Foto: Reprodução / Youtube - Tyc Sports

São Paulo e Tigre, da Argentina, fizeram a final da Copa Sul-Americana de 2012, naquele que seria o último título por um torneio oficial do Tricolor. Mas a partida acabou ficando marcada por um episódio lamentável. No fim do primeiro tempo, os jogadores do time argentino foram atrás de Lucas Moura, que havia marcado um dos dois gols da noite e iniciaram uma confusão que durou todo o intervalo. O time argentino acabou não retornando para disputar a segunda etapa e o São Paulo foi declarado campeão.

Treinador da equipe argentina na época, Nestor Gorosito falou com o canal de televisão Tyc Sports e revelou que seus jogadores tinham a intenção de retornar e finalizar o jogo, mas representantes da Conmebol ficaram com receio de que mais brigas acontecessem e prejudicassem a integridade dos envolvidos no duelo:

O cônsul não nos deixou jogar porque perguntou quais eram as garantias de que isso não aconteceria de novo, e a Conmebol e o árbitro disseram que as garantias eram as mesmas dadas até ali“, disse Pipo, como é conhecido por lá.

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Ele ainda contou os momentos de tensão que ocorreram no vestiário quando ainda se aguardava a volta para a segunda etapa e falou que alguns dos seus jogadores foram agredidos por seguranças:

Armou-se uma confusão no campo e se separaram, e quando chegamos ao vestiário os seguranças estavam batendo em dois jogadores nossos que estavam entrando. Aí entramos e brigaram todos. Impressionante. Os [seguranças] gordos, grandões, musculosos, começaram a se cansar e os nossos meninos foram para cima, e isso porque faltavam uns caras nossos que também eram grandes. Até que começaram a nos acertar com os cassetetes, sacaram um revólver, bateram no peito de um jogador nosso. O representante da Conmebol e o árbitro estavam aí, a cinco metros.”

Para Gorosito, a hostilidade dos brasileiros começou nas declarações do então técnico são-paulino Ney Franco, que disse que havia sido maltratado na Argentina. Para Pipo, essa declaração não corresponde a realidade e só serviu para tumultuar a final:

Foi uma loucura, fizeram nossa vida impossível. O treinador deles foi um idiota, falou que havia sido maltratado aqui na Argentina. Mentira, na Argentina nem te dão bola. Ele começou a plantar discórdia e bagunça, aí chegamos a São Paulo e não nos deram campo para treinar. Nos mandaram treinar duas horas onde estávamos, não deixaram a gente se aquecer no gramado do Morumbi“, declarou.

Finalizando seu depoimento, o treinador, que trabalhava no Olímpia, do Paraguai, há poucas semanas, reclamou da diferença de tratamento que a Conmebol teve com o Tigre, uma equipe que não está entre as mais tradicionais do futebol sul-americano:

De outro time, não tirariam a medalha. De um Boca, River, San Lorenzo? (Julio, presidente da AFA) Grondona não deixaria tirar a medalha. Mas com a gente e outros times que entre aspas são menores, sim.”

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo quando o caso aconteceu, afirmou após a partida que os argentinos sofreriam uma goleada e por isso fugiram do confronto:

Foram 67 mil torcedores. O Tigre estava com a língua de fora. Eles iriam tomar uma goleada e fizeram um papel feio. A fuga dos argentinos é a nossa vitória maiúscula

Fontes: UOL e Tyc Sports