Telê Santana no Roda Viva de 1992
Foto: Reprodução Youtube

Navegando pelo Youtube na última semana, fui presenteado pela recomendação da entrevista do técnico Telê Santana ao Roda Viva da TV Cultura em 1992.

Não conhecia tal entrevista e sequer imaginaria que a mesma estaria a poucos cliques de distância, com uma qualidade muito boa! A ideia desta matéria não é fazer um resumo da mesma, mas sim elencar alguns pontos curiosos, quase 30 anos depois.

A entrevista

A entrevista ocorreu na segunda-feira, 22 de junho de 1992, um dia depois do empate contra o Vasco (2 a 2) no Morumbi, e na semana seguinte após a conquista da inédita Libertadores da América (17/06).

Foto: Reprodução Youtube / TV Cultura

O Roda Viva era comandado na época pelo jornalista Jorge Escosteguy e contou com os seguintes convidados para a entrevista: Roberto Benevides, colunista de esportes do jornal O Estado de S. Paulo; Osmar Santos, comentarista de esportes da Rádio Globo; Sérgio Sá Leitão, editor de esportes da Folha de S. Paulo; Roberto Bascchera, repórter do Jornal do Brasil; Luis Alberto Volpe, editor de esportes da TV Cultura; Sidney Mazoni, sub-editor de esportes do Jornal da Tarde; Roberto Avallone, diretor de esportes da TV Gazeta, e Wilson Ferreira Junior, repórter da Rede OM de Televisão.

Fama de pé-frio

Os jornalistas perderam muito tempo debatendo se Telê era ou não pé-frio! Telê naquele momento era campeão Brasileiro (1991), Paulista (1991) e da Libertadores (1992), fora o vice-campeonato Brasileiro de 1990! O âncora Jorge Escosteguy entrou neste assunto e depois Roberto Bascchera seguiu com este assunto, que infelizmente não agregou em nada a entrevista.

Outro assunto muito debatido foi sobre a fama de pão-duro de Telê, que se saiu muito bem nas perguntas!

Por que o Brasil não é mais capaz de gerar jogadores inteligentes e técnicos?

O comentarista Sergio Sá Leitão colocou um ponto importante para Telê: “Por que o Brasil não é mais capaz de gerar jogadores inteligentes e técnicos? O que acontece no meio do caminho que essas gerações se perdem?“. Ou seja, aquilo que reclamamos hoje, já era ponto de discussão em 1992.

Telê citou a falta de treinamento na base, pois para ele, o jogador tem que chegar ao time profissional com as seguintes qualidades: dominar a bola, passar a bola, saber bater na bola e cabecear. Telê voltou a bater na tecla várias vezes que isso tem que ser ensinado e treinado na base e lembrou que mesmo na Seleção recebia jogadores com deficiências técnicas.

A violência das torcidas

O editor de esportes Sidney Mazzoni perguntou a Telê, se ele teria coragem de levar seus netos para ver uma partida de futebol, em uma época onde a violência das torcidas organizadas aumentava cada vez mais. Telê foi enfático ao dizer que teria receio de levar a sua família para um campo futebol, pois era algo realmente perigoso.

28 anos depois, quem ainda não sofre com isso, mesmo em uma época onde os clássicos são disputados com torcida única?

Carinho com o gramado e a invasão de 92

Todos sabem do carinho que Telê Santana tinha do gramado, não só do Morumbi, mas também do CT da Barra Funda. O repórter Wilson Ferreira Junior imaginou que Telê havia ficado uma fera com a invasão da torcida após a conquista do título da Libertadores na semana anterior, mas poucos esperavam que Telê daria esta resposta:

Não, ali valia tudo. Um dia antes, o senhor que toma conta do campo me perguntou: “O que você acha? Amanhã, se nós ganharmos, devo abrir o estádio para todo mundo entrar?” E eu disse: “É claro que tem que abrir. É uma festa que tem de ser feita, porque é um título inédito para o São Paulo.” Então, tem que abrir, independentemente se vai estragar campo.”, respondeu Telê.

Foto: Reprodução Youtube / Rede OM

O lateral Vitor e suas “dores”

Um trecho muito curioso da entrevista foi a pergunta do narrador Osmar Santos sobre o lateral-direito Vitor, que para ele tinha tudo para ser um craque.

Telê foi enfático ao responder que só dependeria do Vitor, pois em 1991 ele seria aproveitado, mas aparecia cheio de “dores”… Toda vez era uma dor nova e que não permitia que Telê o aproveitasse… Eis que o Mestre mandou o lateral ir pro Morumbi, morar junto com os demais garotos da base, bem longe das mordomias da Barra Funda.

Vitor conseguiu dar a volta por cima, voltou para o CT da Barra Funda e foi o titular da final do Mundial contra o Barcelona, em 13 de dezembro daquele ano. Depois disso, Vitor ainda venceria as Libertadores 1993 (São Paulo), 1997 (Cruzeiro) e 1998 (Vasco), além de ter saído do São Paulo para o Real Madrid em 1993.

Foto: O Curioso do Futebol

Outras entrevistas

Esta não foi a primeira vez de Telê no Roda Viva. O técnico do Tricolor esteve no programa em outras duas ocasiões: em 17/06 de 1991, exatamente um ano antes da conquista da Libertadores e depois em 30/05 de 1994, às vésperas da Copa do Mundo dos EUA.

Recomendo que você reserve 1h28 do seu tempo para assistir a esta entrevista na íntegra, ela é muito rica e mostra que diversos problemas de 28 anos atrás ainda persistem, seja no campo do futebol ou da política de nosso país.

Gostei demais de relembrar a história do nosso São Paulo FC, e o Youtube já me recomendou algumas outras boas entrevistas antigas. Em breve devo trazê-las no mesmo formato, aguardem!

Confira a entrevista na íntegra

(Caso não esteja visualizando o vídeo, clique aqui)

Confira a transcrição completa da entrevista aqui.

Agradecemos a TV Cultura por ter disponibilizado tal tesouro em seu canal do Youtube!

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Um dos fundadores do Arquibancada Tricolor, fã do M1TO Rogério Ceni e amante do bom futebol. Tenho perdido algumas horas de sono vendo NBA e NFL.