Craques da minha infância – Aristizábal

A ideia da coluna Craques da minha infância começou no ano passado, mas só agora no fim de 2019 consegui efetivamente colocá-la no ar.

Por aqui, vocês verão alguns nomes que atuaram no Tricolor entre 1994 e 2003, período que contempla a minha infância, até chegar à maioridade.

Uma época de poucos títulos, mas com muitos bons jogadores, alguns que deram o azar de jogar com os piores times da história do nosso Tricolor…

Nesta estreia, falaremos sobre Víctor Hugo Aristizábal Posada, o Aristizábal!

Quem é Aristizábal?

Nascido em Medellín, em 1971, Ari surgiu para o futebol no Atlético Nacional, tendo sido reserva da Seleção Colombiana na Copa de 94, não atuando em nenhum jogo. Após a Copa foi contratado pelo Valência, atuando em apenas 7 jogos e sendo cedido por empréstimo ao Blackburn Rovers da Inglaterra, onde também pouco atuou, realizando apenas 15 jogos.

Campeão da Copa América pela Colômbia em 2001 e artilheiro da competição, Ari marcou ao todo 15 gols em 66 jogos pela sua Seleção. Disputou também a Copa de 98, tendo atuado nos 3 jogos da primeira fase.

Encerrou a sua carreira em 2008, no time onde começou, o Atlético Nacional. Foram 4 passagens pelo clube colombiano, além de Valência, Blackburn Rovers, São Paulo, Santos, Deportivo Cali, Vitória-BA, Cruzeiro e Coritiba.

Como chegou no Tricolor

Aristizábal era um velho conhecido do Tricolor. O colombiano marcou um dos gols da vitória do Atlético Nacional sobre o São Paulo pelas semifinais da Supercopa 93, quando o Tricolor sagrou-se campeão da competição. O Tricolor venceu a partida de ida no Morumbi por 1 a 0, gol de Müller, porém em Medellín, os colombianos venceram por 2 a 1, com gols de Ari e Zuñiga, enquanto que Palhinha marcou pelo Tricolor. Nos pênaltis, vencemos por 5 a 4, com Aristizábal desperdiçando a última penalidade para os donos da casa.

Aos 03:53, o pênalti perdido por Aristizábal.

Seu nome chegou a ser aprovado pelo Mestre Telê na época, porém Ari somente foi contratado em 22 de julho de 1996, em um negócio que movimentou 1,2 milhões de dólares. A sua estreia não demorou muito, acontecendo no dia 08 de agosto, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro daquele ano, quando o Tricolor bateu a finalista Portuguesa por 2 a 1 no Morumbi, com gols de Müller e Jorginho (contra). Aristizábal substituiu Valdir Bigode no segundo tempo.

Em 16 de agosto, Ari marcou seu primeiro gol com a camisa do Tricolor, na derrota para o Flamengo na final da Copa Ouro por 3 a 1. A partida foi disputada em Manaus-AM e contou com o M1TO Rogério Ceni como titular, quando Zetti ainda era o camisa 1 do Tricolor:

Dois dias mais tarde, deixou dois na goleada de 5 a 2 contra o Bahia, marcando assim seus primeiros gols no Morumbi e ganhando destaque na reportagem da Rede Globo após o jogo:

A temporada de 1996 terminou com Aristizábal marcando 7 gols. O artilheiro do ano foi Valdir Bigode, com 31 gols e o Tricolor ainda teve Almir, Müller e França com 15, 14 e 9 gols, respectivamente (dados extraídos da Wikipédia).

A dupla com Dodô

Talvez o São Paulo nunca esteve tão bem servido de atacantes como no começo de 1997: além do artilheiro do ano anterior, Valdir Bigode, que saiu do clube no começo do ano para atuar no Benfica, o Tricolor também contava com Marques, Aristizábal e dois jovens: França, recém-chegado do XV de Jaú e Dodô, que estava emprestado ao Paraná na temporada anterior.

Só pelo Campeonato Paulista, a dupla marcou 36 gols: 20 de Dodô e 16 do colombiano. Para quem não se lembra, o Tricolor foi vice-campeão da competição, ao empatar com o Corinthians no Morumbi por 1 a 1, com o rival sagrando-se campeão em um quadrangular final, onde ambos terminaram empatados, porém a classificação na fase anterior servia como critério de desempate e assim o Corinthians teve 45 pontos contra 40 do Tricolor pelo Grupo 2.

No que deve ter sido a melhor atuação de Aristizábal com a camisa do Tricolor, o gringo marcou 3 gols na goleada do Tricolor por 4 a 1 contra o Palmeiras no Morumbi, com mando do rival, em 25 de maio de 1997, em jogo válido já pelo quadrangular final da competição. Confira os gols:

No fim de 97, Aristizábal foi titular na derrota por 2 a 1 contra o River na Argentina, quando o time argentino sagrou-se campeão da Supercopa da Libertadores, após empate por 0 a 0 no Morumbi. Assim o Tricolor fechava a temporada de 1997 sem títulos oficiais, e com Dodô marcando 55 gols e com Aristizábal marcando outros 27. Ambos foram os artilheiros da temporada.

Fim da carreira no Tricolor

1998 marcou o ano de despedida de Aristizábal com a camisa do Tricolor. O atleta atuou pelo São Paulo ao longo do primeiro semestre e fez parte do elenco campeão Paulista, que bateu o Corinthians nas finais.

Aristizábal perdeu a vaga de titular no ataque do Tricolor, que ficou entre Denílson, França e Dodô. O Colombiano entrou nos dois jogos da final, substituindo o volante Gallo na partida de ida e o ídolo Raí no jogo da volta, quando o Tricolor conquistou o título.

Com apenas dois gols marcados neste temporada, o atacante foi emprestado ao Santos em 09 de agosto, pelo valor de 350 mil reais, por um ano de contratado. Aristizábal não voltaria mais a atuar pelo Tricolor. Em 1999 após o fim do empréstimo com o Santos, o Tricolor não teve interesse no seu retorno. Ari teve seu contrato renovado com o Tricolor de forma automática até 31 de dezembro de 2000, quando as partes não chegaram a um acordo para um novo contrato.

Aristizábal entrou com uma medida cautelar contra o Tricolor no começo de 2001, para poder obter seu “passe” e assim retornar ao futebol colombiano. Todos os detalhes jurídicos estão neste link no IBDD.

Números pelo Tricolor

Jogos: 79
Vitórias: 33
Empates: 28
Derrotas: 18
Gols: 36
Título: Campeonato Paulista 1998

Qual era a minha opinião sobre o Ari?

Depois de finalizar a coluna, percebi que não havia emitido a minha opinião sobre o Aristizábal, então vamos lá:

Eu era fanzaço do Ari. Quando ele chegou no Tricolor, eu tinha quase 11 anos de idade, não tive a oportunidade de ver o Bi Mundial, minhas lembranças começaram em 94, então eu tinha um fascínio muito grande pelos gringos. Via Arce e Rivarola ganharem tudo pelo Grêmio. Mancuso suar sangue em campo. E até outros atletas menos badalados, mas que eram raçudos ao extremo. Nosso Tricolor vinha de diversas contratações estrangeiras de baixa qualidade… Matosas, Sierra…. Ari era o cara que vinha pra virar esse jogo e virou!

Vendo seus lances, seus números, esse cara hoje em dia seria colocado em um pedestal. Acho engraçado alguns leitores no Instagram que não gostaram do título “craques”, mas hoje em dia, por muito menos, qualquer um vira ídolo…






É uma pena que o São Paulo não soube aproveitar todo o potencial de Aristizábal, assim como foi também com Dodô e outros atletas. Tivemos uma grande geração, que só ganhou 2 Paulistas (98 e 2000), era um time que merecia ter ganho muito mais!

Muito obrigado Aristizábal!

Fotos do Colombiano

Aristizábal
Foto: Divulgação SPFC
Aristizábal visita a delegação do Tricolor em 2014
Foto: Site Oficial
Aristizábal pela seleção da Colômbia
Foto: Desconhecido
Aristizábal visita a delegação do Tricolor em 2014
Foto: Site Oficial

Próxima Edição – VOTE!

Quero que você, torcedor tricolor, escolha o próximo “craque da minha infância” para esta coluna. Escolha um dos 4 nomes abaixos:

Fontes

Blog do Dressler
Terceiro Tempo
Blog 20 Minutos
Wikipedia
Folha de São Paulo

Foto da Capa: Nélson Almeida/O Estado de S. Paulo

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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