O poucos minutos em campo no sábado foram suficientes para levar Wellington às lagrimas. O volante revelado pelas categorias de base do Tricolor, enfim, pôs fim ao seu drama pessoal e definitivamente está bem e à disposição do clube do Morumbi para fazer seu trabalho. “Estou bem fisicamente, estou 100%. Aqui no São Paulo, para mim não importa jogar 90, 5 ou 10 minutos. Quero ajudar de alguma forma. Estou preparado e pronto. Se o professor Ricardo quiser me colocar, vou dar o meu melhor”, avisou nesta terça-feira, em entrevista coletiva no CT da Barra Funda.

Antes da partida contra a Ponte Preta, a última vez que Wellington havia defendido o São Paulo fora no longínquo 9 de abril de 2014, quando CSA era o adversário. Depois, foi emprestado ao Internacional de Porto Alegre e fez sua derradeira partida dia 24 de outubro de 2015, diante do Joinville. A partir dai, passou a treinar sozinho para cumprir uma suspensão por doping (testou positivo para hidroclorotiazida e clorotiazida) e, prestes a voltar, precisou parar por mais seis meses em função de uma cirurgia no joelho.

“No fim do contrato com o Inter, sonhava em voltar ao Morumbi cheio, eu entrando em campo. Para quem é são-paulino, passar pelo túnel e encarar a torcida de frente…Não há palavras para descrever”, contou, sempre reforçando seu lado torcedor. “Claro que no dia a dia era difícil, recuperar da quarta lesão de joelho, ter passado por doping sabendo que o time estava na Libertadores e eu poderia estar ali. Muitas vezes antes de ir para o Morumbi eu chorava muito em casa, por vontade de estar ajudando de alguma forma ou dentro de campo, desejo de torcedor que quer ver o time bem, escrever história e ser campeão”, continuou.

Toda essa ligação faz total sentido. Wellington passou 12 de seus 25 anos de vida dentro do São Paulo. É o terceiro atleta que mais atuou pelo clube no atual elenco e participou das conquistas do Campeonato Brasileiro de 2008 e da Copa Sul-americana de 2012. “Eu vi o Mundial de 2005 do sofá de casa, emocionado, e falando que um dia levantaria uma taça daquela. Estou batalhando para chegar lá, e isso explica o que o São Paulo representa na minha vida”, revelou, como um verdadeiro torcedor de arquibancada, e sem receio de que suas declarações tragam qualquer prejuízo para sua carreira.

“Sou torcedor, mas também é minha profissão. Fui para o Inter e em todos os jogos eu me entreguei em campo. Se precisasse dar carrinho de cabeça, eu dava. Questão de respeito e honra. Acredito que não fecha nenhuma porta. Não vou contar nenhuma historinha aqui. Sou torcedor, passei por muitas coisas aqui, estou feliz de ter voltado e acredito que outros jogadores não falam para quem torcem por não terem uma identificação tão grande como eu tenho”, opinou, contundente.

Wellington para estar inabalável depois de tantos percalços que a vida lhe impôs. Ao ser questionado se pensou em desistir em algum momento, o jogador logo fez questão de negar qualquer tipo de desânimo e usou o filho de 2 anos e 8 meses para exemplificar todo seu orgulho próprio.

“Isso me tornou mais forte, me formou melhor como homem, como atleta. Tem muitos meninos no grupo que hoje não falam, mas me olham como exemplo. Venho de uma infância difícil, tive muitas dificuldades. O que aprendi no momento de maior dificuldade é que se você abaixa a cabeça para o obstáculo, o momento ruim, é pior. A lição que tiro disso é que vai ser difícil ver meu filho falar que não consegue fazer algo, porque farei questão de contar minha história para ele e motivá-lo. Direi que a dificuldade é um trampolim para a vitória dele lá na frente”, finalizou a nova arma do São Paulo para essa reta final de temporada.


Tricolor se prepara para encarar o América-MG e se aproximar do G6

Veja fotos do treino do São Paulo desta terça

São Paulo volta aos treinos sem Denis, Carlinhos, Hudson e Bruno


Let’s block ads! (Why?)