caso de Fàbregas) para levar a bola ao último terço do campo. As opções, então, seriam triangulações com os alas ou jogadas por dentro com Pedro e Hazard. Seja pelas laterais ou por dentro, o final das jogadas passava pela definição ou pivô de Diego Costa.

O sucesso pode ser expresso nos números: o time marcou 86 gols e levou 33, menos de um gol por jogo. Diego Costa anotou 20 gols e Hazard, 16. Fábregas deu 12 assistências e Pedro, 9. O time conseguiu combinar muito bem consistência defensiva e força no ataque, e conseguiu desbancar rivais poderosos, como o Manchester City.

Voltando à realidade brasileira, sem os mesmos craques da Premier League e guardadas as devidas proporções, o técnico do Tricolor, Diego Aguirre, também ensaia utilizar uma formação com três zagueiros. Inicialmente, comporiam o time titular: Sidão, Arboleda, Rodrigo Caio e Bruno Alves; Militão, Jucilei, Liziero e Reinaldo; Nenê, Cueva e Trellez. O saudoso torcedor são-paulino, ao ver uma escalação como essa, relembra o time tri-campeão da Libertadores, Mundial e também o time tri-campeão Brasileiro, sempre atuando com três zagueiros. Seria um presságio de um período vencedor?

Vencedor, só o tempo dirá. Porém, pode ser o início de um tempo inovador. Se seguir a linha do italiano Conte, Aguirre pode montar um time consistente na defesa e potente no ataque. Quando estiver 100% fisicamente, Anderson Martins é quem deverá compor a zaga, ao lado de Arboleda e Rodrigo Caio. Outra possível alteração, para que o time tenha a velocidade necessária, é a troca de Nenê por Valdívia, quando este estiver recuperado da lesão na coxa. Além disso, o São Paulo ainda não encontrou na temporada um centro-avante que seja eficiente. Diego Souza é a grande decepção até aqui, e Tréllez, apesar da garra, ainda não deu muitos resultados em termos de bola na rede. Será o uruguaio Carneiro a solução de nossos problemas?

Nas demais posições em campo, apenas proporia uma alteração mais ousada. Jucilei e Liziero tem todas as características esperadas de uma dupla de volantes para que o esquema funcione: excelente passe, boa transição defesa-ataque e velocidade (por parte de Liziero). Na ala-esquerda, Reinaldo e Júnior Tavares seriam as principais opções, por conta da boa técnica e velocidade. Edimar ficaria em segundo plano. Já na direita é onde poderia haver uma mudança mais drástica: Marcos Guilherme poderia executar a função, assim como Moses no Chelsea. Trata-se de um jogador, jovem, veloz e voluntarioso, que teria forte chegada ao ataque e já se mostra bastante solidário na marcação, podendo aprimorar com os treinos e jogos. Desta forma, o meu time seria escalado assim:

Para que a nova formação tenha efetividade, porém, será necessário tempo e paciência, além de certa rotação do elenco, para que os atletas possam cumprir as funções táticas na ausência dos titulares, seja por convocação para seleções ou lesões, além do desgaste físico, já que o preparo é muito exigido nessa modalidade de jogo.

O novo-conhecido esquema pode ser o reinício de uma era de glórias para o Tricolor.

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