A importância da mescla entre base e experiência

Nos anos 80, Muller, Silas e Sidney despontaram para marcar época no São Paulo. Os garotos bicaram o adjetivo que habitualmente persegue as revelações, até mesmo as mais talentosas, e esbanjaram personalidade.

Na época, o São Paulo reformulava o seu elenco. Jogadores experientes como Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Humberto, Waldir Peres e Paulo César Capeta deixaram o Morumbi. Cilinho assumiu o posto de treinador.

Os jovens lançados, não estavam sozinhos. Estreando poucos anos antes dos títulos que se anunciavam desde o início da década, tinham companheiros de luxo: a fantástica dupla de zaga formada por Oscar e Dario Pereyra, o veterano Falcão e o experiente Pita, que já havia sido maestro do Santos.

Pode-se dizer que não teriam conquistado os títulos sozinhos, mas também é inegável que os “velhinhos” não alcançariam o mesmo sucesso sem o auxílio da voluntariosa garotada.

Dizer que o Tricolor teve sorte em ter uma safra tão promissora é ignorar a competência dos que, à época, lançaram os garotos. Cilinho era o homem certo na hora certa. Não havia métodos revolucionários, como muitos, inclusive o próprio, pregaram por aí. Houve sensibilidade para pinçar os valores corretos e trabalhar adequadamente com eles.

A voz da experiência

Então experiente, Cilinho soube extrair o melhor de cada um de seus ‘Menudos’. A mescla com os veteranos, mais uma vez, foi fundamental para o sucesso. O que seria de Silas se Falcão não tivesse dito a ele, na entrada do vestiário, antes da final do Campeonato Paulista de 1985, contra a Portuguesa: “O time deles é bom, mas o nosso é melhor. Não vamos ter medo de ser campeões!”?

Falcão, o Rei de Roma, no Morumbi

O São Paulo vinha de um início de década promissor, soube reconhecer uma boa safra, aprimorar o ponto forte de cada um, como a velocidade de Sidney, a visão de jogo de Silas, e tantos outros que Muller possuía, e dar início a um time vencedor.

A conquista do título brasileiro de 1986, nos primeiros meses de 87 (coisas do futebol nacional), foi a consagração definitiva. Pepe, aniversariante do dia da decisão, herdou um time bem formado, com jogadores bem formados. Teve humildade de não substituir seu sucessor, apenas sucedê-lo.

Não basta apostar na base, é preciso contratar craques

Outro personagem daquela conquista, apesar de ‘Menudo’ do Brinco de Ouro, é o centroavante Careca. E este merece parágrafo especial. Ele era retrato de que o Tricolor também investia na época, não deixava seu futuro a mercê da felicidade de encontrar uma base promissora.






E que alívio de pressão isso significava aos meninos! Puderam ascender em paz. Era o retrato que Muller, Silas e Sidney precisavam para lembrar que, em 1978, o companheiro deles havia sido a grande descoberta do único título nacional do Guarani.

Artilheiro, craque, ídolo: Careca

E, por ironia do destino, justamente em cima do Guarani, era o pé salvador que a um minuto do final viria a colocá-los, tão jovens, numa das galerias mais seletas do São Paulo Futebol Clube. Quanto devem ter aprendido Muller e Sidney atuando com Careca entre eles? E Silas, tendo o camisa nove à sua frente, uma aula de bom posicionamento por jogo?

Só o vigor da base, não resolve.

A partir dali, diretoria e torcida começaram a sonhar novamente com o título da Libertadores, que batera na trave na década anterior. Mas a decepção sul-americana deixou claro que meninos ganham campeonatos. Mas não qualquer campeonato ou a qualquer instante.

A sensação de que tudo viria mediante ao simples desejo, sem tanto esforço, trouxe uma campanha frustrante na competição que, mais tarde, viria a ser o grande objeto de desejo da nação tricolor. Muller e Silas, os dois garotos daquela equipe que posteriormente obtiveram maior projeção, já tinham 21 anos ao conquistarem o bi nacional.

É tudo cada vez mais precoce no que rodeia o futebol brasileiro. O auge físico, a perfeição tática e a técnica apurada são alcançados muito mais cedo. Afinal, a Europa precisa levar jogadores prontos.

O São Paulo montou um Centro Formador de Atletas. O nome é mais que sugestivo. Os clubes nacionais são centros vendedores de atletas. O Tricolor, berço dos Menudos, apenas notou que pode lucrar mais se vender um homem, e não um garoto aos 18 anos. Até a cartilha que rege a moradia dos jovens é baseada no que esperam os europeus.

O que é ‘Menudo’?

Menudo foi um grupo musical porto-riquenho, um fenômeno em toda a América latina numa extensão comparada apenas aos Beatles no mundo. Tal fenômeno foi o motivo do surgimento do apelido para a garotada do então técnico Cilinho, que futuramente seria substituído por Pepe. Eles encantaram todos os apreciadores do bom futebol.
Hoje o São Paulo colhe frutos que já vem plantando há muito tempo, com categorias de base invejáveis aos olhos de qualquer clube do mundo. O processo de formação e de integração desses jogadores com o grupo principal precisa ser prioridade no São Paulo.

O time campeão brasileiro de 1986

Em pé: Fonseca. Gilmar. Wagner Basílio. Dario Pereyra e Bernardo.
Agachados: Muller. Silas. Careca. Pita e Sidney.
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