Por mais que tenhamos uma identificação muito grande com o Uruguai, devido a grandes ídolos terem passado por aqui como Dario Pereira, Pedro Rocha, Lugano e Forlan, poucos se lembram que o São Paulo Futebol Clube é uma equipe que sempre contratou argentinos para defender o seu manto Tricolor.

Tivemos diversos argentinos vestindo a nossa camisa, mas nomes como Poy, Albella, Renganeschi e o grande craque da história do Independiente, Antonio Sastre, fizeram o Tricolor do Morumbi ser uma equipe vitoriosa e este tópico tem a intenção de resgatar esta memória.


José Poy

Jose poy, o primeiro jogador a pisar no gramado do Morumbi

Foi um goleiro tão seguro que teve seu nome cotado para seleção brasileira da copa de 1954, mesmo sendo argentino.

A imprensa pressionou, os dirigentes chegaram a consultá-lo sobre a eventual naturalização, mas a idéia acabou não dando certo. Quando tinha 19 anos, o goleiro argentino Jose Poy jogou uma partida contra o São Paulo no Pacaembu.

Foi em dezembro de 1945 e o jovem goleiro do Rosário Central atuou muito bem naquele empate de 2 x 2. Além da agilidade, da atenção e da seriedade, o que impressionou os dirigentes tricolores foi a total ausência de vedetismo naquele garotão.

Em 1948, enfim, o SPFC conseguiu contratá-lo. Poy ficou mais de um ano só treinando – o que demonstrava ser uma tradição jogadores demorarem a se adaptar ao tricolor.

Diariamente, ele dava duro nos treinos sabendo que um dia sua chance chegaria. De fato, em 1950 ele se apossou da camisa 1 e por treze anos consecutivos foi titular absoluto.

Disciplinado e humilde, obstinado pela boa forma física, José Poy atuou em 565 partidas pelo São Paulo. Foi técnico do time diversas vezes de 1963 a 1983, tendo sido campeão paulista em 1975, vice-nacional em 1971 e 1973, vice da libertadores em 1974 e vice paulista em 1982.

Indicou também ao SPFC, inúmeros jogadores que tiveram grandes atuações em nosso time. Exemplo disso é o atacante França, o zagueiro Edmílson e o atacante Edu, vindos do XV de Jaú, sendo que os 2 últimos foram vendidos no ano de 2000 por um valor muito satisfatório.

Além de jogador, técnico e olheiro do SPFC, foi também o maior vendedor de cadeiras cativas do Morumbi, ajudando e muito na realização do sonho do estádio tricolor. Para sempre estará em nossa história como um dos homens que mais amaram o tricolor.

Nome completo: José Poy
Jogos disputados pelo SPFC: 565
Data de entrada no clube: 01/07/1949
Data de saída: 30/04/1962
Gols sofridos no SPFC: 723
Nascimento: 16/04/1926 em Rosário – Argentina
Falecimento: 08/02/1996 em São Paulo
Títulos conquistados no SPFC: Campeão Paulista de 1953 e 1957
Outros clubes em que atuou: Rosário Central da Argentina, antes do SPFC.


Renganeschi

Herói no único título paulista invicto do Tricolor

Renganeschi consagrou-se como ídolo do SPFC por dois motivos: porque era um zagueiro clássico, seguro e raçudo e por ter exercido essa raça em um lance importantíssimo, que deu o título paulista de 1946 ao SPFC.

Machucado, ele apenas fazia número já que naquela época não se permitiam substituições. Mesmo assim, arrastando a perna, fez o gol da vitória sobre o Palmeiras por 1×0.

Foi técnico das divisões menores em 1950 e 1951 e foi técnico dos profissionais em 1958.

Nome completo: Armando Federico Renganeschi
Jogos disputados pelo SPFC: 107
Data de entrada no clube: 05/07/1944
Data de saída: 31/12/1948
Gols marcados no SPFC: 1
Nascimento: 10/05/1913 em Bueno Aires – Argentina
Títulos conquistados no SPFC: Campeão Paulista de 1945, 1946 e 1948
Clubes em que atuou: Fluminense e Jabaquara.


Sastre

Sastre
Sastre, um dos maiores jogadores argentinos de todos os tempos

Antonio Sastre é um dos grandes jogadores da história do SPFC, aonde chegou já perto dos 33 anos. Antes de brilhar no nosso time, ele brilhou no Independiente. Sua liderança foi fundamental na fase em que o São Paulo realmente se transformou em time de ponta, ganhando os campeonatos paulistas de 43, 45 e 46.

Além do mais, é nosso recordista de gols num jogo só: fez seis na goleada de 9 a 0 na Portuguesa Santista em 1943. E dizer que quando o tricolor o contratou zombavam que seria um desastre.

Em 1943, o excelente São Paulo precisava apenas de mais um jogador para disputar o campeonato paulista. Um jogador inteligente, técnico, cerebral, enfim, alguém que impulsionasse o time dentro de campo.

O nome do argentino foi lembrado. Mas, até que ele se tornasse um ídolo tricolor, muita coisa aconteceu. Primeiro, quase toda a imprensa paulista, torcida, e até dirigentes do clube não aprovaram sua contratação.

O maestro já estava com 32 anos e “em fim de carreira”, diziam. Depois, o próprio Independiente, de Buenos Aires, não queria vendê-lo. Mas, com a interferência do cônsul brasileiro na Argentina e a habilidade de alguns dirigentes, as dificuldades foram contornadas.

Sastre em espanhol significa “alfaiate”, e parece que com a mesma destreza de um alfaiate, o SPFC conseguiu o jogador que queria, ajeitando ainda mais a máquina tricolor que dominaria os anos 40. Ele estreou no São Paulo contra a Portuguesa de Desportos: perdeu de 3 x 1, num jogo medíocre.

Mas, jogador incomum, talentoso e de jogadas imprevisíveis, ele logo mostrou que sua maturidade e talento continuavam intactos. na tarde de 14 de agosto de 1943 num jogo contra a Portuguesa Santista pelo segundo turno do campeonato paulista, marcou seis dos nove gols marcados pelo São Paulo, na goleada de 9 x 0. Estava coroada sua contratação.

El Maestro deu ao São Paulo os títulos de campeão paulista de 1943 e de bicampeão em 1945 e 1946, despedindo-se dos campos brasileiros em 15 de dezembro de 1946, numa partida contra o River Plate, da Argentina, no Pacaembu. A festa foi toda para ele e seu belo futebol, que levou o São Paulo a conquistar três título em quatro anos.

Nome completo: Antônio Sastre
Jogos disputados pelo SPFC: 129
Data de entrada no clube: 01/04/1943
Data de saída: 18/12/1946
Gols marcados no SPFC: 58
Nascimento: 27/04/1911 em Buenos Aires
Falecimento: 23/11/1987
Títulos conquistados no SPFC: Campeão Paulista de 1943, 1945 e 1946
Outros clubes em que atuou além do SPFC: Independiente (antes do SPFC)


Albella

Albella
Albella, “El Atômico”, foi campeão paulista em 53

O argentino Gustavo Albella veio de contrapeso na contratação de seu compatriota Moreno, em 1952. Mas foi quem deu certo.

Mais: veio como centroavante e consagrou-se como meia, formando dupla com Gino no time campeão paulista de 1943. Ganhou o apelido de El Atômico porque fazia jogadas inesperadas.

Dava a impressão que ia cair, mas, como se tivesse molas, reerguia-se e fazia a torcida vibrar. Seu corpo espigado, grande, amedrontava os adversários.

Nome completo: Gustavo Albella
Jogos disputados pelo SPFC: 81
Data de entrada no clube: 01/06/1952
Data de saída: 11/02/1954
Gols marcados no SPFC: 47
Nascimento: 22/08/1925 em Alta Gracia, Argentina
Título conquistado no SPFC: Campeão Paulista de 1953
Outros clubes em que atuou: Banfield (antes do SPFC)


Recentemente, tivemos passagens de alguns jogadores argentinos no Tricolor. Uns com mais destaque e outros nem tanto, mas alguns deles poderiam ter feito história se ficassem mais tempo ou algumas circunstâncias mudassem:

Lucas Pratto

O atacante argentino ficou pouco tempo no São Paulo, mas seu estilo brigador e com grande raça para marcar gols, deixou saudades em muitos torcedores que sofrem hoje com a falta de produtividade no ataque Tricolor.

Lucas Pratto deixou o São Paulo para voltar ao seu país e conquistou vários títulos com o River Plate, sendo cogitado à seleção para a Copa do Mundo.

Edgardo Bauza

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Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

Bicampeão da Libertadores com a LDU e o San Lorenzo, Edgardo Bauza chegou ao São Paulo em 2016, onde fez 47 jogos e venceu 16, levando o time até a semifinal da Libertadores do mesmo ano.

Com uma equipe que tinha Ganso e Calleri em bom momento, o São Paulo começou a Libertadores de forma oscilante, mas foi se firmando ao longo da campanha e por erros de arbitragem e algumas falhas individuais, ficou de fora da final e possível tetracampeonato.

Após a participação na Libertadores e um momento de oscilação no Brasileirão, Bauza acertou um acordo para comandar a seleção Argentina.

Hernan Crespo

Foto: Reprodução / São Paulo FC

Precisamos colocar neste mural o nome do treinador que tirou o São Paulo do jejum de títulos com a conquista do Paulistão sobre o Palmeiras.

Hernán Crespo chegou após conquistar a Copa Sul-Americana com o modesto Defensa y Justicia, mostrou que poderia fazer história como treinador, da mesma forma que fez como um exímio atacante.

Com 86 dias de trabalho forte junto de sua comissão técnica, o treinador liderou uma equipe abalada pela perda do título Brasileiro da temporada anterior à melhor campanha do estadual, invicto nos clássicos e batendo um forte rival que era o atual detentor do troféu.

Depois de uma campanha ruim no Brasileirão, por uma série de fatores, Crespo deixou o São Paulo e seguiu rumo ao Al-Duhail.

Jonathan Calleri

O atacante que chegou discretamente do Boca Juniors conquistou a torcida, tornando-se o maior artilheiro do Tricolor em uma mesma edição da Libertadores da América, com nove gols.

Em todas as janelas de transferência, seu nome era cogitado para retornar ao ataque do Tricolor, e depois de 5 anos, ele voltou e é uma das principais figuras do time do São Paulo.

“OOO Toca no Calleri que é gol!”, a música mais cantada pela torcida do São Paulo reflete o desempenho de Jonathan Calleri no Tricolor.

Podemos dizer que o São Paulo FC é um clube com fortes raízes sul-americanas!

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42 anos, paulistano, são-paulino e um dos criadores do Arquibancada Tricolor. Apaixonado por Formula 1, Futebol, boa música e tecnologia!