Mais uma vez: “levantar a cabeça e trabalhar”

Após uma terrível eliminação contra os itaquerenses na quarta-feira, o São Paulo agora tenta juntar os cacos e encarar os 9 meses que restam na temporada de 2018. Vamos tratar de alguns erros relativos ao time e ao departamento de futebol do clube nesta coluna, mas antes, é preciso compreender como chegamos a esse ponto.






Ser eliminado após vencer o primeiro jogo por 1 a 0, perder o segundo pelo mesmo resultado aos 47 minutos do segundo tempo e cair nos pênaltis não significa que fomos humilhados. O problema (que muita gente da diretoria do clube se recusa a aceitar) é que a torcida do clube está totalmente sem paciência. O último título foi vencido em 2012. Adicione-se a isso diversos fatos catastróficos patrocinados pela administração, como o terceiro mandato de Juvenal Juvêncio, a renúncia de Aidar e todos os escândalos da época, além das más escolhas e quase rebaixamento com Leco no poder e temos aí o humor do são-paulino.

Portanto, é preciso que antes de qualquer análise ou responsabilização desse ou daquele jogador ou técnico, o São Paulo se repense administrativamente. E isso para ontem! E antes de falar de nomes, é necessário admitir que o problema existe. Em 2013, nosso maior ídolo, Rogério Ceni, disse com essa palavras. “O São Paulo parou no tempo”. Quando nossos dirigentes, diretores, conselheiros e todas as pessoas que administram o clube farão uma autocrítica?

Somos hoje um clube que não inova. Há equipes com melhor desempenho esportivo, financeiro, técnico, físico, administrativo e no marketing. E hoje, qual a medida que o presidente e diretores do São Paulo estão tomando para que possamos correr atrás e ultrapassá-los?

Lembrando, que após a aprovação do novo estatuto do São Paulo, em 2016, presidente e diretores ganham salário. Portanto, é obrigação de todos observarem o setor em que estão inseridos, não há mais desculpas para o discurso do tipo “Somos dirigentes amadores que nos esforçamos gratuitamente pelo clube”.

Resumindo, o cenário descrito por Rogério Ceni em 2013 segue inalterado. O vice-presidente do clube, Roberto Natel, rompeu publicamente com Leco. Há quem diga que entre 235 membros do Conselho Deliberativo, há 14!!! “partidos políticos”, em uma cópia trágica do que ocorre na política em Brasília.

Enfim, ou todos os são-paulinos que hoje administram, deliberam, fiscalizam e vivem o clube por dentro admitem que precisamos nos oxigenar, mudar andar para frente, ou vamos viver de pequenas alegrias e grandes sofrimentos. Resta saber se os que lá estão gostam mais do São Paulo Futebol Clube ou das benesses obtidas por cargos, como carteirinhas, vagas de estacionamento, ingressos, viagens e afins.

No campo

O São Paulo torrou R$ 36 milhões em 2018. As contratações do goleiro Jean, do meia-atacante Diego Souza e do centroavante Tréllez até agora se mostraram inúteis, o que cá pra nós, não pode ser chamado de surpreendente. Por isso, novamente o clube vai ao mercado para reforçar posições onde claramente faltam qualidade e opções.

Creio que as laterais, o meio e o ataque sejam as principais carências. Temos um time que claramente passou a se defender melhor (principalmente com a vinda de Aguirre), mas que cria pouco e conclui quase nada e, quando finaliza, erra. No jogo em Itaquera, a bola simplesmente batia em nosso ataque e voltava, principalmente depois da saída por contusão de Nenê.

É preciso parar de olhar medalhões, comodidades e indicações de empresários amigos para trazer gente com vontade de crescer, fome de ganhar, e claro, com qualidade comprovada. Atletas com bom desempenho em campeonatos estaduais, séries inferiores e bons jogadores insatisfeitos em clubes de Série A devem ser o foco. Não há milagre ou revolução possível, mas unindo jogadores tecnicamente bons (novos e experientes) à nossa excelente categoria de base, temos tudo para crescer.

Enfim, quarta-feira temos um jogo difícil contra o Atlético Paranaense em um estádio onde jamais ganhamos. A Copa do Brasil é importantíssima e precisa ser levada a sério. E agora, após mais uma eliminação, o que se espera é que o time reaja e que a diretoria de futebol (chefiada pelo respeitável Raí) corrija os erros que cometeu.

Em tempo: Liziero, você tem um futuro enorme, fique no São Paulo e certamente sua coragem em bater aquele pênalti será recompensada. Diego Souza: a Copa do Mundo já era, você ainda quer jogar por aqui?

Foto: Reprodução/Globoesporte.com

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