Como ficará o futebol feminino pós-pandemia?

O mundo está vivendo uma situação de readaptações devido à pandemia do Covid-19 e, com isso, o esporte também sofre com as suspensões das competições e o futebol também entra nessa.

Vemos alguns campeonatos sendo retomados de maneira muito cautelosa e seguindo protocolos específicos para evitar o contágio das pessoas envolvidas nas partidas. O campeonato alemão, por exemplo, foi retomado neste sábado (16) a portões fechados, após uma sequência de testes e muitos outros cuidados adotados durante todo o jogo.

Isso que falamos diz respeito ao futebol masculino que já é estruturado, conta com altos investimentos e tem um grande apelo da população.

Entretanto, como fica o futebol feminino?

Não dá para afirmar que o futebol feminino tem a mesma audiência e investimento que o futebol masculino, isso é óbvio. Todavia, é preciso sim olhar para ele e não deixar de lado uma modalidade que vem crescendo e muito e tem diversos profissionais ligados a ela que não podem ser desamparados nesse momento de caos geral.

A coordenadora do departamento de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, Aline Pellegrino, deu uma entrevista ao GZH Esportes e falou sobre a situação atual e como ela enxerga que deverá se seguir o futuro da modalidade.

Ela afirma que será um novo começo e que não dá para começar de onde parou, mas sim descobrir novos cenários e se reinventar.

Quando questionada de como está a negociação em relação aos clubes, patrocinadores e as atletas ela afirmou:

“No futebol feminino, não poderia ser diferente. No vôlei, no basquete, a sociedade como um todo está passando por recessão econômica. A federação ainda não tem o último repasse da cota de TV, então isso não vai para o clube, parte das receitas do feminino muitas vezes vem desta receita do clube, então vai gerando uma reação em cadeia. E não tem muito o que fazer. Estamos tentando nos reinventar, mas algumas coisas não têm jeito. Depende do retorno do campeonato. Acredito que todos estão cientes deste cenário. O que mais me preocupa é o que teremos em 2021. O clube tem de pensar como vai renegociar o contrato da atleta. Será que ela vai conseguir ter o mesmo salário? Qual é a minha receita para o ano que vem? O movimento tem que ser este.”

E como o São Paulo está reagindo a isso?

São Paulo cortou em 25% o salário de funcionários e atletas do futebol feminino e, também, do basquete. Essa ação foi baseada na medida provisório do Governo Federal decretada em meio à pandemia do novo coronavírus, que prevê às empresas a redução proporcional do salário à jornada de trabalho.

Anteriormente, o Tricolor já havia reduzido em 50% o salário do elenco profissional de futebol masculino. Todas essas atitudes são para evitar demissões ou suspensões de contratos, visto que até o momento não foi necessário realizar demissões.

Os atletas do elenco masculino de futebol terão os valores ressarcidos proporcionalmente após esse período de pandemia. No entanto, os funcionários e atletas do futebol feminino e basquete não serão contemplados com o ressarcimento dos 25% do corte. Parte desses valores serão pagos pelo Governo Federal.

Elias Albarelo, diretor financeiro do Tricolor, falou sobre a decisão: “(O corte) Vale não só para funcionários, mas para diretores, presidente… Inclusive conosco. É natural, sem problema nenhum. Vale para todos. Também tem um mínimo que vamos deixar, para não ter um impacto em cima dos menores salários, embora você possa contar com o auxílio do Governo em cima da medida provisória. A gente estudou bastante qual seria a melhor proposta a se fazer. Para não penalizar, não ter nenhum tipo de demissão, como alguns clubes têm feito. Estamos tentando evitar ao máximo e felizmente ainda não ocorreu”.

No momento ainda não há previsão de retorno para as competições que envolvam o futebol feminino no país. O último jogo do São Paulo foi contra o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro da série A1 no dia 15 de março.

Fonte: Globo Esporte e GZH
Foto: Renata Lutfi / São Paulo FC

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