#ColunaAT – Se o culpado fosse o Morumbi…

Essa semana surgiram textos, posts e colunas de vários locais buscando um novo culpado pela péssima fase do São Paulo em jogos decisivos e em casa: O Morumbi.

O estádio foi inaugurado em seu formato completo em 1970 e desde lá, a torcida comemorou inúmeros títulos em sua casa, com destaque para as Libertadores de 1992 e 2005, as campanhas e jogos decisivos dos Brasileiros de 2006 e 2007.






Além dos títulos, várias vitórias memoráveis contra adversários fortes, foram conquistadas no Morumbi com a força e embalo da torcida.

Morumbi lotado em jogo de Libertadores

No passado, com mais de 100 mil torcedores ou atualmente, mesmo com as restrições impostas pelo Ministério Público e Polícia Militar, entrar em um Morumbi lotado, balança qualquer um.

O ingrediente que está em falta

Talvez seja justamente isso o que está em falta: sentir o peso do Morumbi e da camisa do São Paulo. Há tempos temos jogadores que não sentem onde estão.

Entrar pra jogar com a camisa do São Paulo contra o Juventus ou contra o Corinthians, parece a mesma coisa para grande parte dos jogadores. E sair com uma vitória ou derrota também.

São Paulo x Porto – 1970

As arquibancadas estão na mesma distância desde a inauguração e isso não foi problema nos títulos mencionados acima, ou quando o São Paulo fez um brilhante primeiro turno do Brasileirão em 2018.

Falta sangue nas veias, falta raiva de perder, falta se importar com cada jogada errada, falta ter bons jogadores, falta gestão, falta ter mais amor pelo São Paulo e menos nos interesses próprios.

Estádio obsoleto?

Eu sou um grande defensor de uma mudança total no Morumbi, seja ela uma modernização com cobertura, aproximação de arquibancadas ou até mesmo demolição e novo estádio.

Porém, isso não tem nada a ver com o time não vencer seus jogos e clássicos. O buraco é mais em cima, neste caso.

Nossa gestão parou no tempo, não se moderniza, o clube é gerido como uma associação de bairro e não acompanha os rivais. Logo o São Paulo, que sempre foi o modelo de pioneirismo, hoje está parado no tempo.

Grande parte da torcida também. Acredita que o Morumbi não precisa de modernização, que até deveriam ser retiradas as cadeiras e que tomar chuva é ser mais “raiz” e ser mais são-paulino do que outros.

Isso é um pensamento retrógrado, em minha visão. O futebol, infelizmente mudou, é negócio, é dinheiro e um clube, para se manter grande, precisa pensar grande e faturar muito.

O que fazer?

Adoro ir ao Morumbi, é minha segunda casa e definitivamente é o lugar que mais visito, mesmo quando não vou aos jogos, pois me sinto bem e relembro de muitas histórias.

Contudo, não podemos achar que do jeito que está, o nosso estádio vai continuar uma importante fonte de receitas para o clube. Vide o Palmeiras e Grêmio, que hoje faturam muito com seus estádios e podem pleitear melhores cotas de TV.

Como mencionei antes, não adianta passar uma mão de tinta, instalar um telão e mudar a entrada de vestiários para modernizar o Morumbi. O torcedor, que é o principal personagem na história ainda tem problemas para comer, para ir ao banheiro, para levar sua família e até mesmo para comprar ingressos.

Tive a oportunidade de conhecer outros estádios fora do país e te digo: Só aqui no Brasil que o termo “Arena” ficou pejorativo, pois se associa a dívidas e acordos obscuros.

Há muitos estádios por aí, que não tem o luxo e gastos exagerados que alguns aqui tem, mas atendem seus torcedores. Até mesmo no Brasil, estádios como o Beira-Rio, Mineirão e Castelão, se modernizaram, atendendo as demandas da torcida, sem precisar perder sua essência.

Não misturem assuntos

O São Paulo precisa sim pensar como vai modernizar o Morumbi e mantê-lo como uma de suas principais fontes de receitas, mas isso não tem nada a ver com o pífio desempenho que vem mostrando.

Instagram: Foto do Monumental de Núñez

O River Plate tem um estádio semelhante ao Morumbi e eles venceram duas Libertadores recentemente, para ficar em um único exemplo.

Precisamos de mudanças na gestão, na forma de contratação de jogadores, na geração de novas receitas e na forma de colocar na cabeça dos jogadores que chegam, o que é o São Paulo FC.

O Morumbi não é o culpado por isso tudo, mas quem cuida dele, sim. Cobre os verdadeiros culpados!

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