O são-paulino precisa de um psicólogo e não de um novo técnico

Foto: São Paulo FC

Tem sido impossível acompanhar qualquer debate são-paulino que envolva o nome do treinador Thiago Carpini nas redes sociais. Críticas, ofensas, xingamentos, fake news, tem de tudo nas redes sociais, principalmente no X, antigo Twitter, onde parece que as portas do esgoto foram abertas, para não falar de outro local…

Eu não escondo de ninguém que deixei de ser um torcedor fanático há bastante tempo, e com os anos trabalhando no Arquibancada Tricolor, passei a mudar meus conceitos sobre muitas coisas que não só envolvem o Tricolor Paulista, mas o futebol em geral.

Eu sou extremamente contra a mudança de treinador no meio da temporada, e quando falamos de um treinador que está há 73 dias no cargo, contando desde o seu primeiro treino no São Paulo, até o dia de hoje, 26 de março, quando escrevo esta coluna, é ainda mais absurdo pensar nesta troca.

Nada acontece da noite para o dia, muito menos quando falamos de futebol brasileiro. Carpini foi apresentado no começo da semana e no fim dela já estava em campo fazendo a sua estreia. Qual pré-temporada ele teve? Qual chance ele teve de testar possibilidades?

Os fantasiosos torcedores que hoje dizem que o Campeonato Paulista deveria ter sido usado como laboratório, são os mesmos que pedem a cabeça do treinador com dez dias de trabalho. E isso aconteceu em 2018 com Dorival Júnior.

Thiago Carpini só não teve a pré-temporada, como em menos de sete dias teve a missão de quebrar o tabu contra o Corinthians em Itaquera e ser campeão do inédito título da Supercopa do Brasil contra o Palmeiras. E o que aconteceu? Conseguiu realizar os dois feitos.

Na minha opinião, Carpini tinha três tarefas no começo do ano: quebrar o tabu em Itaquera, ser campeão e classificar o São Paulo no Paulistão. Os três eventos aconteceram, assim como deveria ter acontecido a vitória no Choque-Rei de 03 de março, quando o São Paulo foi claramente prejudicado pela arbitragem e se não fosse a arbitragem, mais uma vez contra o Santos, teria terminado o Paulistão invicto nos clássicos.

Sim, o futebol apresentado não é dos melhores. A formação tática não me agrada, eu já falei aqui anteriormente que gostaria de ver o time com três zagueiros e penso que desta forma teríamos mais segurança para utilizar James Rodríguez e até mesmo para explorar melhor nossos laterais de forma ofensiva.

Falando em James Rodríguez, independente de qual seja o seu aproveitamento daqui para frente, essa é com certeza uma das três piores contratações da história do São Paulo. Não agrega dentro e fora de campo, e só serve como mais um estopim para a torcida reclamar. Dorival já não o usava, mas a culpa de tudo caiu em cima do jovem treinador…

Sem pré-temporada adequada, aliada pela pressão dos resultados iniciais, somada a diversas contusões, onde chegamos a ficar sem os três laterais-direitos por dois jogos, fica muito complicado avaliar o trabalho de qualquer profissional, seja Thiago Carpini ou Pep Guardiola.

E no mercado não tem coisa melhor. Temos ex-treinadores em atividade, como Luxemburgo e Felipão, temos Mano Menezes, que não agrada a ninguém, fora 300 nomes no mercado internacional que ninguém viu mais de 4-5 jogos e que ninguém sabe se aceitariam se mudar para o Brasil, fora que a situação ecônomica do Tricolor não é das melhores, ou vocês não se lembram que Casares e cia. queriam parcelar a multa de Thiago Carpini com o Juventude?

Voltando ao título desta coluna, eu percebo que a grande maioria das ofensas e xingamentos são a forma dos torcedores estravazarem suas frustrações do dia a dia, de um país que não avança, que a cada dois anos elege um político ainda pior para comandar suas cidades, estados e nação. Por isso o torcedor são-paulino precisa de um psicólogo, e não de um treinador novo…

*As opiniões expressas aqui são de responsabilidade do autor do texto, e não refletem a opinião do site

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