Confira nossa entrevista com o craque Palhinha
Foto: Divulgação / saopaulofc.net

O São Paulo Futebol Clube tem três conquistas de Libertadores e Mundial de Clubes, as maiores glórias do tricolor, e dessas seis conquistas, em quatro delas estava presente um camisa 9 chamado Jorge Ferreira da Silva. Não conhece? Está bem! E se falarmos em Palhinha? Aí, sim! Todos os torcedores, mesmo os que não viram ele em campo, mas que pesquisaram sobre esse ídolo, sabem bem a importância que ele tem na história do clube. E essas glórias do passado estão inteiramente ligadas a seleção brasileira, com o bom desempenho no Tricolor as convocações eram constantes, foram 16 jogos e cinco gols, e a sua presença na Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, era dada como certa, mas não foi bem assim.

O problema é que eu sei o porquê que eu não participei, e eu não posso falar. É duro isso, participei praticamente der todas as convocatórias na fase de Eliminatórias, joguei a Copa América (1993), como titular com a camisa 10 da seleção em Cuenca (Equador), até a penúltima convocação para a Copa do Mundo eu estava, sai no álbum, já estava tudo certo, contrato com as empresas que iriam patrocinar a seleção naquela oportunidade, e quando você vê a lista não está nela. Então, foi uma surpresa muito grande, e logo em seguida eu fiquei sabendo o porquê que eu não fui, mas não posso falar porque é complicado.

Do tempo em que os jogadores atuavam com a camisa mais larga, bem diferente dos dias atuais, ver Palhinha em campo sendo um centroavante, ficava mais evidente o porte físico franzino de Palhinha, mas nem de longe isso era um problema pra ele. De 1992 até 1996, quando saiu para o Cruzeiro, Palhinha entrou em campo com a camisa do São Paulo 232 vezes, com 71 gols, foi o artilheiro do time no título da Libertadores de 92 com sete gols (conquista que no último mês de junho completou 30 anos), e além do bicampeonato em 93, ainda tem no currículo dois Mundiais, duas Recopas Sul-americanas, uma Super Copa Sul-americana, uma Copa Conmebol e um Campeonato Paulista.

– Então é um privilégio para poucos, a gente vê jogadores que podem passar pelo clube, ficar quatro, cinco, seis anos e não conquistar 1% do que aqueles times de 92, 93 e 94 conquistaram. Você estar marcado por isso, é muito bacana.

Um dos ícones da geração que colocou o São Paulo na prateleira do futebol mundial, capitaneada pelo mestre Telê Santana, Palhinha é mais um entrevistado do Arquibancada Tricolor que rasga elogios ao saudoso treinador. Não é novidade para o torcedor são-paulino que Telê pegava no pé dentro e fora de campo, para que além de render um bom futebol, cuidasse do futuro financeiro. Uma das histórias que Palhinha contou fora da entrevista, é que certo momento ele começou a comprar e vender carro, rendia um bom dinheiro, e Telê achou que ele estava de ostentação, a cada mês com um carro, e lhe obrigava a mostrar a declaração de imposto de renda. Dentro de campo, Palhinha confirmou que não é mito, que o técnico treinava a exaustão fundamentos básicos do futebol.

– Eu ia embora várias vezes pra casa com algodão no nariz pra tirar o sangue talhado, de tanta cabeçada que dava, cruzamentos e cabeçadas, e ele ficava dentro da área junto comigo, porque ele queria ver se eu estava com o olho aberto, se eu estava cabeceando direito. E quando eu fazia gol de cabeça, ele falava: Oh você fez gol foi porque eu estava ali com você te treinando.

Foto: Acervo / saopaulofc.net

Leia na integra a entrevista exclusiva de Palhinha ao Arquibancada Tricolor

AT: Palhinha, você chegou desconhecido vindo do América MG por empréstimo, com as atuações, gols a desconfiança foi superada e o São Paulo te contratou em definitivo. Foi muito difícil esse início?

Palhinha: Muito difícil! Uma que eu nem acreditava que eu estava no São Paulo. Sai do América MG, um clube pequeno naquela oportunidade, ir para o São Paulo campeão brasileiro, foi uma dificuldade muito grande, uma diferença muito grande. E ai no dia-a-dia, nos treinamentos você vai conhecendo seus companheiros, ai as coisas vão mudando, e felizmente foram dando certo, fui aprendendo uma nova maneira de se jogar, de se cuidar, uma estrutura bem diferente, e ai fica menos difícil depois.

AT: Quando você chegou o time tinha algumas estrelas. Quando começou a treinar pensou: Poxa vou jogar com esse cara?

Palhinha: Tinha Raí, Zetti, Muller, Cafu, Ronaldão, eram referências, e aí você chega nesse clube, eles te dão todo apoio, te estendem a mão, colocam a disposição para te ajudar em qualquer situação que você precisa, isso aí já facilita demais, e ai ficou muito mais fácil.

AT: Em 2022 a conquista da Libertadores de 1992, a primeira do São Paulo, completou 30 anos. Você tem noção do tamanho desse feito?

Palhinha: Eu tenho total noção disso porque, quanto valeu a pena fazer tudo que nós fizemos, para que hoje as pessoas saibam quem nós somos vistos de uma forma diferente pelo torcedor são-paulino, pelo clube, a instituição São Paulo nos valoriza muito, então isso é porque você marcou uma trajetória vitoriosa no dentro do clube. E fazer parte da história do tamanho que o São Paulo tem, isso ai mostra que valeu tudo o que você fez, abriu mão de tudo. Para qualquer área do trabalho, se você não abrir mão de muitas coisas para você se aperfeiçoar, ir melhorando você vai perder oportunidade. E felizmente eu tive a felicidade, de estar no São Paulo, nos momentos certos e conquistar as vitórias junto com o clube e ficar marcado na história do São Paulo.

AT: Na Libertadores de 92 você foi artilheiro do time com sete gols, e seu nome foi cantado no Morumbi. Lembra disso?

Palhinha: Ah! Isso é muito bom! Até hoje a gente vai assistir um jogo, vai em algum evento com torcedor do São Paulo, sempre me tratou com muito carinho. Então é um privilégio para poucos, a gente vê jogadores que podem passar pelo clube, ficar quatro, cinco, seis anos e não conquistar 1% do que aqueles times de 92, 93 e 94 conquistaram. Você estar marcado por isso, é muito bacana.

AT: Geração Telê Santana. Todos jogadores que o Arquibancada Tricolor entrevista, falam muito bem dele, os ensinamentos, concelhos, etc. O que tinha diferente no Telê?

Palhinha: O que tinha de diferente dele é que ele era de verdade, não era aquele que falava arroz com você e depois era feijão. Ele era arroz, era arroz mesmo. Um exemplo, ele passa te orientar de todas as formas, o que é bom para você fazer, e o que é ruim, a escolha é sua. Ele falava: olha, não vai nesse lugar, não faz isso, cuida do seu corpo, se alimenta melhor, descansa um pouco mais. E aqueles atletas que perceberam isso rápido, e passaram a investir nessa condição de fazer com que aquela sua situação se mantivesse numa postura profissional, você poderia ter a oportunidade de estar jogando no time. E vários outros com muita qualidade que não seguiram no São Paulo, é porque não seguiram aqueles conselhos. E ele dava bronca em todo mundo, ele cobrava todo mundo por igual, não tinha o Raí que era o Raí, ou, se era o Palhinha que estava chegando, todo mundo era a mesma coisa pra ele. E ai liga aquela luzinha, ou você encaixa ou não encaixa, e essa era a diferença que o Telê tinha, e além do mais, os treinamentos, a forma que ele tinha, te mostrava que dava pra fazer aquilo que ele estava te falando, ele fazia, te mostrava, te dava a segurança que você podia errar, mas tinha que continuar fazendo aquela tentativa que você tinha, e ai ficava fácil porque eu podia errar quantos passes fossem, chutar quantas bolas fossem por cima do goleiro, mas quando a bola encaixava bem saiam os gols de cobertura, os passes diferentes, isso era uma qualidade que ele sempre teve, essas virtude de fazer com que nós acreditássemos que tínhamos a capacidade para aquilo que ele queria.

AT: É mito ou verdade as histórias que o Telê Santana pegava os jogadores que tinham mais dificuldade de passe no início, como Cafú, Pintado, fazia com que eles ficassem chutando bola na parede de longe para acertar um quadrado pequeno?

Palhinha: Isso é verdade! Eu ia embora várias vezes pra casa com algodão no nariz pra tirar o sangue talhado, de tanta cabeçada que dava, cruzamentos e cabeçadas, e ele ficava dentro da área junto comigo, porque ele queria ver se eu estava com o olho aberto, se eu estava cabeceando direito. E quando eu fazia gol de cabeça, ele falava: Oh você fez gol foi porque eu estava ali com você te treinando. E é verdade!

AT: Palhinha, por tudo que você fez naquele período de 1992 à 1995, gols, títulos, ótimos jogos. Faltou a Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos pra você?

Palhinha: Faltou! O problema é eu sei o porque que eu não participei, e eu não posso falar. É duro isso, participei praticamente der todas as convocatórias na fase de Eliminatórias, joguei a Copa América (1993), como titular com a camisa 10 da seleção em Cuenca (Equador), até a penúltima convocação para a Copa do Mundo eu estava, sai no álbum, já estava tudo certo, contrato com as empresas que iriam patrocinar a seleção naquela oportunidade, e quando você vê a lista não está nela. Então, foi uma surpresa muito grande, e logo em seguida eu fiquei sabendo o porque que eu não fui, mas não posso falar porque é complicado.

AT: Você chegou a conversar com Carlos Alberto Parreira depois sobre isso?

Palhinha: Eu estive com o Parreira duas vezes depois disso, mas nunca toquei no assunto com ele porque, ele tem as razões dele, e eu tinha que respeitar as razões dele, não concordei, lógico, não concordo até hoje, mas aconteceu e eu infelizmente fiquei sem ir a Copa do Mundo.

AT: O que o Palhinha faz hoje da vida?

Palhinha: Hoje eu trabalho para uma empresa que chama Duarte Sports, moro na cidade de Marília, e essa empresa tem representações de alguns jogadores de futebol. Eu estava morando fora e o Luiz que é o proprietário dessa companhia, me contratou para poder gerenciar essa empresa, organizar porque tem atleta desde os nove anos de idade até 100 anos de idade, vamos colocar assim (risos), e esse é meu trabalho hoje. Tem os clubes fora do país que administramos, lá em Portugal estou como presidente do clube, e vim para o Brasil para poder dar uma ajustada no que ele precisa na empresa, talvez em breve possa voltar para Portugal, e aí é tudo ver o que vai ser traçado pela frente.

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.
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Rodolfo Passos
Rodolfo Passos
1 mês atrás

Palhinha jogava com a 9 mas NUNCA foi centroavante. Era o armador do time.