Por que jogadores da base são demonizados?

O São Paulo é um dos maiores formadores de atletas no futebol e historicamente, há muitos nomes da base Tricolor que alcançaram sucesso no time principal e em outras equipes do mundo.

A estrutura do CFA de Cotia é amplamente elogiada por diversos profissionais do país e do exterior, comparada e até mesmo colocada como superior a de clubes europeus e de países mais ricos.

Naturalmente, todo esse histórico e estrutura, geram grandes expectativas no torcedor são-paulino e a cada ano, espera-se que tenhamos um novo craque surgindo das categorias de base para melhorar o time principal e futuramente, render dinheiro aos cofres do clube.

Exemplos de sucesso e de cobranças exageradas

Ao longo da história e, antes da existência do CFA de Cotia, o São Paulo revelou e promoveu nomes como Muller, Muricy, Serginho Chulapa, Denílson, Silas, Kaká e muitos outros.

Muller em 1985
Muller em 1985, uma das maiores revelações da história do São Paulo

No entanto, especialmente nos últimos anos, os jogadores promovidos da base tem recebido uma cobrança muito maior que no passado. Muito pela expectativa gerada, sem nem mesmo sabermos se esses jogadores são bons o suficiente, mas com enorme clamor gerado na internet.

Hoje em dia, alguns jogadores fazem bons lances e já são rotulados como craques e possíveis salvadores da pátria, de um clube que acumula fracassos no time principal.

Muitos são lançados à fogueira para resolver jogos, campeonatos ou para serem protagonistas em um clube que acaba queimando etapas de desenvolvimento de jogadores e faz com que parte da torcida, naturalmente, se irrite com os erros e faça cobranças como se fossem veteranos.

O clube que era exemplo na transição de atletas, hoje desaprendeu

A escassez de títulos e bons momentos devido a inúmeros erros de administração e gestores incompetentes nos últimos anos, faz com que o clube procure soluções rápidas dentro de casa.

CFA Cotia
Centro de Formação de Atletas de Cotia – São Paulo FC

Até mesmo por usar muito mal o pouco dinheiro que tem, o São Paulo aposta na base como solução para sair do jejum e acalmar a torcida, mas o efeito acaba sendo inverso.

Justamente pela falta de planejamento e também, a compreensível impaciência do torcedor, podemos lembrar de como alguns nomes foram eleitos os ‘culpados’ por derrotas e toda uma bagagem de problemas acumulados.

Como um amigo comentou outro dia: “Fomos criados na cultura da telenovela, onde sempre há um mocinho e um vilão, então culturalmente, temos que eleger um culpado sempre”.

Injustiçados ou fracos?

Claro que nem todos os atletas que vem da base, serão bons jogadores, mas temos alguns casos que comprovaram que algum erro de gestão, aconteceu.

Kaká em 2003
Kaká em 2003 – Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Na imagem que ilustra essa postagem, temos por exemplo, Kaká, chamado de pipoqueiro por ter se contundido às vésperas de uma decisão perdida para o Corinthians, mesmo quando se destacava como um dos maiores jogadores no país. Pouco tempo depois, eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA quando já estava no Milan.

Rogério Ceni, talvez o maior jogador da história do São Paulo, quase deixou o clube após a Libertadores de 2004, competição em que foi um dos protagonistas e responsáveis por levar o clube às semifinais, foi tachado de amarelão por uma organizada, ganhou chuva de pipocas, ao lado de Luis Fabiano. Campeão de tudo, no ano seguinte.

Rodrigo Caio é outro jogador que vinha tendo más atuações, mas era considerado promissor e foi ‘condenado’ no famoso episódio de Fair Play em uma jogada com o atacante Jô, do Corinthians.

O volante do Manchester United, Casemiro, vitorioso por onde passou, também teve sua saída do São Paulo festejada por muitos. O próprio jogador admite que não teve foco e o mesmo compromisso de hoje, mas e se houvesse um trabalho de gestão mais próximo dos jogadores na época?

Temos o caso do atacante Antony, também no Manchester United, que começa vai ganhando destaque na Europa e disputou a última Copa do Mundo. Campeão da Copinha em 2019, promovido ao time principal, teve boas atuações, ainda tinha a necessidade de desenvolver finalizações e outros fundamentos, mas chegou a ser vaiado em algumas ocasiões.

Recentemente vimos Gabriel Sara e Igor Gomes, muito contestados pela torcida e que foram buscar evolução em outros clubes. Pode ser que se tornem grandes jogadores ou não, mas seguem o mesmo roteiro dos últimos tempos.

Rodrigo Nestor é o novo alvo de boa parte da torcida. Demonstra potencial para se desenvolver, mas é colocado como protagonista para desempenhar uma função que não creio que esteja preparado ainda.

O que fazer então?

Acredito que até mesmo para esse roteiro de trituração de atletas não faça novas vítimas, o clube precisa blindar melhor os jovens que são promovidos e possam completar seu desenvolvimento para agregar algo ao time ou então serem negociados posteriormente, caso não agradem.

Se tudo continuar sendo feito como é, teremos novos nomes sendo queimados antes mesmo de sabermos o que poderiam render. Temos aí o volante Pablo Maia, recentemente considerado como um potencial bom jogador, mas que já é odiado por muitos. O jovem Caio, que ao meu ver, só não foi triturado ainda, pois infelizmente acabou se machucando e passou por cirurgia.

O clube contrata “medalhões” que não resolvem e a bucha sobra para os jogadores de Cotia, inexperientes, em formação e alguns, fracos sim, resolverem como se fossem os protagonistas contratados a peso de ouro.

Aí vem toda a bola de neve que sempre comento nas colunas aqui do Arquibancada Tricolor e redes sociais: Má gestão, gasta dinheiro de forma errada, contrata mal, o time acumula fracassos, a torcida fica brava com razão, foca o alvo em alguns vilões e no outro ano, segue o mesmo roteiro.

Até quando ficaremos nesse looping?

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