Foto: Rummens
Raí, Aguirre e Lugano

O torcedor são-paulino está cansado de ver fracassos se repetirem ano após ano, pelo menos desde 2008 e mais uma vez, sua paciência se encontra no limite. Mas é justo colocar o trabalho desse ano no mesmo patamar dos últimos dez anos?

Há exatamente uma década, o São Paulo consolidava-se como o maior clube do país, emendando uma sequência inédita até hoje, de três títulos brasileiros consecutivos, e isso após vencer uma Libertadores e um Mundial de Clubes.

O clube era referência no seu modelo de gestão, em preparação física, estrutura, capacidade de contratações e com um estilo de jogo que, se não era o mais brilhante, era o mais eficiente.

Passaram-se dez anos e tudo mudou. Nossos rivais nos igualam ou superam em títulos, bem ou mal, tem suas casas, nos vencem em clássicos, passarmos a flertar com o rebaixamento e já não somos tão temidos como antes.

Em 2018 porém, praticamente nenhum são-paulino acreditava que o time poderia disputar algum título e muitos achavam que disputaríamos o Brasileirão para manter uma campanha no mínimo, digna.

Após inúmeras reclamações justas sobre como o futebol do São Paulo estava sendo administrado, Leco resolveu chamar Rai e Ricardo Rocha, além de convocar Diego Lugano para cargos diretivos.

Seja para se blindar ou por realmente achar que ex-jogadores-ídolos poderiam ter melhor desempenho que as figuras anteriores, uma melhora foi notada e isso se refletiu em mais acertos do que erros nas contratações, e o reflexo dentro de campo.

O ponto de mudança

O momento crucial para essa mudança, foi a demissão de Dorival Júnior, ainda no primeiro semestre. Talvez até um pouco tardia, pois o time não rendia mais sob seu comando e algumas peças foram sub utilizadas.

Aguirre chegou sob recomendação de Diego Lugano, com aval de toda a diretoria e deu cara nova ao time.

Houve uma turbulência logo em seu primeiro mês de comando, quando o São Paulo foi eliminado pelo Corinthians na semifinal do Paulistão, quando venceu no Morumbi na ida e em Itaquera, vinha fazendo um jogo inteligente até o último minuto, quando em uma falha de marcação, sofreu o gol que levou a decisão para os pênaltis.

Diferente de outras idas àquele local, o São Paulo jogou como um time aguerrido, que não fugiu de brigas, encarou o adversário como o time grande que é, levando azar em uma jogada. Para muitos, a postura foi covarde, mas foi totalmente diferente de outros clássicos que disputamos.

Respeito voltando

Eliminações na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana não foram bem digeridas, mas é até compreensível que no primeiro caso, o time ainda se acertava e no segundo, claramente a opção foi focar no Brasileirão.

E justamente no campeonato nacional, o São Paulo mudou da água para o vinho, com vitórias em sequência, quebrando um incômodo tabu de nunca ter vencido na Arena da Baixada, casa do Atlético-PR, além de fazer um ótimo primeiro tempo contra o Palmeiras no Allianz.

Estávamos lá trabalhando e vimos o desespero dos torcedores alviverdes, além do destempero do time palmeirense que perdia para o Tricolor por 1×0. Infelizmente na segunda etapa, o time teve falhas individuais, sentiu os gols e entregou o jogo.

Veio a parada da Copa, o retorno, o São Paulo batendo todo mundo e uma coisa era sempre presente: o time fazia um gol e recuava ou tentava administrar o placar. Isso aconteceu contra o Grêmio, onde poderíamos ter vencido.

Essa característica do time, recuando após o gol, mostrava uma preocupação com o preparo físico, pois o time pressionava muito e tinha uma tendência a sempre marcar o gol nos primeiros 20 minutos de jogo.

Talvez, por ter jogadores com idade avançada e por imprimir um ritmo mais forte, sem ter peças de qualidade para reposição durante as partidas, exigia-se muito de jogadores como Everton, Diego Souza e Nenê, os pilares desta arrancada Tricolor.

Veio a liderança, o título simbólico do primeiro turno e a esperança de título, com o São Paulo mantendo a ponta durante uma parte do campeonato, mas…

Pesou o cansaço e a falta de opções

O returno do Brasileirão veio e com isso, uma queda de desempenho que ninguém esperava, ainda mais porque historicamente, o São Paulo sempre foi bem no segundo turno do torneio.

Nene, Anderson Martins, Rojas e outros jogadores que eram referência no primeiro turno, caíram muito de rendimento e a contusão de Everton foi um ponto de desequilíbrio do time, que perdeu pontos importantes em duelos contra times mais fracos, além de perder a pegada nos jogos contra times de peso.

Falhas individuais se multiplicaram, o time se perdeu e com isso, a liderança.

Matematicamente, ainda há chances de título, já que o campeonato está muito embolado e há confrontos diretos entre os líderes, mas moralmente, é preciso reconstruir a pegada do primeiro turno. Momento complicado.

Visão da torcida

Logicamente, nós torcedores, ficamos “iludidos” e muito animados com a possibilidade de título, visto que o clube vinha bem na disputa e principalmente nos confrontos diretos.

Os rivais voltaram a nos respeitar, mostravam receio e tentavam nos desestabilizar, inventando piadas novamente ou dizendo que éramos ajudados por arbitragem. Aquela coisa típica de torcedores mesmo.

A queda de desempenho deflagrou inúmeras críticas a Aguirre por suas invenções (que antes funcionavam) e improvisações, que se olharmos friamente, eram necessárias. As peças escolhidas talvez, não foram as mais acertadas, mas problemas internos (não revelados na imprensa), justificavam as mudanças, como a situação de Régis e comportamento de alguns jogadores.

Naturalmente, torcedores enfurecidos, pedem a cabeça do treinador, da mesma forma que aconteceu em 2017, 2016, 2015, e por aí vai… Mas é a solução?

Culpa de 10 anos

Logo, vem em mente o peso de 10 anos sem títulos grandes (ok, ganhamos a Sul-Americana em 2012 e comemoramos), fracassos repetidos e vendo nossos rivais comemorando tudo.

Mas não acho que podemos colocar no mesmo patamar, os erros de gestão anteriores, para essa comissão técnica que assumiu o time em 2018 e monta uma equipe, que talvez dê melhores resultados somente em 2019.

Não é discurso de perdedor, mas volto a lembrar: Você acreditava em título do Brasileirão em abril?

Aguirre, Lugano, Raí e Ricardo Rocha não podem levar a culpa por anos de erros de gestão de Leco, Aidar e tantas figuras que passaram por aqui como Adalberto Batista, Pinoti, Gil Guerreiro e outros. Não é justo levarem essa culpa.

Claro que nós queremos títulos e é imperdoável empatar com um Paraná, Fluminense, América-MG e perder um tabu de 16 anos com o Palmeiras, mas esse time precisa de elenco e de opções e não de um caça às bruxas.

Fazer uma limpa e dispensar todo mundo, não vai resolver, só adiar por mais um ano a solução.

Alguns jogadores realmente não deveriam continuar e precisam ser negociados, mas é o momento de manter o máximo que pudermos e trazer mais peças para reforçar esse grupo, para não depender de reservas que entram e enfraquecem mais ainda o time.

Um trabalho de 10 meses, não pode ser avaliado por 10 anos de erros que não foram cometidos por esses que aí estão (falo aqui sobre Aguirre, Rai, Ricardo Rocha e Lugano e não sobre Leco).

Não posso e nem tenho a pretensão de cobrar racionalidade nesse momento, afinal, também estou P da vida e quero o título, mas não acho que devemos estragar um trabalho que pode nos dar frutos em breve, por imediatismo ou raiva pela falta de resultados em um ano que não esperávamos ver isso acontecer.

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42 anos, paulistano, são-paulino e um dos criadores do Arquibancada Tricolor. Apaixonado por Formula 1, Futebol, boa música e tecnologia!