Renan Teixeira: “Eu tinha condição de fazer parte do grupo (no Tri-Brasileiro)” – Entrevista AT

A história que o futebol reservou na vida de Renan Teixeira, hoje com 37 anos, é daquelas de incentivar qualquer garoto que esteja buscando seu caminho no esporte.

Hoje mais conhecido como Renan do São Paulo, ele pôde jogar, ser campeão, e para um volante de marcação, até fazer gol atuando com a camisa do time de coração, talvez o roteiro idealizado por muitos garotos. O ex-volante revelado pelo São Paulo, fez parte de um elenco que até hoje é lembrado, afinal aquele time de 2005 conquistou o Paulistão, a Libertadores da América e o Mundial de Clubes.

“Faltou um retorno ao clube”

O que talvez não estivesse nos sonhos de Renan, era o não retorno ao clube, após uma saída que foi sua opção para respirar novos ares em 2006, depois disso até 2010, ano que terminou seu contrato com o Tricolor, sempre que retornava após empréstimo recebia a notícia que não estaria nos planos. Segundo o próprio Renan relata, o então Presidente Juvenal Juvêncio, já falecido, não gostava do seu futebol, o que atrapalhou um retorno, tirando sua chance de ser também, campeão brasileiro pelo São Paulo. 

Renan, filho e irmão de são-paulinos que estiveram na final da Libertadores de 1992, a primeira do Tricolor, revela que ficou triste por seu pai não o ter levado para o jogo. Na época, com 7 anos de idade, seria mais um dos 120 mil torcedores que estiveram no Morumbi, mas mesmo assim entende a decisão do pai. Anos depois, estava ele jogando pelo clube de coração, na Libertadores de 2005, título que remete a seu pai já falecido. Renan com a camisa 17, jogou 10 partidas, esteve presente nos duelos das oitavas, quartas e semifinais, e o fato do pai não o ter visto campeão pelo clube no qual torcia, ainda o deixa emocionado.

Amor que vem de berço

O amor pelo São Paulo vindo de berço, passou pelo campo e voltou para as arquibancadas. Ainda jogador profissional, mas sem contrato com o clube do coração, foi flagrado em 2016 assistindo ao Tricolor contra o Trujillanos (VEN), no Morumbi. A situação gerou desconforto com a Portuguesa, seu clube na época, mas Renan é enfático ao dizer que não se arrepende.

Com 79 jogos e um gol marcado pelo São Paulo, esse após cruzamento de Luizão, sendo o segundo da vitória por 5 x 0 no Morumbi contra a Portuguesa Santista, no Campeonato Paulista de 2005, Renan não vê na história recente do Tricolor, a mesma garra que aquela equipe tinha. Como torcedor de arquibancada, ver o clube do coração passando por tantos vexames dentro de campo, e problemas fora dele, é algo que o deixa inquieto, mas acredita que o amor que o Rogério Ceni tem pelo São Paulo, possa ajudar a mudar esse cenário.

Confira a entrevista exclusiva de Renan Teixeira ao Arquibancada Tricolor

AT: Sua história como jogador do São Paulo começou nas categorias de base, com 13 anos de idade. Foi um dos ilustres moradores da parte de baixo das arquibancadas do Morumbi. Fale um pouco desse início no Tricolor.

Renan Teixeira: Eu cheguei no São Paulo no final de 1999, início de 2000, eu tinha 14 para 15 anos, indicação de meu tio que me ajudou pelo treinador da época no sub-15, o Vizoli, que hoje é auxiliar técnico do time principal. Na verdade, eu só fiquei no São Paulo, o Vizoli me ajudou me colocando para fazer o teste com o time principal sub15, não aquelas peneiras com 300 jogadores, então fui direto no grupo do São Paulo para fazer o teste, e o São Paulo na época precisava de lateral direito. Eu já tinha uma certa estatura, era um pouco mais alto do que os outros jogadores, tinha certa noção tática, daí ele perguntou se eu jogava de lateral direito e falei que jogava, se eu já tinha jogado alguma vez de lateral direito, eu falei que sim, mas nunca tinha jogado, e na verdade só passei no teste por causa disso, então eu cheguei como lateral direito. Fiz o teste, joguei na minha posição, mas os jogadores da posição, eram todos da seleção brasileira sub-15, na minha posição de volante, então seria difícil eu ficar nessa posição. Como tinha uma deficiência na lateral direita, acabei ficando por isso, depois de um ano e pouco, é que eu fui indo para a minha posição, primeiro para zagueiro, nas categorias de base na época jogavam com três zagueiros. Eu jogava de libero, e depois já mais no sub-20, que daí era de novo o Vizoli nosso treinador, que ele mudou o sistema para linha de quatro e eu passei a jogar de volante, daí que eu joguei de volante mesmo na Taça São Paulo de 2004, fiz uma boa taça e subi para o profissional. O jogador mais alto, mais forte com certa noção tática e com a técnica minimamente aprovável, o cara acaba ficando, porque era a deficiência na época da categoria, a minha posição de fato não estava precisando desse jogador, aí o Vizoli deixou eu ir fazer o teste pela amizade com meu tio, e o Vizoli já falou outras vezes pra mim, que de fato eu fiquei no São Paulo por causa da posição específica da lateral direita.

AT: Quem já viu foto sua nas arquibancadas do Morumbi literalmente como torcedor, talvez não saiba que a sua relação com o São Paulo começou quando você era criança. Como se iniciou esse amor pelo São Paulo?

Renan Teixeira: Eu sempre fui são-paulino, minha vida inteira, ia ao Morumbi desde os meus cinco anos de idade, com meu pai, irmão, primo, enfim, não é uma coisa que começou depois que eu cheguei no São Paulo. Eu fiz questão de, enquanto jogador, enquanto atleta do São Paulo, que a torcida não soubesse que eu era são-paulino, pra não ficar uma falsa admiração, gostaria que a torcida gostasse de mim pelo meu trabalho, não por eu ser são-paulino. “Ah ele é são-paulino, deixa ele aí, pelo menos vai jogar com vontade, porque ele ama o time”. A torcida do São Paulo de fato veio a saber que eu era são-paulino, depois já que eu sai, aquele episódio que eu fui visto ainda profissional, jogando pela Portuguesa, fui visto na arquibancada, no jogo da Libertadores torcendo para o São Paulo. Eu já estava fora do clube, não tinha nem contrato com o São Paulo, aí sim que a torcida do São Paulo ficou sabendo que eu era são-paulino.

Renan na arquibancada do Morumbi em jogo do São Paulo com torcedores

AT: Sobre o episódio da Portuguesa você se arrepende?

Renan Teixeira: Não! Pelo contrário, não me arrependo de ter ido no jogo não, faria outras vezes, fiz outras vezes, mas não foi exposto, jogando por outros clubes também. Mas assim, o pessoal quer ficar procurando onde não tem, alegaram que foi desrespeito da minha parte, eu não deixei de treinar, não deixei de jogar, não deixei de ir a um trabalho da Portuguesa, pra ir assistir a um jogo do São Paulo, foi um momento de folga. No momento de folga todo mundo faz o que quer, uns vão no cinema, no teatro, outros vão em qualquer lugar, meu prazer é ir ver o São Paulo no Morumbi. Então isso ai não é desrespeito, na minha opinião desrespeito é estar com cinco meses de salário atrasado, chegar de manhã para treinar, não ter café da manhã, treinava de barriga vazia, muitas vezes eu passava na padaria e comprava pão com manteiga para os meninos comerem alguma coisa antes do treino. Isso para mim é desrespeito, entendeu? Houve uma inversão de valores, eles ficaram magoados porque eu sou são-paulino? Espera ai! Os 30 jogadores que estão hoje na Portuguesa, eles são torcedores da Portuguesa? Nenhum! O mundo é, e o futebol ainda mais, uma hipocrisia danada, uma falta de ética, não da minha parte porque não faltou, quanto ao meu trabalho, meu profissionalismo. Eles estavam em um momento de instabilidade, a questão administrativa, de gestão completamente perdidos, e me usaram como bode expiatório, e a torcida também que é muito pequena, mas consegue fazer seu barulho no Canindé, foi isso que aconteceu.

AT: Você chegou a fazer gol pelo São Paulo?

Renan Teixeira: Eu fiz no Campeonato Paulista que nós fomos campeões, contra a Portuguesa Santista, ganhamos de (5×0), era o Ronaldo Giovanelli o goleiro na época, nesse jogo quase fiz dois, chutei uma de fora da área, ele pegou, e no segundo tempo, o Luizão cruzou da esquerda e eu na pequena área fiz o gol. Guardo muito com riqueza de detalhes, um momento único né cara, você fazer um gol no Morumbi, pelo clube que você ama, não tem preço. São ocasiões muito especiais, muito especificas que você não tira da cabeça de forma nenhuma.

AT: Seu pai, o Milton Teixeira, que hoje mora no céu, e seu irmão, acompanharam a final da Libertadores de 92. Ele não quis te levar, já que você era muito novo. Anos depois você conquista pelo São Paulo esse título. Além da importância de um título na carreira de um jogador, o que representa pra você a Libertadores de 2005?

Renan Teixeira: Infelizmente meu pai não presenciou em vida esse meu título pelo São Paulo, nenhum, nem o Paulista, nem o Mundial, mas o pensamento em todo momento estava nele, porque ele quem me ensinou a ser são-paulino, ele que me ensinou a amar o São Paulo. Meu irmão é 13 anos mais velho que eu, então na final da Libertadores de 92, mais de 100 mil pessoas, ele não me levou, porque eu era novo ainda tinha sete anos, teve aquela invasão no campo, meu irmão invadiu também, eu fiquei triste de não ter ido nesse jogo. Mas tudo aquilo que aconteceu em 2005, passou na minha cabeça, na minha mente, se meu pai estivesse ali presencialmente. Ele viu tudo de onde ele está, e com certeza se emocionou, ficou muito feliz por mim, muito orgulhoso, dos meus companheiros, do clube que ele ama, mas eu queria que ele estivesse ali, ter dado um abraço nele, que tivesse por um minuto segurado o troféu da Libertadores, mas infelizmente Deus não quis assim, e depois o Mundial também, a chegada no Morumbi, eu imaginando ele estar me esperando, mas enfim ele é muito orgulhoso do filho dele com certeza.

AT: Renan, você é cria da base, foi um bom jogador de marcação, fez parte de um time que entrou para história, com Paulista, Libertadores e Mundial em 2005, jogou com grandes estrelas, e a torcida sempre gostou do seu futebol. Depois você rodou por diversos clubes. Faltou um retorno ao Morumbi?

Renan Teixeira: Faltou! Na minha opinião, eu tinha condição de fazer parte do grupo, entenda bem torcedor Tricolor, eu tinha condição, de pelo menos um dos três títulos do Tri-Brasileiro, de fazer parte do grupo. Não estou falando que eu tinha que ser titular, não, nada disso. Mas, eu tinha condição de fazer parte do grupo eu tinha. Eu sai emprestado, jogava e era titular, em clubes grandes de série A, em muitas ocasiões até capitão do time, só que não servia nem para fazer parte do plantel do São Paulo. Isso pra mim, sempre soou muito esquisito, estranho, mas a volta tenho certeza absoluta que eu poderia ter feito parte de pelo menos um dos três brasileiros eu tinha condição com certeza.

AT: Nunca houve uma negociação, algo que pudesse aproximar você do São Paulo?

Renan Teixeira: Sempre sai emprestado do São Paulo, até 2010 eu era do São Paulo, aí a gente desvinculou de vez, no fim de 2010, a partir de 2011. Mas de 2006 até aí, eu sempre fui emprestado, e sempre ao fim dos empréstimos, eu voltava para o CT e sempre aquilo, “você não faz parte dos planos, fala para seu empresário arrumar clube”. E como eu tinha jogado no ano anterior, por exemplo, 2006 joguei o brasileiro pelo Juventude, fizemos um ótimo Campeonato Brasileiro, 2007 o Paulo Autuori me levou para o Cruzeiro e no meio de 2007, fui emprestado para o Al-Ittihad da Arábia Saudita, o time que a gente jogou na semifinal do mundial, sempre emprestado e jogava bem, mas nunca tinha espaço no plantel do São Paulo. E o meu desejo inicial, a primeira saída do São Paulo, eu quis sair, prefiri sair, viver novos ares, como profissional, não pensando no amor no clube, mas quis sair, precisei sair, pelo fato de ter que me sentir importante para o clube, pra voltar mais forte, com mais moral, com maiores expectativas, mas nunca foi o que aconteceu.

AT: Nas conquistas que formaram o Tricampeonato, o Muricy Ramalho era o treinador. Você chegou ter uma conversa com ele, ou foi algum diretor que te barrou?

Renan Teixeira: O meu problema, e várias pessoas de dentro do São Paulo me falaram, sempre foi o Juvenal (Juvenal Juvêncio ex-presidente já falecido), o Juvenal que não gostava do meu futebol, não gostava de mim como jogador e não me queria lá. Nunca foi problema com treinador, no inicio de 2010 quando eu voltei, estava treinando bem, o Hernanes falava, o Miranda falava, pô Renan, fica tranquilo ai, fica quietinho, só trabalha que daqui a pouco você vai ter a oportunidade, e era o Ricardo Gomes o treinador, e ele falou: “olha Renan, melhor você procurar alguma coisa, você tem uma rejeição por parte da diretoria muito grande, melhor você seguir sua carreira, nada contra você, tem treinado muito bem, tem se dedicado muito, tem trabalhado muito”. Só que é uma coisa que foge do meu contexto, você não é titular absoluto, não é o primeiro reserva, então é um jogador que faz parte do plantel porque tem contrato com o São Paulo, mas infelizmente, são coisas que fogem do meu controle, então, segue a sua vida. Foi daí que eu fui emprestado para o Guarani em 2010 e acabou meu contrato com o São Paulo, desvinculei de vez e segui a minha vida, sem mais ser jogador do São Paulo.

AT: As vezes faltou um pouco de respeito com a sua história.

Renan Teixeira: Quero deixar bem claro, o Juvenal, já é um cara que não está mais nem entre nós, é difícil a gente ficar falando sobre isso. Por isso que você falou, pela história, por exemplo, o Renan foi emprestado pelo Juventude e não jogou, eu joguei todos os jogos daquele campeonato, inclusive os contra o São Paulo, no primeiro ano não tinha a cláusula no contrato que eu não podia jogar contra o São Paulo. No Cruzeiro, fui seleção do Campeonato Mineiro em 2007. Em 2008 fui para o Vitória, capitão, o treinador era o Vagner Mancini. Então você fica pensando assim, caramba, eu jogo, entendo de futebol, estou vendo. E não tenho condições de fazer parte do plantel? Eu sabia que eu tinha condição. E essas coisas que enfim, mas já é passado, fica uma pontinha de frustração, por não ter no meu currículo, pelo menos um dos três brasileiros, mas prefiro hoje me apegar às coisas boas que o São Paulo me deixou, ao sobrenome que o São Paulo me deixou. É o Renan do São Paulo, joguei em 10 clubes depois do São Paulo, e sou lembrado, fiquei lembrado como Renan do São Paulo.

AT: Você jogou, conviveu e pode aprender com o Rogério Ceni. Como companheiro e torcedor, o que ele representa? E o que ele pode agregar hoje como técnico?

Renan Teixeira: Falando primeiro como companheiro do Rogério enquanto atleta. O Rogério, eu tive a grande sorte de no inicio da minha carreira profissional, ter do meu lado no vestiário um cara como o Rogério. Eu pude aprender muito sobre liderança, logo no começo da minha carreira, sempre tive esse espírito de liderança, você está do lado do Rogério, do Lugano, do Júnior, do Amoroso, do Luizão, o aprendizado triplica em não sei quantos anos. E o Rogério ele sempre se destacou por ser o exemplo do nosso time, o Rogério era nosso líder, exemplo, não líder de falar, mas falava pra caramba, cobrava, como ele faz hoje. Mas ele dava o exemplo, ele literalmente era o primeiro a chegar, e o último a sair, era o que mais treinava, era o que sabia tudo de bastidores, se preocupava com detalhes que jogador nenhum no mundo se preocupa, então ele era um líder e um cara que viveu o São Paulo, como ninguém nunca viveu em clube nenhum. O Rogério é a cara do São Paulo, é a alma do São Paulo, ele vive o São Paulo.

AT: Com toda essa história, o que ele pode agregar hoje como técnico?

Renan Teixeira: Agora como treinador, estou gostando muito do trabalho dele, só ele, não tem outra pessoa no planeta Terra que possa mostrar para esses jogadores o tamanho do São Paulo, a energia do São Paulo, a energia do Morumbi, a atmosfera que é o Morumbi. Eu lembro muito bem, quando a gente jogava, ele falava: olha aí 70 mil pessoas, nós temos que fazer esses caras saírem daqui hoje, se sentindo as pessoas mais felizes do mundo. E era isso que a gente fazia, essa atmosfera mudar, e mudava até para o adversário, que quando tinha que jogar com a gente no Morumbi falava: “não acredito tem que jogar com o São Paulo no Morumbi, 0 x 0 é goleada”. Porque era uma energia diferente, coisa que não tem acontecido nos últimos anos, em um passado recente, a gente tem perdido, com todo respeito, a gente tem perdido para o Mirassol, a gente tem perdido para times de menor expressão, de pouco prestigio, que vem no Morumbi e não respeita mais o São Paulo, e isso não pode acontecer. E um cara que pode mostrar que pode ensinar isso, é o Rogério, já está mostrando, está diferente a atmosfera do Morumbi, o embalo da torcida. O Rogério simplesmente na minha opinião, um jovem de 37 anos, ele é o maior jogador da história do São Paulo, estou dizendo com torcedor, não como ex-companheiro, não vejo um jogador com mais história no São Paulo do que o Rogério. Por títulos, por ser um goleiro que fez mais de 100 gols pelo clube, são vários motivos e eu poderia ficar falando aqui, demonstrando que o Rogério é o maior ídolo e jogador da história do São Paulo.

AT: O Rogério pode voltar a fazer o São Paulo a ser vencedor?

Renan Teixeira: Só ele pode mudar esse passado recente de derrotas, vexames, não só derrotas, mas vexames, a gente quer ver o time campeão, mas a gente quer ver o time todo ano na Libertadores, batendo todo ano no top 4 do brasileiro, que é uma coisa que se espera de um time do tamanho do São Paulo. Ser campeão ou não, é um detalhe importante obvio, mas é um detalhe, é um escorregão, é isso, aquilo pra você ser campeão da Libertadores, ser campeão Brasileiro, pra ser campeão da Copa do Brasil, um torneio que o São Paulo não tem ainda na história e quem sabe consiga com o Rogério como treinador. E essa mudança não é só no futebol, de dentro do campo, é de fora do campo também, é na parte de gestão, na parte administrativa, e há alguns anos, é muito, vendo de fora, muito bagunçado, muito duvidoso, sem uma convicção de um trabalho, vamos dizer assim. Coisa que a gente tinha muito na nossa época, saia um jogador, era contratado outro especifico para aquela posição, não saia contratando a rodo, contratar dez, eram contratações pontuais, salários em dia, com a condição de trabalho de estrutura que era a melhor do Brasil, jogadores da Europa vinham se tratar no REFFIS, jogador do Real Madrid, Lyon, Bayer Leverkusen, brasileiros se machucavam lá, vinham se tratar no REFFIS. Porque? Porque era o melhor do Brasil, quem sabe, do mundo. Agora o Rogério me fala que a piscina estava com cadeira e mesa, aí a conta não fecha. São vários fatores dentro do campo e fora do campo que fazem com que as vitórias aconteçam, que as coisas caminhem. Na nossa época você acha que não tinha briga lá dentro? Tinha briga pra c… mas briga pela vitória, com respeito, não tinha vaidade, não tinha biquinho, era todo mundo remando para o mesmo lado, e é isso que algum tempo a gente não vê no São Paulo, a gente vê muita picuinha, jogadores insatisfeitos, muita vaidade, não pode ter vaidade, time campeão não pode ter vaidade, time campeão sofre, sente a dor do companheiro. Então é isso que na minha opinião tem faltado para o São Paulo.

AT: Renan, hoje você já um jogador aposentado, e acho que até parou cedo. Pensa em trabalhar no futebol? O que anda fazendo da vida?

Renan Teixeira: Penso sim em trabalhar com o futebol, já estava inclusive fazendo alguns cursos, só que a pandemia deu uma paralisada, deu um pause, vamos dizer assim, a parte financeira porque os cursos são muito caros, apareceram outras oportunidades de ganhar dinheiro na pandemia, e foi ai que eu corri, porque apesar de eu ter um sonho de trabalhar na área técnica do futebol, minha família, meus filhos precisam continuar comendo. O Renato, o Mauro Silva, o pessoal da Federação Paulista, eles ajudam muito em relação a isso, com cursos e eu quero continuar fazendo, mas é isso que eu pretendo para meu futuro, falando de futebol. A questão de eu ter parado cedo, parei com 34 anos, tinha em mente desde o começo como objetivo de jogar até os 35, o que viesse depois disso era lucro. Você chega em uma fase para o jogador, na carreira de futebol, que ele ganha pouco, não recebe em dia, jogadores da minha condição, onde eu estava jogando, gente enchendo o saco, falei pô acho que é hora de parar, hora de dar o passo seguinte na minha vida, que acaba a carreira de jogador, você começa a vida, com 34 anos é jovem para mundo, não para o futebol, e decidi parar e sem frustração nenhuma, fiquei feliz com a vida que eu tive, com a carreira, com a dedicação, amor no meu trabalho dentro do futebol, vamos viver novas experiências e novas vitórias na vida.

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