História, conquistas e um legado: uma homenagem aos 55 anos de Raí

15 de maio, dia do aniversário de Raí Souza Vieira de Oliveira, o Raí, o terror do Morumbi.

Eu, particularmente, tenho um carinho muito especial pelo Raí. É que Rogério Ceni é incomparável e quase que intocável na lista de ídolos do São Paulo Futebol Clube, porque se não fosse eu cogitaria em colocar o Raí no topo da minha lista, mas então vamos deixá-lo entre os 5, ou melhor, entre os 3, pelo menos para mim. Faça a sua lista mental aí também.

Bom, Raí nasceu no dia 15 de maio de 1965, ou seja, hoje ele completa 55 anos. Então, vamos relembrar um pouco da sua história.

Nascido em Ribeirão Preto, Raí é filho de Seu Raimundo e Dona Guiomar, e é o mais jovem entre seus outros 5 irmãos: Sócrates, Sóstenes, Sófocles, Raimundo e Raimar.

Quem pensa que o primeiro contato de Raí com o esporte foi com o futebol se engana, pois ele começou jogando basquete, competindo dos 12 aos 14 anos, quando conquistou o vice-campeonato pela Recreativa de Ribeirão Preto.

Sempre jogava pelada com os amigos, mas nada muito sério, até que quando ele tinha 15 anos um amigo o levou para fazer um teste no Botafogo, time de sua cidade, e ele passou, onde começou a treinar em 1980.

O jovem Raí não era muito compromissado naquela época e nem almejava ser jogador profissional, já que em sua família já tinha um atleta reconhecido, o Doutor Sócrates. Por isso, ele chegava atrasado aos treinos (quando ia) e não se empenhava muito nas partidas até o nascimento de sua filha, Emanuella, em 1982, ano em que mudou a sua trajetória. Assim, em 1983, Raí se tornou profissional.

Curiosidade: ele ainda chegou a cursar dois cursos na faculdade, mas não terminou nenhum: História e Educação Física.

Jogou no Botafogo e teve uma passagem rápida pela Ponte Preta, onde teve alguns problemas com lesões, então ele voltou para sua cidade natal, quando foi treinado por Pedro Rocha que viu e apostou no potencial de Raí.

A chegada ao time do Morumbi

Raí foi convocado para a Seleção Brasileira, fato que o levou a ser contratado pelo São Paulo no que foi a maior transição realizada por times brasileiros na época pelo valor de 24 milhões de cruzados.

Outra curiosidade: não era só o Tricolor que estava interessado no meia, o Corinthians, time de Sócrates também queria ficar com Raí. Ufa, ainda bem que não ficou. Não consigo nem imaginar.

No entanto, o começo de Raí no São Paulo não foi brilhante como o restante da sua carreira. Ele ficou no banco durante dois anos e foi ser titular só em 1989, ano que conquistou o seu primeiro título no clube, o Campeonato Paulista.

Em 1990, quase que Raí foi negociado com o Flamengo, em negociação que não foi adiante, ainda bem, porque estava para começar a boa, ou melhor diria, inesquecível e histórica fase de Raí no Tricolor.

O começo de um legado

Chegava para comandar o São Paulo pela segunda vez ninguém menos que Telê Santana, foi ele que conseguiu tirar o melhor desempenho de Raí dentro de campo e foi quando começaram as conquistas. Em 1991, conquistou seu segundo Campeonato Paulista no clube e foi artilheiro da equipe com 20 gols.

Nesse mesmo ano, ainda ganhou o Campeonato Brasileiro. Parecia que tudo realmente tinha mudado, mas o melhor ainda estava por vir.

O ano da consagração

Em 1992, o São Paulo chegou na final da Libertadores para enfrentar o Newell’s Old Boys e se sagrou campeão da América pela primeira vez. Raí estava lá e fazia parte daquele time de craques, como capitão levantou a inédita taça.

Então, chegou o dia 13 de dezembro de 1992, a final contra o poderosíssimo Barcelona, o melhor time do mundo, só que não. O melhor iria se revelar depois dos 90 minutos que se sucederam ao apito inicial daquele jogo histórico.

O São Paulo jogou demais! Viu os espanhóis saírem na frente do placar, mas aos 27 minutos, após jogada de Müller, quem estava lá para empurrar a bola praticamente de barriga para o fundos das redes? Ele, Raí.

De novo o time brasileiro estava na briga naquela disputa acirrada até que aos 34 minutos do segundo tempo, apita o juiz e é falta para o São Paulo bater, Raí pega a bola, conversa com Cafu que fica ao seu lado, até que…GOL! Festa, alegria, comemoração e consagração! O São Paulo era Campeão do Mundo e Raí foi essencial para essa conquista.

Mais conquistas, mais vitórias, a ida e o retorno

Em 1993, a história se repete. São Paulo campeão da Libertadores novamente.

Depois disso, Raí recebeu diversas propostas para ir atuar na Europa. Ele acabou escolhendo a França como destino, mais precisamente o Paris Saint-Germain.

No clube francês conquistou a Copa Liga da França (95 e 98), Copa da França (93, 95 e 98), Campeonato Francês (94) e a Recopa Europeia (96). Recentemente, a renomada revista francesa, France Football, elegeu Raí como o melhor brasileiro que jogou no futebol francês.

Até que em 1998 ele retornou ao São Paulo para jogar justamente contra o Corinthians na partida final do Campeonato Paulista daquele ano. O Tricolor tinha perdido o primeiro jogo por 2×1, mas na partida de volta que aconteceu no dia 10 de maio contava com Raí para ajudar a reverter o resultado negativo.

E o resto a gente já sabe, aos 30 minutos de jogo ele marcou o primeiros dos três gols que deram o título ao São Paulo naquele ano em cima dos rivais alvinegros e fez o Morumbi cantar: “Raí, Raí, o Terror do Morumbi!”.

Após um período longe das quatro linhas devido a uma contusão, ele ainda foi mais uma vez Campeão Paulista pelo São Paulo em 2000 na sua última conquista como jogador, pois decidiu anunciar a sua aposentadoria.

O último jogo de Raí aconteceu no dia 22 de julho de 2000, quase 13 anos depois da sua estreia com a camisa Tricolor que foi no dia 18 de outubro de 1987.

Em resumo, Raí participou de 395 partidas com a camisa do Tricolor, marcou 128 gols e conquistou nove títulos, são eles: Campeão Paulista em 1989, 1991, 1992, 1998 e 2000; Campeão Brasileiro em 1991; da Campeão da Taça Libertadores da América em 1992 e 1993; Campeão Mundial Interclubes em 1992.

Em 1998, juntamente com seu companheiro no São Paulo, Leonardo, Raí deu início à “Fundação Gol de Letra“, que tem como objetivo oferecer acesso à educação para crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Em abril de 2007, tornou-se embaixador do São Paulo e, em 2017, começou a fazer parte do Conselho de Administração do Tricolor. No final do mesmo ano, foi anunciado como diretor de futebol do clube, função que exerce até hoje.

Raí – o jogador/o dirigente

Na minha opinião, não tem como contestar a grandiosidade de Raí como jogador de futebol, como dizem, os números estão aí para provar.

Como dirigente é uma história diferente, acho que críticas precisam ser feitas ao membro da diretoria Raí, que me dói falar, mas faz parte de uma gestão que desagrada em praticamente 100% a torcida Tricolor.

São anos sem títulos e de uma administração que só trouxe danos ao São Paulo. O cargo de Raí vai até o final desse ano.

Mas, por favor, é preciso fazer uma separação das coisas, nada anula o que Raí fez dentro de campo com a camisa Tricolor, uma trajetória brilhante e de conquistas que não podem ser jogadas no lixo pelo que acontece agora. Passado não se apaga e história não se anula e ponto.

Conclusão (clubista)

Raí é e sempre será um dos grandes ídolos da história do São Paulo Futebol Clube, e isso é inquestionável. Torço para que ele faça um bom trabalho no tempo que lhe resta como diretor de futebol e quem sabe possa continuar após as novas eleições dependendo de quem for eleito, isso já é tema para uma outra coluna.

No entanto, eu gostaria de vê-lo conquistar títulos como dirigente do São Paulo, obter sucesso também nessa área. Imagina Raí como dirigente, Rogério Ceni como técnico e uma final de Libertadores pela frente, não sei vocês, mas eu já estou sonhando com essa visão e um Morumbi em festa com mais uma conquista.

Bom, por enquanto, vamos nos ater ao presente. Parabéns, Raí! Quem sabe você leia essa coluna, né?! Muito sucesso, saúde e alegria. Um Feliz Aniversário e…

OBRIGADA POR TANTO!

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