#ColunaAT – Qual a solução?

Há anos, todos nós, torcedores, donos de sites, jornalistas, ex-jogadores, profissionais da área e qualquer ser humano que acompanhe o São Paulo FC, tem apontado causas para a situação do clube.

Desde que surgimos em 2008, temos batido em alguns erros de gestão, que vem minando o São Paulo e infelizmente, vamos acompanhando a instituição se definhar.

Este post que fizemos em 2017, conta um pouco de como nosso clube é previsível inclusive nos erros e fracassos.

Muitos apontamentos são certeiros na direção da gestão do clube, que a cada ano erra no planejamento e principalmente na execução das ações.

Resolvemos então perguntar a pessoas que estão ou foram ligadas ao dia a dia do São Paulo, onde o clube vem errando e como sair dessa situação.






Confira alguns depoimentos dados para esta matéria:

Fernando Camargo
Jornalista e narrador da Rádio Energia 97FM

“Uma década que o São Paulo montou na estigma de Soberano e desde então a calamidade toma conta do Morumbi. Mudança de estatuto, presidente eleito sem contestação. Oposição fraca, constantes mudanças no comando técnico, time que não se prepara de forma adequada. Sem falar o retrospecto terrível em torneios eliminatórios, a discrepância com os rivais estaduais, o medo de encarar as novas arenas. Década perdida e desalentadora.”


Michael Beale
Ex-auxiliar técnico de Rogério Ceni
e atualmente com Steven Gerrard no Rangers FC da Escócia.

“Eu falei nos últimos meses sobre os problemas do São Paulo para ajudar os torcedores a entender o clube. O SPFC é um clube incrível, tem tantas qualidades que o fazem único no mundo do futebol. Foi um prazer trabalhar no clube e eu gostaria de ter ficado mais tempo. O clube cometeu um erro demitindo Rogerio Ceni. Ele entende o São Paulo, os torcedores e tinha um plano que traria sucesso no futuro, mas isso demandaria tempo e paciência. Eu decidi deixar o clube porque as pessoas de dentro não queriam seguir esse plano. Isso acontece não só no SPFC, mas em muitos clubes no Brasil. Para desenvolver, você precisa permanecer com os mesmos jogadores e também contratar só aqueles que se encaixam no planejamento que você acredita que fará sucesso. Isso é impossível com constantes mudanças de treinadores e elenco. Desejo ao SPFC muito sucesso no futuro.”


Milton Neves
Jornalista e apresentador do Grupo Bandeirantes, colunista do Agora São Paulo, UOL e Portal Terceiro Tempo

“O Tricolor precisa “só” de nova diretoria, nova Comissão Técnica e novo elenco. Assim, pode voltar o ‘Torcer pro São Paulo é uma grande moleza!’”


Marcelo Hazan
Jornalista e repórter do @globoesportecom

“Acredito que não só no caso específico do São Paulo, mas de uma forma geral no futebol brasileiro: o ideal seria cada vez mais ter gestões profissionais e menos interferência política. Difícil ter uma “fórmula mágica” para resolver os problemas. Mas uma coisa é certa: trocar de treinadores e jogadores como o SPFC vem fazendo nos últimos anos certamente não é solução”.


Rogério Barolo
Jornalista, dono do canal Barolo Vídeos

“O problema é que não existe passe de mágica. As perspectivas são as piores possíveis, porque somos geridos por um bando de incompetentes: gente que se vende por um ingresso, uma vaga no estacionamento, uma camisa oficial. O pior presidente da história do São Paulo não tem oposição. Nossos diretores são incompetentes e amadores. Nossos conselheiros também. Talvez a única saída seja desengavetar um projeto que está lá há mais de um ano, de transformar o clube em empresa, separando a parte social do futebol. Que pelo menos se discuta isso.
Mas o problema é que quem pode decidir por esse caminho, são os mesmos que levaram o São Paulo Futebol Clube para onde ele está hoje: no fundo do poço, e cavando. Só nos resta rezar. E muito…”


Rodrigo Bueno
Jornalista e comentarista do Fox Sports

“O São Paulo precisa montar um time cascudo para sair da fila. Jogadores com caráter, comprometidos, com fome. Não pode ter só garotos nem apenas veteranos sem muita ambição na carreira. É preciso ter gente realmente disposta a vencer e se doar para o clube, isso em todas as áreas.
Um grupo com personalidade, que não afine em mata-matas e clássicos. Uma direção com comando, participativa, que obtenha bons resultados para ser bem remunerada como é hoje.”


Marcello Lima
Jornalista e repórter do Estádio 97

“A grande maioria dos torcedores, comentaristas, jornalistas etc. sabem qual seria o caminho ideal para que o SP ache um norte para sair da lama. A modernização e profissionalização de sua gestão.
Como um todo e principalmente no futebol profissional. Não adianta mudar o estatuto, para supostamente começar esta modernização, e premiar com cargos remunerados conselheiros e amigos, pensando em agradar grupos políticos, como sempre foi feito no clube.
A questão da remuneração de conselheiros será estancada a partir de Abril do ano que vem mas é pouco. A médio prazo, nada mudará no mecanismo político São Paulino.
Em dezembro de 2020 os 240 conselheiros elegerão o sucessor de Leco e continuarão palpitando e cornetando internamente. Do próximo presidente se espera além da transparência nas contas, que chame para os chamados cargos remunerados, profissionais com expertise em suas áreas para que se tenha pelo menos um sopro de modernidade e profissionalismo na gestão.
Do próximo presidente se espera que o futebol profissional seja gerido por pessoas realmente capacitadas e não por ídolos que mais servem de escudo da presidência do que efetivamente executivos da área.
E por fim, se espera do próximo presidente que se mude mais uma vez o estatuto, a fim de acabar com este descalabro que é a remuneração para o cargo. Que se crie pra valer o cargo de CEO aí sim remunerado.
Pensar em profissionalização a curto prazo é utopia. Esqueçam.
E sobre a atual gestão o que esperar, você amigo leitor me pergunta?
Respondo: torcer para que dezembro de 2020 chegue o mais rápido possível.”


Roberto Lioi
Jornalista, repórter e apresentador das rádios CBN e Globo

“Há dez anos o São Paulo perdeu a convicção nos trabalhos de longo prazo. Desde a saída de Muricy Ramalho em 2009, o clube se baseou em ideias imediatistas, tentando resolver o problema de hoje, mas esquecendo o que poderia acontecer no futuro. Você pode pegar a lista de técnicos da equipe nesse tempo. Já tentou técnicos ofensivos, como Juan Carlos Osório, defensivos como Edgardo Bauza, com história no clube como Paulo Autuori e Muricy Ramalho e até apelou para o maior jogador da história do clube, Rogério Ceni.
As escolhas sempre se basearam em pressões, seja das arquibancadas, seja da mídia ou até de dirigentes. O São Paulo não tem uma linha de trabalho. Não existe um dirigente que coloca a mão no peito e banque o trabalho do início ao fim. Isso gera um círculo vicioso de reconstrução. Aposta em um trabalho por um curto prazo e tem que reconstruir meses depois.
Isso passa diretamente pelas últimas diretorias. O saudoso Juvenal Juvência ganhou os principais títulos do clube, mas errou feio ao se eleger para um terceiro mandato só para ficar no poder. Errou ainda mais ao indicar Carlos Miguel Aidar que fez muitas besteiras que o levaram a renúncia. Carlos Augusto de Barros e Silva sempre quis ser o presidente do clube. Tudo o que ele faz é pensando no bem do São Paulo, não tenho dúvida. Mas paga caro pelas escolhas erradas, nem sempre de acordo com o que ele pensa.
O problema do São Paulo não é a falta de raça dos atletas. Não é porque os técnicos que passaram por lá não são qualificados. Não é falta de jogador, porque muitos que passaram pelo clube fizeram sucesso em outras equipes. Enquanto o São Paulo pensar em resolver o problema de agora e continuar esquecendo o futuro, vai continuar tendo dificuldades.”


Todos os depoimentos foram feitos por pessoas, a convite do AT, que tem vivência suficiente do dia a dia do São Paulo FC e que os permite opinar com propriedade sobre os últimos anos de fracasso do clube.

Agradecemos todos os convidados a participar dessa iniciativa conosco.

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