#ColunaAT – Lembranças “avallonísticas” de um jovem são-paulino

A coluna Carrinhos e firulas é escrita pelo Victor Oliveira e sempre será publicada às sextas, contendo muitas análises sobre o Tricolor!

Na madrugada da última segunda-feira (25), o jornalismo esportivo perdeu mais uma de suas figuras lendárias. Roberto Avallone faleceu em São Paulo, aos 72 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Avallone deixará saudades pelo carisma, entusiasmo e seus inconfundíveis bordões e jeito de apresentar os programas esportivos.

Quando comecei a assistir Mesa Redonda, na TV Gazeta, o programa já era apresentado por Flávio Prado. Portanto, não tenho recordações dos debates e entrevistas polêmicas comandados por Avallone no programa. Porém, assistia ao programa “Bola na Rede”, que o jornalista apresentava aos domingos, na Redetv.

Neste período, entre 2004 e o início de 2005, o São Paulo começava a se reerguer e voltar com força ao cenário do futebol nacional. Concomitantemente, o rival Corinthians amargava um dos piores momentos de sua história. Era bastante comum Avallone abrir o programa com a célebre frase: “Crise no Corinthians (exclamação)!”. Lembro-me de sua abertura do programa esportivo, quando o São Paulo bateu o Paysandu por “um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete a zero” no Brasileirão de 2004. Era um período extremamente divertido no futebol, no qual fazíamos chacota, e não éramos a chacota.

Acompanhei todo o pós-jogo do empate em 0x0 contra o Santos, em Mogi Mirim, que garantiu o título paulista ao São Paulo em 2005 no programa de Avallone. “Parem as máquinas!” Logo em seguida, o apresentador rumou para a Rede Bandeirantes, onde apresentava o Show do Esporte Interativo nos domingos à noite.

Aqui guardo duas recordações, muito pouco lembradas por alguns torcedores. Faltando três dias para o primeiro duelo decisivo, contra o River Plate (ARG) pela semifinal da Libertadores daquele ano, Avallone recebeu o técnico Paulo Autuori como convidado no programa. O São Paulo havia acabado de contratar o atacante Amoroso, recém-saído do Malaga (ESP) e, até então, em baixa na Europa. Como era característico, Avallone perguntou a Autuori: “Se Amoroso for inscrito a tempo, joga na quarta?” E Autuori devolveu: “Joga!” Ao passo que Avallone retrucou: “Como titular?” e Autuori assentiu: “Como titular!”. O resto é a história que tão bem conhecemos.

“Bomba no São Paulo!” Logo após a conquista da Libertadores, novamente foi Avallone quem trouxe uma notícia, em primeira mão, aparentemente pouco importante, mas que teve um impacto inestimável meses depois: o São Paulo estava acertando a contratação do atacante Aloisio Chulapa, então no Atlético-PR. Pobre Liverpool, não imaginava o que os esperavam…






Avallone, mesmo palmeirense declarado, poucas vezes fazia o torcedor rival do Palmeiras lembrar que ele torcia para o clube. Por esse motivo, assistir aos seus programas e comentários era agradável e se configurava um excelente entretenimento. Não poderia deixar de homenageá-lo nessa coluna, sendo o jornalista um dos gatilhos de memória que tenho para um dos momentos mais vitoriosos da história tricolor, consequentemente, mais felizes da minha vida como torcedor.


Victor Oliveira. Tenho 26 anos, moro em São Carlos-SP. Sou Engenheiro de formação e trabalho como Analista Financeiro. Sou apaixonado pelo Tricolor desde pequeno, quando comecei a acompanhar os jogos pela TV. Neste espaço, farei análises fortes como carrinhos, carregando a sutileza de uma firula.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Reprodução / TV Globo

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