Torneio Rio-São Paulo 2001

Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

O primeiro e único título Tricolor do Torneio Rio-São Paulo é uma das conquistas mais inusitadas da nossa história. Se em outros tempos tínhamos esquadrões, éramos os francos favoritos, nessa competição precisamos do surgimento de um ídolo. Se você tem idade suficiente, deve se recordar de que estamos falando do “fator K”.

Mas por ora, vale destacar a importância deste troféu em nossa galeria. Até 2001, o São Paulo era o único dos 8 clubes que jamais havia gritado é campeão no Torneio Rio-São Paulo. Até mesmo a Portuguesa, a Lusinha Querida, tinha um bicampeonato para chamar de seu.

O máximo que o São Paulo havia alcançado nessa competição foi o vice – em quatros vezes (1933, 1962, 1965 e 1998). Ora, mas o Tricolor havia sido campeão paulista em 2000, estava sempre chegando nos mata-matas… por qual razão estávamos no papel de azarões no ano seguinte?

São Paulo azarão? É verdade!

Bem, vale lembrar que boa parte daquele time picou a mula para o exterior. Edmílson foi para o Lyon, Fábio Aurélio para o Valência, Edu para o Celta e Marcelinho Paraíba para o Olympique de Marselha. Além deles, o volante Vágner, que jogou o fino da bola, também não vestia mais o manto tricolor. Além claro, da aposentadoria do Rei Raí, ao final da Copa dos Campeões em 2000.

Assim, com um elenco repleto de jovens, o treinador Osvaldo Alvarez, o saudoso Vadão, teve de recorrer às crias da base. Subiram da Taça São Paulo de Juniores alguns jogadores que depois brilhariam também em gramado europeu e até mesmo com a camisa da seleção brasileira. Júlio Baptista e Cacá sendo os mais proeminentes, com Harison, Júlio Santos, Renatinho e Oliveira de coadjuvantes.

Formato do Rio-São Paulo de 2001

Ao contrário de edições anteriores, a fórmula de disputa sofreu alteração. Assim, havia duas chaves, uma de paulistas e outra de cariocas. Em turno único, todos se enfrentavam dentro do grupo contra os clubes do estado oposto e os dois melhores se classificavam para as semifinais, em duelos de ida e volta.

A campanha Tricolor no Rio-São Paulo de 2001

Nossa caminhada vitoriosa começou em 17 de janeiro, no Morumbi, com uma vitória por 2 a 0 sobre o Vasco da Gama. Sidney e Gustavo Nery marcaram os gols em cima de uma equipe C dos cruz-maltinos. 

Na segunda rodada, derrota acachapante para o Fluminense no Maracanã. Com um time muito jovem – média de idade de cerca de 23 anos – o São Paulo foi goleado por 5 a 2, terminando a partida com apenas 8 jogadores.

Na terceira rodada, um empate chocho contra o Botafogo em casa, por 1 a 1. Assim, a situação são-paulina estava complicada para a rodada final. Era preciso que a moeda caísse de pé, mais uma vez: seria necessário vencer o Flamengo fora de casa e torcer para que os rivais Corinthians e Palmeiras não vencessem os seus jogos.

De modo inesperado, tudo acabou acontecendo. No Maracanã, o Tricolor meteu 2 a 0 nos rubro-negros (gols de França), enquanto o Corinthians empatou com o Flu e o Palmeiras perdeu para o Botafogo.

Nas semifinais, o destino colocou de novo o Fluminense em nossa trajetória. Era a chance da desforra pela goleada na fase inicial do Torneio Rio-São Paulo. E o Tricolor se vingou. No Morumbi, vitória magra, gol de França (na altura, o artilheiro da equipe, responsável por 6 dos 16 tentos tricolores na temporada).

Já no jogo de volta, vitória fluminense por 2 a 1, o que levou a decisão para as penalidades máximas. Nelas, brilhou mais uma vez a estrela de Rogério Ceni. O capitão tricolor defendeu 3 cobranças (ele já havia sido o melhor do jogo durante os 90 minutos) e classificou o São Paulo para a final contra o Botafogo, que eliminou o Santos.

A grande decisão

Talvez alguns tricolores não estejam lembrados, mas o São Paulo aplicou uma sonora goleada no Botafogo, na primeira partida da final do Torneio Rio-São Paulo 2001. No Maracanã, os comandados de Vadão venceram o Fogão por 4 a 1, diante de um público de mais de 35 mil torcedores.

Carlos Miguel abriu o placar na segunda etapa, Rodrigo empatou logo em seguida, mas Luís Fabiano já fez o segundo antes de todo mundo entender o que estava acontecendo. Em três minutos, três gols. França faria o terceiro e Luís Fabiano encerraria a conversa. 

Para o jogo de volta, o São Paulo estava desfalcado de Rogério Ceni, a serviço da Seleção Brasileira, assim como no primeiro jogo. E os mais de 70 mil tricolores presentes no Morumbi no dia 7 de março de 2001 tomaram um balde de água fria logo aos 5 minutos de jogo. Donizete Pantera abriu o placar para o Botafogo, renascendo as esperanças dos alvinegros para a final.

O fator K

Mas o fator K entraria em ação na segunda etapa. Na altura, o jovem Ricardo Izecson Santos Leite era conhecido apenas por Cacá. Vindo de uma fratura na cervical, fruto de um acidente num parque aquático, Cacá teve o seu nome gritado em coro pela torcida. 

Vadão reconheceu a sabedoria da arquibancada e substituiu o meio-campista Fabiano por Cacá aos 15 minutos da etapa final. Vinte minutos depois, a joia da base foi acionada por Luís Fabiano na grande área, deixou um defensor alvinegro para trás e enfiou o sapato na bola para empatar a partida. 

O gol do desempate e do título teve roteiro parecido, mas dessa vez o assistente foi França: Cacá repetiu a dose e fez a torcida delirar no Morumbi. Se em primeiro de fevereiro de 2001, ainda como Cacá, ele estreava contra o Botafogo, passados pouco mais de 30 dias, agora com K no nome, Kaká marcava com gols e títulos a sua passagem pelo Tricolor do Morumbi

Como curiosidade, vale dizer que a mudança oficial para da letra K só ocorreu em abril, após o Torneio Rio-São Paulo. A diretoria estava reticente em aceitar a troca do K pelo C, até por conta de problemas burocráticos. 

Ficha Técnica

07.03.2001
São Paulo
Estádio do Morumbi

SÃO PAULO FC 2×1 BOTAFOGO FR

SPFC: Róger, Jean, Wilson e Rogério Pinheiro; Belleti (Reginaldo Araújo), Fabiano (Kaká), Cláudio Maldonado, Carlos Miguel (Júlio Baptista) e Gustavo Nery; França e Luís Fabiano. Técnico: Oswaldo Alvarez.

Gols: Kaká, 34’/2T e 36’/2T

BFR: Wagner, Fábio Augusto, Dênis, Váldson e Augusto; Júnior, Reidner, Rodrigo e Alexandre Gaúcho (Souza); Donizete Pantera e Taílson. Técnico: Sebastião Lazaroni.

Gol: Donizete, 39’/1T

Árbitro: Jorge Fernando Rabello
Renda: R$ 620.695,00
Público: 71.668 torcedores

Melhores Momentos do jogo de ida

Melhores Momentos do jogo Final

Curiosidades

  • Foi este segundo jogo da final que “revelou” para o mundo o jovem Kaká, na época, ainda com o nome escrito com a letra “C”. O garoto entrou no segundo tempo e marcou os dois gols da vitória e título Tricolor.
  • Foi o primeiro título do São Paulo no torneio, depois de 4 vice-campeonatos nos anos de 1933, 1962, 1965 e 1998. Em 2002, o São Paulo foi vice-campeão mais uma vez.
  • O São Paulo disputou o torneio com muitos desfalques recentes. Marcelinho Paraíba, Edu, Fábio Aurélio e outras promessas haviam sido vendidas e a patrocinadora master, encerrava o vínculo com o clube, o que proporcionou a peculiar e rara camisa da partida decisiva, com um patrocínio de um único jogo. A aposta, então, foi nas jovens promessas que, em 2000, conquistaram a Copa São Paulo de Juniores.
  • O Botafogo havia vencido o São Paulo em duas finais anteriores no Torneio Rio-SP: 1962 e 1998. Foi a oportunidade para a revanche Tricolor.
  • O goleiro titular nas finais foi Roger, já que Rogério Ceni estava convocado para a Seleção Brasileira.

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