São Paulo acumula vergonhas
Foto: Fernando Roberto/Ag Futpress

A goleada de ontem no Allianz Parque não representou um ponto fora da curva no São Paulo dos novos tempos. Acuado, o time assistiu ao rival jogar e impor um dos maiores vexames de uma final de Campeonato Paulista. Um Tricolor completamente irreconhecível propiciou ao torcedor uma experiência trágica e esquecível, mas não incomum para uma instituição que se acostumou a brigar pela mediocridade; é que, há alguns anos, esse é o arquétipo do São Paulo.

O são-paulino foi obrigado a contemplar, além do não futebol da equipe, o rival mais uma vez levantar uma taça. Do outro lado do muro da Barra Funda, elas estão empilhadas aos montes de 2014 para cá. No espaço oposto do muro, acumula-se vergonhas que não são poucas. Enumerá-las é trazer mais uma tortura ao tricolor que lê esta coluna. Mas não custa citar algumas, en passant: maior derrota da história do Morumbi, para o Inter; eliminação para o Mirassol; eliminação na pré-Libertadores; derrota para o Binacional na Libertadores; perda de um Brasileiro com 7 pontos à frente; lutas pelo rebaixamento e o 4×0 de ontem. São algumas, apenas.

Veja bem: perder do rival verde na atual circunstância não é nenhum demérito; um torcedor razoável sabe que o São Paulo de hoje é incomparavelmente inferior. Eles se estruturaram, injetaram dinheiro, investiram pesado. Enquanto isso, o Tricolor se tornou, paulatinamente, uma piada sem dó dos rivais, obsoleto em todos os sentidos. Até mesmo o modesto 4 de Julho esboçou cutucadas nas redes sociais. Os tempos são outros, mas a instituição e a história seguem intactas. A goleada de ontem foi uma sangria na memória delas. E ser humilhado da forma que foi, sim, é inadmissível.

Extremamente endividado, o clube busca em Cotia seu refúgio para tentar algo diferente e injetar ânimo em uma instituição que se arrasta. O próprio técnico já declarou que a meta do ano é alcançar um glorioso sexto lugar no Brasileirão – nada mais consolador para um hexacampeão. A realidade, meus caros, é dura e distante do passado em que incomodávamos. O Clube da Fé, que um dia fez uma moeda cair de pé, tende a se acostumar com sextas posições e goleadas arrebatadores. Enquanto o pensamento for de conformismo, seguiremos assistindo aos rivais empilhando taças. E será justo, infelizmente.

O 4×0 não foi nada. Afinal, o que é um arranhão para quem está onde estamos?! Sigamos.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.