Por Ricardo Senna – Redação Arquibancada Tricolor

Cueva é um jogador muito habilidoso, que sabe dar uma dinâmica ao time e suas características são muito benéficas ao time. Peça importante da equipe Tricolor, é hoje o principal articulador de jogadas do time e, com a chegada de Hernanes, passou a ficar menos sobrecarregado nesta função, tendo mais liberdade para movimentação no ataque.

Uma pequena retrospectiva
O peruano de 25 anos, chamou a atenção do São Paulo durante a Copa Libertadores do ano passado, quando atuava pelo Toluca, do México. Este clube foi adversário do Tricolor nas 8as de final do torneio e na visão da diretoria, seria um “Kelvin destro”, servindo como opção no ataque, disputando posição no ataque com Centurión.

Cueva enfrentou o São Paulo nos jogos válidos pelas oitavas de final da Taça Libertadores (Foto: Edgard Garrido/Reuters)

A contratação de Cueva gerou a saída do então diretor de futebol Luiz Cunha, que entendia que o clube deveria priorizar recursos na menutenção do zagueiro Maicon, peça fundamental na disputa da Libertadores até aquele momento, mas foi voto vencido, já que Leco optou pelo aval à contratação do peruano, cuja negociação foi conduzida por Gustavo Vieira de Oliveira.

O calvário
Com a saída de Ganso após a Libertadores, Cueva passou a atuar como meia de criação e teve um desempenho muito bom na reta final do Brasileirão de 2016 e também no Paulistão 2017, além da seleção peruana, quando sofreu uma contusão na partida contra o Uruguai, pelas eliminatórias, justamente quando estava em seu melhor momento e havia sido poupado por Rogério Ceni em um clássico contra o Palmeiras.

Após esta contusão, o jogador que retornou nas semifinais do Paulistão contra o Corinthians, não era o mesmo. Durante sua ausência, o esquema do treinador Rogério Ceni, havia sido minado, mas com seu retorno (para muitos, precipitadamente antecipado), culminou com uma longa má fase do peruano.

O primeiro stress
Quando o São Paulo enfrentaria o Flamengo, ainda no primeiro turno do Brasileirão, o então treinador Rogério Ceni, teria recebido a sugestão da diretoria para não relacionar o peruano, que vinha de más atuações e com comportamento um tanto quanto, displicente e seria negociado. Rogério decidiu confiar em Cueva, que foi titular na derrota contra os cariocas, com nova atuação abaixo de seus melhores momentos.

O então empresário de Cueva (Ronald Baroni), demonstrava interesse em uma saída do jogador, e torceu o nariz quando o São Paulo recusou uma suposta oferta da Turquia para a negociação do meia. Ceni reclamava das inúmeras negociações de peças do elenco e rejeitava a saída do peruano.

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net
Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Pouco antes da partida seguinte, contra o Santos e já sem Ceni, o recém-chegado técnico Dorival Junior treinava a equipe para o duelo contra o Santos, que teria o comando de Pintado, interinamente e planejava colocar Cueva no banco. Quando soube que ficaria na reserva, o peruano simplesmente recusou-se a viajar para Santos, o que gerou insatisfação geral no elenco e comissão técnica (lembram da discussão posterior entre Rodrigo Caio e Cueva?).

A diretoria do São Paulo se mostrava perdida, pois tinha um caso claro de indisciplina, que causava problemas no elenco, mas decidiu punir Pintado, desligando-o do cargo na comissão técnica.

Novo revés?
O tempo passou, Cueva trocou de empresário, passou a ter uma nova postura, até mesmo visando a classificação de sua seleção à Copa, após 36 anos e passou a render mais. Richas no elenco foram minimizadas e com a chegada de Hernanes, o jogador ficou menos sobrecarregado.

O bom momento fez com que o São Paulo reagisse no Brasileirão, deixasse o Z4 e até iniciasse uma briga pela vaga na Libertadores. Cueva voltava a se destacar apenas por seu futebol e embarcaria para disputar a repescagem das eliminatórias da Copa com sua seleção.

Após a histórica classificação do Peru à Copa do Mundo e uma merecida comemoração, com direito a feriado nacional no país, Cueva deveria se reapresentar ao São Paulo na última sexta-feira, mas não apareceu.
Grande parte da torcida se revoltou com o comportamento do peruano, que retornou ao Brasil às 6hs da manhã deste domingo, dia do jogo contra o Botafogo, no qual o São Paulo precisava vencer, para dar adeus definitivamente ao Z4 e ainda ter alguma esperança de chegar à Libertadores. O jogador foi relacionado de última hora, jogou no segundo tempo, mas o São Paulo não saiu do zero no placar.

Punição ou Remissão dos Pecados?
Cueva alegou problemas pessoais para não se apresentar na data em que clube e jogador haviam definido. O presidente Leco, em entrevista antes da partida deste domingo, alegou ser normal o atraso na reapresentação, sem uma menção clara sobre alguma punição.

A omissão e falta de posicionamento de nossa gestão, gera a preocupação sobre como administrarão futuros casos semelhantes. Uma atitude de desleixo com o time e com sua torcida, não poderia passar ilesa, até mesmo para dar exemplo a outros jogadores.

Como comentei acima, é inegável o talento e importância do jogador, porém, é necessário respeito e profissionalismo por parte de Cueva. Nossa equipe sempre criticou o exemplo de Valdívia no Palmeiras, que tem seu talento, mas joga quando tem vontade e prejudicava sua equipe. Não é desejo de ninguém, que o peruano se torne mais um jogador desta classe, por isso a cobrança.

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

É natural que muitos torcedores defendam o jogador e entendam que sua atitude foi normal, mas foi no mínimo, desrespeitosa com quem paga seu salário. Esperemos que a diretoria saiba conduzir o caso, e se, o jogador for punido, que aproveite para entender a grandeza e importância do São Paulo FC.

Apenas para citar um exemplo de interpretação de comportamento em nossa torcida:
Alguns torcedores gritavam que Rogério Ceni não poderia agir como uma figura maior que o São Paulo FC, pois embora tenha sido um M1TO como jogador, era um treinador novo, que nunca ganhou nada para usar o clube do jeito que bem entendesse, certo? Por que então estes mesmos torcedores não utilizam o mesmo argumento quando fala-se de Cueva?

Cueva é importante, não pode ser crucificado, pois o time depende dele também, mas não pode passar isento neste cenário todo, ainda mais porque não é a primeira vez que age de forma insubordinada.

A má montagem do elenco se reflete neste momento em que um torcedor são -paulino vê sua diretoria refém de um jogador que ainda está longe de ser relevante em nossa história.

Foto: saopaulofc.net
Foto: saopaulofc.net

No final das contas, tudo teria sido resolvido muito mais rapidamente, se a gestão do SPFC planejasse e antecipasse problemas. Se fosse mais enérgica quando necessário, e mais humana ao usar o bom senso, talvez muitos outros problemas estivessesm resolvidos.

E você, o que acha deste cenário todo?
Não ofenda outros que pensam diferente de você. Convença e mostre suas razões.

Abraço,